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Os nomes que FHC não contou de comando do CEBRAP

Publicado em 13 maio 2019

Por Redação | Jornal GGN

Fernando Henrique Cardoso narrou detalhes das gestões do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), desde a sua criação, logo após o AI-5, em artigo para a Folha de S.Paulo neste domingo, 12 (acesse aqui). Da mesma forma, Angela Alonso, que acaba de encerrar o comando do instituto, também trouxe apreensões dos tempos atuais (leia aqui). Mas coube ao historiador e cientista político, Luiz Felipe de Alencastro, narrar nas redes sociais um período não mencionado do Cebrap.

Entre as partes, Alencastro aponta que FHC esqueceu de falar do papel de Bresser Pereira na fundação do Cebrap. “Falou de Angarita e Roberto Gusmão, da FGV, que deram apoio institucional ao Cebrap, mas não citou Bresser, importante na FGV, que sempre foi apoiante e participante muito próximo das atividades do Cebrap”, introduziu.

Em seguida, o historiador comenta sobre a fundadora do Cebrap, Elza Berquó, que mais tarde ficou conhecida como pioneira no estudo da demografia no Brasil. “Elza fundou o CEBRAP. Na paranoia do Clube de Roma com a ‘bomba populacional’, Elza demonstrou que a fecundidade no Brasil caia. Guiada por C. Procopio [Cândido Procópio Ferreira de Camargo], que quando dirigia o CEBRAP hipotecou seu apto para pagar os funcionário, sublinhou o impacto das novelas na queda da fecundidade.”

“Foi isso que interessou a Ford Foundation, e foi para Elza que veio o capital inicial: estudar a demografia brasileira”, continuou, lembrando que foi a partir daí que “FHC, Giannotti, Paulo Singer, todo o mundo virou demógrafo”. “Elza, V. Faria [Vilmar Faria, sociólogo] e P. Singer trabalharam na hard data (só tinha uma linha telefônica ligada ao computador da Fapesp, que debulhava os dados), em pesquisas e elaboraram a maior descoberta do Cebrap: a fecundidade cai porque o povo brasileira copia o modelo das novelas: as famílias de um filho só”, seguiu.

Esse enredo de Elza Berquó como pioneira no estudo da demografia brasileira foi bem detalhado em artigo de Neldson Marcolin para a revista Fapesp, em dezembro de 2017: acesse aqui. E também pela socióloga Maria Andrea Loyola, durante seminário de 50 anos do Cebrap, aqui.

Alencastro continua a explicar o que seguiu nos comandos da instituição. É quando FHC assume o mandato do senador Franco Montoro, em 1978, que Ruth Gold, Guillermo O’Donnel, com José Arthur Giannotti assumem a Presidência do Cebrap, e Juarez Brandão Lopes no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). “Todo mundo é Fernandista, o homem que anda a cavalo para o Planalto, como Napoleão com a dita cuja na garupa em Iena”, brinca Alencastro.

Em 1985, mostra o historiador, ocorre um racha no órgão, quando o sociólogo Chico Oliveira propõe a FHC uma aliança do PT-PSDB para a Prefeitura de São Paulo: “FHC não topou, mas a alta burguesia não acreditou: Setúbal apoio Jânio Quadros [que foi eleito]. FHC não esqueceu: o Planalto valeria bem 55 missas”, escreve Alencastro.

E neste contexto, “Guillermo O’Donnel vira figura central no Cebrap: assegura a transição na Ciência Política, num momento fundamental: a democratização dos países de Leste e o modelo latino se presta a comparações”. Ao lado de Guillermo e Giannotti, Ruth Gold faz o papel de mediadora na gestão, ao mesmo tempo que Giannotti, Rodrigo Naves e Roberto Schwarz renovam e ampliam a influência da revista Novos Estudos (leia aqui e aqui).

“Giannotti, grávido até as gengivas de Filosofia, liderou identidade do CEBRAP pós-ditadura: universidades retomavam as pesquisas em ciências humanas. Goldemberg (USP) e Paulo Renato (Unicamp), propuseram levar o CEBRAP para os seus campi respectivos, mas Giannotti resistiu”, relatou.

Luiz Felipe de Alencastro conclui com uma homenagem a Giannotti, nestes 50 anos de Cebrap: “Giannotti teve uma dedicação franciscana à identidade cebrapiana, no dia a dia da Vila Mariana, no Morumbi, em Brasilia, em Amsterdã e em New York. A ele minhas homenagens neste aniversario do meio século do CEBRAP”.

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