Notícia

Gazeta de Limeira

Os índios sempre têm razão

Publicado em 11 fevereiro 2019

Por José Renato Nalini

Tantos são os problemas que a humanidade enfrenta neste século 21 da era cristã que nem todos merecem a devida atenção. Menos ainda, tentativas de equacionamento.

Um dos fenômenos evidentes no Brasil, é a proliferação de Partidos Políticos, de seitas religiosas e de farmácias. Quem se aventura pela periferia encontrará sempre três coisas: um boteco, uma sede de confissão religiosa e uma farmácia.

Lucrativo negócio esse de vender remédio. Há quem diga que a descoberta da cura para várias enfermidades só não é divulgada pela força da indústria farmacêutica.

E não precisaria ser assim. Pois a medicina indígena, ou popular, tem indicações para muitos dos males mais comuns de que padecem os humanos.

Isso não é “achismo”. O insuspeito Hospital Albert Einstein teve oportunidade de comprovar tal realidade. Uma enfermeira que pesquisava a saúde da população indígena no Amazonas enfrentava uma LER – lesão por esforço repetitivo nos braços havia cinco anos. A medicina convencional não resolvia suas dores. Mas uma das mulheres da aldeia passou na região dolorida uma resina chamada “breu branco”, extraída de uma árvore e misturada com urucum. Três dias depois a dor desapareceu e o efeito se prolongo por quatro meses.

Foi o que a pesquisadora do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Alberto Einstein, ligado ao hospital, constatou. Os remédios das farmácias são usados por 86,7% dos indígenas, mas aliviam apenas 22,2% das dores dos índios. Enquanto isso, os analgésicos locais, usados por 80% da população nativa, são eficazes em 64,5% dos casos.

Os remédios do mato são 75,6%, ao lado de rituais, banhos, rezas, veneno de sapo, picadas de formiga, cantos e fumaça. Da experiência resultou uma dissertação de Mestrado custeada pela FAPESP. Não é de hoje que se prega a necessidade de estabelecer diálogo consistente entre a medicina convencional e a indígena. Não pelos índios, mas por nós brancos. Não valorizamos nossa biodiversidade, nem o conhecimento dos verdadeiros “donos da terra”. Incrível como até pessoas letradas, escolarizadas e eruditas, menoscabem os índios e resistam a que eles tenham essa ínfima reserva, quando nós – os brancos colonizadores – os matamos, os expulsamos, os menosprezamos.

Temos mais é que aprender com eles. A começar, pelo respeito à natureza. Quando os portugueses chegaram em 1500, isto era um Paraíso. Em quinhentos anos, estamos fazendo disto um Inferno. Alguém duvida?

 

 

 

 

 

 

 

 

Não pelos índios, mas por nós brancos. Não valorizamos nossa biodiversidade, nem o conhecimento dos verdadeiros “donos da terra”. Incrível como até pessoas letradas, escolarizadas e eruditas, menoscabem os índios e resistam a que eles tenham essa ínfima reserva, quando nós – os brancos colonizadores – os matamos, os expulsamos, os menosprezamos. Temos mais é que aprender com eles. A começar, pelo respeito à natureza. Quando os portugueses chegaram em 1500, isto era um Paraíso. Em quinhentos anos, estamos fazendo disto um Inferno. Alguém duvida? *José Renato Nalini é reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista