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Jornal GGN

Os estilos que definiram Carolina Maria de Jesus

Publicado em 27 dezembro 2015

"É possível fazer uma leitura da Carolina que retira ela do universo de carência e coloca ela num universo de riqueza cultural, de nobreza, dignidade e soberania".

Jornal GGN - Nesta entrevista para a Revista Fapesp, a historiadora Elena Pajaro Peres revela as principais influências da escritora e poetisa Carolina Maria de Jesus. Negra, nascida na cidade de Sacramento, em Minas Gerais, provavelmente em 1914, teve na infância contato diário com seu avô, ex-escravo de origem bantu que, segundo a historiadora, Carolina revela em seus escritos ter sido um homem de posição moral afro-cristâ muito severa.

Outro personagem que influênciou fortemente a jovem foi um oficial de justiça mulato, chamado Manoel Nogueira, que todas as tardes, em frente a farmácia de Sacramento, lia jornais para os negros que não sabiam ler.

O terceiro ponto que influenciou na construção da escritora foram dois anos de estudos no colégio Alan Kardac, de educação inovadora. Lá ela se alfabetizou.

"Tem uma passagem muito bonita que a gente pode ver nas memórias de Carolina, onde ela percebe que está lendo. Ela saí do colégio e começa a correr pela cidade lendo todas as tabuletas. E, quando chega em casa, é uma decepção, não tinha nada a ser lido, numa casa de cultura oral. E daí a vizinha emprestou para ela o primeiro românce que ela teve contato, que foi Escrava Isaura.

 

O românce causou grande impressão em Carolina, a tal ponto que a literatura conquistou-a definitivamente. A partir deste ponto Carolina começou a ler tudo que podia, desde Camões até os românticos brasileiros, os poetas eram sua preferência, mas também escritores franceses, renomados, e folhetins".