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Jornal da USP online

Os vários moinhos de Cervantes

Publicado em 18 dezembro 2013

Miguel de Cervantes y Saavedra (1517-1616) escreveu, no século 17, uma das mais famosas obras da literatura espanhola e mundial. Dom Quixote de La Mancha, apesar de antigo, é ainda atual e desde sua escrita é republicado regularmente, além de ter sido traduzido para diversas línguas, o que resultou em edições muito diferentes, muitas delas ilustradas e que simbolizam suas épocas. O Sistema Integrado de Bibliotecas (Sibi) da USP traz à Biblioteca Brasiliana, até 1° março, a exposição “Quixote, entre a palavra e a imagem”, que reúne parte de uma das mais completas coleções da obra-prima de Cervantes.

Falecido em 1992, o médico pernambucano Sebastião Públio Dias da Silva montou uma coleção focada na obra de Cervantes, que foi deixada aos cuidados da USP por seus filhos. A Coleção Cervantina Públio Dias tem obras raríssimas e, de acordo com a professora Sueli Mara Soares Pinto Ferreira, diretora técnica do Sibi, é uma das mais ilustradas do mundo. São mais de 700 volumes com publicações em 35 idiomas, formatos diferentes e oriundas de várias épocas, como a primeira edição espanhola ilustrada, de 1662, uma alemã de 1780, uma francesa de 1836 e a famosa edição ilustrada por Salvador Dalí, publicada em inglês em 1946. Públio Dias, amigo de grandes autores brasileiros, tinha também em meio a sua coleção uma edição russa, com dedicatória de Jorge Amado, outra recebida de Manuel Bandeira e uma ilustrada por Portinari. “É interessante comparar como os vários países ilustraram Dom Quixote. O conteúdo é o mesmo, mas as ilustrações condizem com a cultura de cada país”, diz Sueli.

Sob curadoria da professora Maria Augusta da Costa Vieira, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, foram escolhidos 40 objetos para a exposição – livros, miniaturas, quadrinhos, desenhos, poemas –, de modo a mostrar o Dom Quixote sob dois principais focos: a repercussão internacional desde sua criação e sua recepção e difusão nacional, como, por exemplo, apresentação das primeiras traduções e as influências na literatura infantil, na pintura e no cordel. “Nós convidamos a professora, que é especializada em Cervantes, e ela nos ajudou a decidir os textos e selecionar os livros. É importante ter uma pessoa especializada no assunto para contar a história. E por intermédio dela contamos também com o apoio de um professor espanhol”, completa Sueli. Os livros selecionados poderão ser vistos virtualmente pelos visitantes, além de poderem consultar outras ilustrações em tablets dispostos pelo espaço.

Novos espaços – A montagem da exposição, bem como o cuidado com as obras, foi possível graças aos novos laboratórios do Sibi, que foram inauguradas junto com a exposição: Laboratório de Conservação de Obras Raras e Especiais e o Laboratório de Digitalização e Preservação Digital, ambos com equipamentos novos e de alta tecnologia. Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o de conservação dispõe de controle de temperatura e umidade. Já o segundo tem como digitalizar, tratar e disponibilizar na internet os conteúdos das coleções pertencentes à USP. Em breve, os laboratórios estarão à disposição das demais unidades da USP. Além disso, eles poderão ser visitados por quem se interessar. Junto dos laboratórios inaugura-se também o Espaço de Mostras Periódicas das Coleções de Obras Raras e Especiais. O Sibi vêm digitalizando várias obras, todas disponíveis on-line, e o intuito, de acordo com Sueli, é formar uma grande biblioteca universal, assim como vêm fazendo diversas universidades ao redor do mundo.

“Quixote, entre a palavra e a imagem” está em cartaz no térreo do Complexo da Biblioteca Brasiliana, que fica na r. da Biblioteca, s/n, Cidade Universitária. As visitas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h. Mais informações no sitewww.bibliotecas.usp.br e pelo telefone 3091-1546. Para consultar as obras já digitalizadas pelo Sibi, acesse www.obrasraras.usp.br.