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Comércio da Franca

Os prejuízos das enchentes

Publicado em 27 março 2013

Com 749 pontos de alagamento identificados na cidade, as perdas anuais no âmbito do município chegam a cerca de R$ 336 milhões. O cálculo é feito com base em perdas decorrentes das interrupções da produção, do comércio e dos serviços, sem considerar danificação de edifícios, veículos e equipamentos, destruição de mercadorias, bens particulares e instalações públicas e atendimento à saúde das pessoas afetadas. Projetado esse prejuízo para as cadeias mais amplas de produção e renda, o total chega a R$ 762 milhões em escala nacional. As informações são da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

A situação das enchentes é agravada pelas transformações que uma urbanização não planejada ou mal planejada ocasionou no uso da terra, com a ocupação e a impermeabilização das várzeas dos rios, em especial da bacia hidrográfica do Alto Tietê, e a consequente redução da drenagem das águas pluviais durante as chuvas fortes. Além disso, há as chamadas ilhas de calor, geradas na área metropolitana em decorrência da própria aglomeração, que contribuem para a ocorrência e intensificação dos eventos extremos, afirma Eduardo Amaral Haddad, professor da USP e pesquisador na área de Economia das Mudanças Climáticas do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (lNCT-MC), em artigo prestes a ser publicado na revista Habitat International.

Segundo a Fapesp, o estudo do impacto econômico dos alagamentos em São Paulo poderá subsidiar a tomada de decisões nas várias instâncias do governo para minimizar os efeitos das mudanças climáticas globais. Projeções decorrentes de estudos mais abrangentes indicam um aumento na frequência e intensidade de eventos extremos de curta duração e anunciam que o número de dias com chuvas fortes deverá crescer até o final do século. Os paulistanos e os moradores dos municípios vizinhos que acorrem diariamente a seus postos de trabalho na cidade de São Paulo (cerca de 1 milhão de pessoas) terão que se preparar para esses eventos, inevitáveis, segundo os pesquisadores. Com 39 municípios em intenso processo de conurbação e cerca de 20 milhões de habitantes, a região metropolitana de São Paulo é, atualmente, a quarta maior aglomeração urbana do mundo.

Para tentar amenizar a questão das enchentes, o governo do Estado se prepara para grandes investimentos. Semana passada anunciou a publicação de edital de licitação pública para Parceria Público-Privada (PPP) visando construir 45 piscinões na região metropolitana de São Paulo. E a primeira PPP na área de combate a enchentes e terá um prazo de vigência de 20 anos.