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Jornal da USP

Os novos dirigentes da Universidade

Publicado em 07 março 2010

Por Paulo Hebmüller

Confirmados pelo Conselho Universitário em reunião do dia 23 de fevereiro, os quatro pró-reitores da USP - Telma Zorn, Vahan Agopyan, Marco Antonio Zago e Maria Arminda do Nascimento Arruda - assumem seus cargos

Os novos pró-reitores da USP tiveram seus nomes homologados na sessão do Conselho Universitário (Co) na terça-feira da semana passada, dia 23, assumindo imediatamente os cargos; Vahan Agopyan, pró-reitor de Pós-Graduação; e Maria Arminda do Nascimento Arruda, prcargos. São eles: Marco Antonio Zago, pró-reitor de Pesquisa; Telma Maria Tenório Zorn, pró-reitora de Graduaçãoó-reitora de Cultura e Extensão Universitária.

O professor Marco Antonio Zago foi sondado pelo então reitor eleito João Grandino Rodas enquanto ainda ocupava a presidência do Conselho Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em Brasília. Zago considerou que, após dois anos e meio à frente do conselho, já havia dado uma contribuição importante e era um bom momento para voltar. "Aqui é a minha casa, onde sempre trabalhei. Estou muito satisfeito de ter retornado à USP", diz.De fato, o novo pró-reitor de Pesquisa tem graduação, mestrado e doutorado pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP (FMRP), onde é professor titular de Clínica Médica desde 1990. Também coordena o Centro de Terapia Celular de Ribeirão Preto e, entre outras funções, foi diretor clínico do Hospital das Clínicas da FMRP.

Para Zago, a pesquisa é um elemento fundamental dentro de uma universidade com o perfil da USP. Na atualidade, considera, grande parte dos temas mais relevantes é multidisciplinar, possuindo métodos de abordagens similares. "Como a pesquisa é dispendiosa, temos que associar recursos para permitir maior potencial de fazer as coisas", afirma. Essa associação inclui por exemplo laboratórios para multiuso e facilidades que possam atender serviços variados.

Para além da infraestrutura física e da disponibilidade de técnicos, a própria organização dos grupos em redes facilita o trânsito de pessoas e de ideias, defende o professor. "Temos grande heterogeneidade dentro da USP, com alguns grupos muito bem-sucedidos e outros que ainda não tão expressivos. A associação pode ajudar o desenvolvimento dos que ainda não estão bem-sucedidos", diz.

A busca de verbas para pesquisa em outras fontes além das tradicionais agências de fomento também seria beneficiada pela melhor organização dos pesquisadores na hora de fazer os seus pedidos, acredita o pró-reitor. Não há muitas agências internacionais que oferecem recursos, mas Zago cita o exemplo do Programa Europeu de Pesquisa, em que a USP já tem competido.

Por sua vez, as empresas privadas ou públicas financiam prioritariamente trabalhos com objetivos específicos que passam principalmente pela área de desenvolvimento tecnológico e transferência de tecnologia. "Essa área envolve de certa forma a Agência USP de Inovação, que tem que ser uma participante muito ativa dentro do processo de obtenção de recursos", aponta. Zago ressalva que não é partidário da ideia de que a pesquisa aplicada é a única que a Universidade deve fazer - mas não pode deixar de fazê-la. Os entraves na burocracia que provocam morosidade interna, diz, podem ser identificados e facilmente reformados.

O pró-reitor considera que o principal desafio da nova gestão da USP é o da coesão e da unidade. "Já tenho percebido que existe um diálogo de bom nível entre os diferentes grupos componentes da Universidade. Tenho expectativa de que esse diálogo vai se ampliar", diz. "Não devemos ter ilusão de que não haverá disputas ou de que todas as questões serão resolvidas, mas tenho otimismo de achar que o debate se fará num nível de respeito e de ideias, não da força física", completa.

Valorizar o aluno

Aprimorar o que a USP já vem fazendo desde a sua fundação - "a busca incessante pela melhor qualidade" - é o papel de cada nova gestão da Universidade, salienta a nova pró-reitora de Graduação, Telma Zorn. O projeto da pró-reitoria, em conjunto com o Conselho de Graduação, fundamenta-se na valorização da graduação em todos os seus segmentos, "com a formação de egressos que sejam cidadãos competentes e socialmente responsáveis".

