Notícia

Folha do Mate

Os respingos da tragédia do Rio em solo gaúcho

Publicado em 20 janeiro 2011

Teresópolis, Petrópolis, Nova Friburgo e Areal. Cidades do Rio de Janeiro que hoje se recuperam do arraso ambiental causado pelo excesso de chuvas nos dias 11 e 12 deste mês. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 milímetros nas 24 horas naquela região.

Já foram constatadas 722 mortes. Segundo o último levantamento divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde e Defesa Civil daquele Estado, até ontem, 345 vítimas fatais foram registradas em Nova Friburgo, 295 em Teresópolis, 63 em Petrópolis e 21 em Sumidouro, três São José do Vale do Rio Preto e uma em Bom Jardim. De acordo com os dados oficiais, 6,4 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas em Petrópolis, 5.190 em Nova Friburgo e 2.240 em Teresópolis.

Nesta semana, a venâncio-airense Cláudia Dattein repassa informações da cidade de Teresópolis onde mora há dois anos. `A população está chocada. O assunto da cidade é este, embora que aqui no centro (onde mora) não tenha sido afetado pela tragédia, os arredores estão com acessos prejudicados. De um jeito ou de outro todos os moradores da cidade foram atingidos`, comenta. Cláudia destaca que uma das maiores mudanças sentidas por quem mora no centro se refere ao racionamento de água. Também pode ser observado um policiamento maior nas ruas e muitos helicópteros em circulação. `Todos estão solidários uns com os outros`, destaca. Uma colega de trabalho, Marcela Maciel Barbosa, perdeu a casa e hoje mora junto com Cláudia. `Com a casa da família interditada e com risco de desabamento no bairro Prata Fischer, a Marcela não tinha onde residir, então convidei-a para ficar no apartamento, o que passou a ser comum na cidade, onde um dá abrigo aos outros que perderam o que tinham`, diz. Marcela conta que nasceu de novo e destaca a sorte de não ter perdido a família, onde todos estão bem, embora tenham perdido a casa onde moravam.

De volta

A agricultora Cleusa Dörr está de volta. Ela viajou na sexta-feira,14, e retornou no sábado. Em Nova Friburgo, não sabia o que iria encontrar, mas a história acabou com final feliz. Cleusa deixou a casa em Linha Rincão de Souza, interior de Venâncio Aires, para ir ao Rio de Janeiro saber notícias dos filhos Mateus,27, e Tiago Lemes dos Santos,24, com os quais não conseguia manter contato desde o dia da catástrofe carioca.

Apesar de perderem casa e empresa, eles estão bem. Hoje, moram com a sogra de um dos jovens, mas pensam em deixar Nova Friburgo e tentar o futuro em outra cidade. A mãe quis trazê-los de volta, mas o momento é de cadastramento de todas as pessoas da cidade. `Eles não podem sair agora, para que não sejam dados como desaparecidos`, destaca Cleusa. Segundo ela, viu cenas de horror e muita gente morta. ` Vi helicópteros largando pessoas mortas enroladas em sacos pretos, havia um pavor no rosto das pessoas e muito mau cheiro. O que a televisão mostra não dá a dimensão do que é a realidade de Nova Friburgo. As pessoas estão traumatizadas`, conta. Cleusa diz que pretende trabalhar para ajudar os filhos a iniciar uma nova vida, uma vez que perderam tudo o que tinham. ` Eu ganhei os meus filhos de novo`, diz Cleusa, ainda chocada com a realidade que presenciou no Rio de Janeiro.

Prevenção a desastres naturais

A presidente da República, Dilma Rousseff, anunciou que o governo federal vai implantar no Brasil um sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais. A partir da conjugação de dados meteorológicos e geofísicos, será possível dar o aviso para que as populações sejam retiradas das áreas de risco.

De acordo com o ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante o supercomputador Tupã, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), terá condições de promover levantamento da incidência de chuvas, ampliando o nível de detalhamento para 5 km na América do Sul e 20 km para todo o globo. Será possível prever ainda eventos extremos com boa confiabilidade, como chuvas intensas, secas, geadas, ondas de calor, entre outros. As previsões ambientais e de qualidade do ar também serão beneficiadas, gerando prognósticos de maior resolução, de 15 quilômetros, com até seis dias de antecedência.

Instalado em Cachoeira Paulista (SP), o supercomputador Tupã é um modelo XT6 da Cray capaz de realizar 258 trilhões de cálculos por segundo. Adquirido com recursos do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), o Tupã está entre os mais poderosos supercomputadores do mundo para previsão de tempo e estudos em mudanças climáticas.

Já no próximo verão será possível dispor de informações adicionais para prevenir catástrofes naturais, mas o sistema entrará em operação plena num período de quatro anos.

O governo também liberou nesta semana R$ 100 milhões para os governos do Rio de Janeiro e dos municípios atingidos pelas enchentes.

Saque do FGTS

Entrou em vigor na segunda-feira, 17, o decreto assinado pela presidente Dilma, que define em R$ 5,4 mil o valor máximo de saque na conta vinculada do FGTS por trabalhadores vítimas de desastres naturais.

A medida vale para o trabalhador, titular de conta vinculada do FGTS, que resida em áreas em que tenha sido decretada situação de emergência ou estado de calamidade pública. Para que o trabalhador tenha direito ao saque, o intervalo entre uma movimentação na conta do FGTS e outra não deve ser inferior a 12 meses. O trabalhador pode realizar a habilitação junto à Caixa Econômica Federal, comprovando que morava em uma das áreas afetadas delimitadas pela Prefeitura, por meio de contas de água, luz ou telefone, entre outros meios de comprovação. O titular da conta do FGTS que não dispuser de meios para comprovação do endereço residencial, poderá apresentar declaração emitida pela Prefeitura da cidade onde mora.