Notícia

JC e-mail

Oscar Sala: bastião de resistência

Publicado em 05 janeiro 2010

O físico e professor emérito do Instituto de Física (IF) da Universidade de São Paulo (USP) Oscar Sala foi presidente da Sociedade Brasileira de Física (1968-1971), da SBPC (1973-1979), da Associação Interciência das Américas (1975-1979) e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (1985-1987).

Como presidente da SBPC, ele desempenhou um papel importantíssimo na defesa dos interesses da comunidade científica e dos princípios da democracia. "Ele foi uma liderança fundamental para a SBPC, numa época de muitos conflitos entre a comunidade científica e a ditadura. Sua postura era moderada, porém sempre firme em defesa dos princípios da democracia", afirmou o atual presidente da entidade, Marco Antonio Raupp.

Para o professor titular de Genética e Evolução da USP, Luiz Edmundo de Magalhães, que foi secretário geral da SBPC em duas gestões de Sala, "ele era uma fortaleza que nunca cedeu às pressões de nenhum governo ou político".

Magalhães conta que Sala era muito respeitado pelos ministros do governo e pelo próprio presidente Ernesto Geisel. "Graças ao seu equilíbrio e serenidade, a SBPC foi o único fórum livre de debate durante o período da repressão, e podíamos fazer nossas reuniões com relativa liberdade, sem sermos importunados", lembra Magalhães. "Ele era um bastião de resistência; uma das pessoas mais dignas que conheci e absolutamente impecável do ponto de vista ético", resumiu.

Contribuições

Em todas as entidades onde atuou, deixou contribuições significativas mesmo quando não estava à frente da presidência. De acordo com uma matéria publicada no site da agência, em 1969, o Conselho Superior da Fapesp decidiu apoiar projetos de grande porte, aprovando o plano de Sala, que havia assumido a diretoria científica, de destinar 30% do total da verba de amparo à pesquisa ao custeio de projetos através dos quais possam ser resolvidos ou bem equacionados importantes problemas de determinadas áreas.

No ano seguinte, como resultado do Plano para Desenvolvimento da Bioquímica na Cidade de São Paulo, entra em operação o Bioq-Fapesp, com 14 projetos científicos e investimento inicial de US$ 1 milhão, previsto para três anos.

"Na época, eu era assistente do professor Francisco Lara, que apresentou a proposta para Sala. Ele, por sua vez, bancou o projeto que transformou a bioquímica em uma das áreas de pesquisa mais ativas do Estado de São Paulo", lembra Hugo Aguirre Armelin, hoje professor titular do Departamento de Bioquímica do Instituto de Química da USP.

Fapesp

Oscar Sala foi também diretor científico e presidente da Fapesp. "O professor Sala teve enorme influência no bom desenvolvimento da Fapesp, como diretor científico e como presidente da Fundação. Presidiu a SBPC com ousadia e habilidade em um período difícil da vida brasileira, resistindo ao arbítrio e defendendo o desenvolvimento da ciência no Brasil. Mais ainda, o professor Sala foi um dos grandes cientistas brasileiros, aliando excelência científica e liderança institucional, e sendo um modelo de carreira para gerações mais jovens", disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

O físico teve atuação importante na consolidação da fundação paulista. "Sala é um dos grandes nomes da ciência no país e um dos principais nomes associados à história da Fapesp, tendo sido inicialmente diretor científico em um período de consolidação da Fundação. Sua atuação foi decisiva nesse processo, nessa consolidação dos ideais da Fapesp, como, por exemplo, na implantação da sistemática de análise por pares, que possibilita a imparcialidade no processo de aprovação das propostas", destacou Celso Lafer, presidente da Fapesp.

Missa

No próximo sábado (9/1), acontece a missa de sétimo dia de Oscar Sala, às 12h, na Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro (R. Honório Líbero, 100, Jardim Paulistano, São Paulo).

(Com informações da Assessoria de Imprensa da SBPC e da Agência Fapesp)