Valorizar o aluno, diz, requer "melhores salas de aulas, criação de ambientes adequados de estudo, laboratórios, bibliotecas e ferramentas modernas de ensino". O desenvolvimento de meios de avaliação que possam de fato valorizar os docentes pela qualidade do ensino de graduação é outra meta apontada pela professora.

Telma Zorn é graduada em Medicina pela Universidade Federal de Alagoas, com doutorado obtido em 1977 e livre-docência em 1990. Desde 1994, é professora titular do Instituto de Ciências Biomédicas da USP. Na unidade, exerceu entre outras funções a presidência da Comissão de Pós-Graduação e da Comissão de Pesquisa, além de ter sido vice-diretora.

A professora conta que, embora tenha participado muito de perto do Grupo Compromisso USP, inclusive na elaboração de seu projeto, não tinha nenhuma expectativa de ocupar um cargo na gestão de Grandino Rodas. "O convite do professor Grandino me deixou certamente extremamente honrada, pois expressa sua confiança e a confiança do grupo Compromisso USP na minha história de 35 anos dedicados à USP através de atividades intensas de ensino na graduação e pós-graduação, na pesquisa e na administração", salienta. "O ensino de graduação tem um espaço muito especial na proposta Compromisso USP."

Como a qualidade do ensino de graduação permeia a da pós, da pesquisa e da extensão, aponta Telma Zorn, ações transversais entre as quatro pró-reitorias também serão desenvolvidas. A iniciação científica será estimulada, assim como a aproximação dos estudantes de pós-graduação das atividades de graduação e dos estudantes de graduação dos ambientes profissionais.

A pró-reitora cita ainda como metas importantes a implementação de currículos flexíveis, com a adição de disciplinas optativas; o incentivo a que os estudantes tenham uma postura ativa no seu próprio aprendizado; o cuidado com a permanência estudantil na Universidade e o apoio a novas modalidades de ensino, sem perda de qualidade do ensino presencial.

Avaliação

O novo pró-reitor de Pós-Graduação, Vahan Agopyan, acredita que foi a sua experiência nas agências de fomento que motivou o convite para assumir o cargo. Agopyan atuou por mais de vinte anos na Coordenadoria de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e integra desde 2000 o Conselho Superior da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Graduado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP, Agopyan é mestre em Engenharia Urbana e de Construções Civis e doutor em Engenharia Civil pela University of London King´s College. Desde 1994, é professor titular de Materiais e Componentes de Construção Civil da Poli. Entre outras funções, é presidente do Conselho de Superior do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares e conselheiro de instituições como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo. Foi diretor da Poli e coordenador de Ciência e Tecnologia da Secretaria do Desenvolvimento do Estado de São Paulo.

O pró-reitor ressalta que todos os projetos em andamento vão continuar, mas salienta dois tópicos principais de sua gestão. O primeiro deles é rediscutir a avaliação. "O objetivo da USP não é cumprir regras para atender aos anseios das agências. Alcançar conceitos 6 ou 7 na Capes é consequência da nossa excelência", diz. Agopyan ressalta que a Capes funciona de modo exemplar e tem reconhecimento internacional. Representantes de vários países vêm ao Brasil para estudá-la. Para o professor, o fato de a USP ser o maior centro de pós-graduação do Brasil leva ao compromisso de continuar na busca da excelência e também de auxiliar a Capes a aperfeiçoar sua avaliação.

O segundo ponto é discutir a pós-graduação da própria Universidade. O atual modelo brasileiro de pós foi implantado em 1965, e os primeiros regulamentos na USP são de 1968. "Nossa pós-graduação é excelente A dúvida é se o modelo ainda vale", aponta.

Agopyan lembra que, quando começou seu mestrado, em 1975, os alunos eram todos docentes, realidade que se manteve na década de 80, quando passou a lecionar na pós. "Hoje temos um outro alunado, um outro público", considera, citando ainda que houve muitas mudanças nesses cursos no exterior dos anos 60 para cá. Toda a discussão será capitaneada pela Comissão de Pós-Graduação da USP, reitera.

