Notícia

Revista Aruanã

Os pioneiros da pesca amadora no Brasil - Heraldo A. Britski

Publicado em 17 agosto 2018

Por Antonio Lopes da Silva

O nosso entrevistado desta feita, é hoje considerado como a maior autoridade mundial em peixes de águas interiores brasileiras. Nosso amigo e colaborador, há muitos anos presta informações à Revista Aruanã a respeito de nossos peixes. Vamos conhece-lo um pouco melhor.

Prof. Dr. Heraldo Antonio Britski

O Prof. Dr. Heraldo Antonio Britski. É paulista de Corumbataí, e tem hoje 57 anos e é casado com Dona Peny Britski, tendo desse casamento duas filhas. Formado em História Natural na Universidade São Paulo (USP), fez especialização na mesma faculdade em Ictiologia. Desde 1960 trabalha no Museu de Zoologia da USP, que fica na Av. Nazareth 481 no bairro do Ipiranga em São Paulo. Para mostrar um pouco da personalidade e capacidade científica do Prof. Britski, temos como referência a sua colaboração em mais de 90 colaborações, resumos e artigos científicos. No Museu, trabalha na seção de peixes, onde é o responsável por uma área de 700m2, onde estão catalogados e estudados mais de 1 milhão de peixes de várias espécies e conservados em mais de 60 mil frascos. Na comunidade científica, onde é reconhecido mundialmente, mantém contato e recebe visitantes cientistas da França, Suécia, Holanda, Inglaterra, Suíça, Estados Unidos, Canadá e toda a América do Sul. Ainda troca informações e colabora com cientistas de todo o mundo. Para que o leitor tenha uma idéia do seu trabalho ele nos diz:

Em visita a Aruanã

“Uma pesquisa cientifica, completa, é algo que pode demorar alguns meses e vários anos, dependendo do peixe estudado. Por exemplo, nós participamos da EPA – Expedição Permanente da Amazônia – e ficamos durante 10 anos, nessa região, fazendo o levantamento de espécies locais.” Como influências científicas, o Prof. Britski diz, que em especial gosta de citar dois cientistas, o Dr. Paulo Vanzolini atual Diretor do Museu e o Dr. Frans Steidachener, um austríaco que estudava peixes brasileiros de 1860 a 1915. “Os trabalhos desse cientista austríaco, até hoje, são por mim muito pesquisados e lidos.” Na parte de apoio, Britski o recebe do Conselho Nacional de Pesquisas e da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo. Mas algumas curiosidades que tínhamos, esse cientista nos esclareceu dizendo que as bacias onde existe o maior número de peixes podem ser classificadas como: em primeiro a Bacia Amazônica, depois a Bacia do Prata e finalmente a Bacia do rio S.Francisco, isso em território brasileiro. Depois dessas há ainda bacias menores, mas é importante saber que só em espécies de águas interiores, o Brasil tem cerca de 1.500, sendo então considerado o maior país do mundo em espécies de peixes.

Apapá – Pellona castelnaeana – Fam: Clupeidae

Para mostrar quem é o Prof. Britski, vamos relatar dois fatos pitorescos: o primeiro aconteceu com nosso editor Antonio Lopes da Silva, quando de uma viagem ao rio Guaporé, onde fisgou um peixe que não sabia qual era. Segundo os pescadores da região, o tal peixe era chamado de “peixe novo” e “peixe banana”. Nosso editor trouxe o peixe para São Paulo e o levou ao Prof. Britski. Foi só abrir o isopor, que o Prof. Britski, só de olhar, descobriu que era um apapá. Sobre o mesmo apapá, certa ocasião um articulista famoso de um grande jornal paulista, pescando no Araguaia, também fisgou um desses peixes. No Araguaia chamam o apapá de “tubarana ou tabarana”. Pensando em tratar-se de nossa tabarana, que é da família do dourado, escreveu um artigo a respeito. Modestamente o Prof. Britski escreveu uma carta pessoal ao articulista, informando-o do erro. Qual não foi sua surpresa, quando soube que além de não aceitar sua informação científica, o tal articulista “desceu o pau” em sua pessoa. Perguntei-lhe o que tinha feito. Resposta: “achei melhor deixar para lá.” Sobre pescarias nosso entrevistado afirma gostar, e seu maior peixe fisgado foi uma raia (Potamo trygom).

Trecho de seu prefácio em nosso livro Dicionário Aruanã de Pesca Amadora

Mas já viu e estudou peixes enormes como piraíbas e pirararas de 100 quilos e pirarucu de 70 quilos. Deve ser interessante ter o Prof. Britski como companheiro de pesca, pois por certo, não haverá nenhum peixe pescado que não seja identificado. Aliás, aproveitamos essa dica para dizer aos nosso pescador, que ao não identificar o peixe que pescou, faça uma visita ao Museu de Zoologia que o Prof. Britski terá muito prazer em informa-lo. Nosso entrevistado tem como maiores alegrias as descobertas de novas espécies de peixes. Só ele descobriu e identificou mais de 20. Como tristeza ele cita a mistura indiscriminada de espécies de peixes, de bacias diferentes feitas por leigos. Aliás sobre isso, perguntamos ao Prof. Britski qual era sua opinião sobre o tucunaré no Pantanal. Segundo sua opinião pessoal, “o tucunaré prolifera muito, mas será inevitável que daqui a algum tempo ele entre em equilíbrio. Dizer que ele irá acabar com outras espécies, como o dourado, por exemplo, não é verdade”. Aí está portanto, o nosso entrevistado dessa edição, o qual temos orgulho e satisfação em te-lo como amigo, colaborador e conselheiro, pois sem dúvida alguma, é a maior autoridade mundial em peixes de águas interiores brasileiras. E o que é melhor, tem reconhecimento público.

NR: O Museu de Zoologia da USP, continua no mesmo endereço e o Prof. Britski, "ocasionalmente" pode ser lá encontrado, pois goza de merecida aposentadoria.