Um dos grandes desafios para a gestão de Grandino Rodas, acredita Vahan Agopyan, é ampliar a interação entre a Universidade e quem a sustenta. "Essa interação tem que ser mais intensa inclusive para demonstrar à sociedade que a USP é imprescindível para a melhoria da vida da população e que cada centavo investido aqui tem retorno para a própria sociedade", afirma o professor, que chama a atenção para as enormes disparidades e diferenças de desenvolvimento entre regiões dentro do Estado de São Paulo.

Preservação da excelência

A professora Maria Arminda do Nascimento Arruda conheceu o professor João Grandino Rodas como "vizinha" de bancada nas reuniões do Co. "Passei a conversar com ele e comecei a admirar muito a sua cultura e a sua serenidade. Desenvolvemos essa afinidade por questões circunstanciais", conta. Por essa razão, a professora diz que o convite para assumir a Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária de certa forma surpreendeu-a e de certa forma não.

Para a professora, caso o reitor optasse por convidar um docente da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) - a maior unidade da USP - para a pró-reitoria, seu nome poderia ser cogitado. Maria Arminda ressalta, entretanto, que nunca postulou o cargo e nem participou do grupo Compromisso USP, embora tenha muitas afinidades com o programa e as orientações propostas.

Maria Arminda Arruda possui graduação em Ciências Sociais pela USP e mestrado e doutorado em Sociologia. É professora titular do Departamento de Sociologia da FFLCH. Já foi representante da Congregação no Co e coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia. Desde 1997 coordena a área de Sociologia e Ciências Sociais na Capes.

A professora considera que a pró-reitoria é um mundo dentro do cosmos enorme que é a Universidade. "Ainda estou me familiarizando com a multiplicidade de atividades que essa pró-reitoria tem. Todos os projetos são muito importantes", diz. Maria Arminda afirma que não há cultura que tenha capacidade de verdadeiramente construir um processo de difusão para a sociedade se não existir a extensão. "São pares indissociáveis, e a extensão tem um significado público imenso. É missão de uma universidade pública do porte da USP ser capaz de oferecer tudo isso para a sua comunidade e para a sociedade", defende.

Entre os desafios que identifica está a manutenção da excelência e da alta qualidade do trabalho da Universidade, combinando ao mesmo tempo a preservação de todo o seu patrimônio intelectual, científico e cultural. Esse patrimônio deve ser cada vez mais dado a conhecer para a comunidade acadêmica e a sociedade.

"Sempre lembro o verso de Camões: "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades". Os tempos são outros. Como podemos enfrentar os seus desafios?", pergunta. Para a professora, uma universidade verdadeiramente crítica também tem que se pensar, pensar o conjunto e ser capaz de propor.

Maria Arminda Arruda se diz "muito mobilizada para realizar aquilo que o conjunto da comunidade julgue ser as tarefas imprescindíveis da área da cultura e da extensão e para fazer o melhor possível". "Temos que saber que não existe a perfeição. Mas, se não buscarmos permanentemente o aprimoramento, também não conseguimos realizar coisas que valham a pena" acredita

Gabinete do reitor também tem nomeações

Além dos nomes homologados para ocupar as Pró-Reitorias, o reitor João Grandino Rodas confirmou no início de fevereiro indicações para outros cargos da Administração Central. O novo secretário geral é o professor Rubens Beçak, que fez graduação, mestrado e doutorado na Faculdade de Direito (FD) da USP e é docente da Faculdade de Direito de Ribeirão Preto da USP. A Consultoria Jurídica foi assumida por Gustavo Ferraz de Campos Mónaco, professor doutor do Departamento

de Direito Internacional da FD. Adilson Carvalho é o diretor administrativo do Gabinete. Professor do Instituto de Geociências (IGc) da USP, Carvalho, entre outras funções, já foi diretor do IGc, coordenador da Coordenadoria de Administração Geral (Codage) e prefeito do campus da capital. O professor Carlos de Paula Eduardo, diretor da Faculdade de Odontologia entre 2005 e 2009, assumiu como assessor técnico de gabinete.