Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Os Estados da matéria

Publicado em 03 julho 2007

Acordar cedo nesses dias de frio não tem sido fácil, não é verdade? Mas, quem foi obrigado a despertar nas primeiras horas e passou pela entrada principal da USP (Universidade de São Paulo), na Avenida Trabalhador São-carlense, pôde constatar, ao menos um dia, uma mudança na paisagem do canteiro central — uma coloração esbranquiçada tomou conta da grama.

Uma fina camada de gelo foi depositada durante a madrugada e sobreviveu por algumas horas. Foi o vapor de água do ambiente que solidificou sobre a grama — similar ao que acontece no congelador da geladeira. Depois, com o passar das horas e com o aumento da temperatura, a grama ganhou o aspecto de umedecida e, finalmente, retomou a aparência normal de um dia quente.


Esta alteração

da paisagem é uma oportunidade para falarmos estado da dos estados formas de agregação — da matéria. A chamada matéria ordinária (comum) pode ser encontrada no estado sólido, líquido ou gasoso. Todas as substâncias, com o aumento ou diminuição da temperatura, podem ser transformadas de um estado a outro. Foi isso que aconteceu na paisagem da Avenida Trabalhador São-Carlense.

Um outro exemplo conhecido é a transformação do nitrogênio presente no ar atmosférico (por tanto no estado gasoso) em nitrogênio líquido, usado no pro cesso de conservação de sêmen. O nitrogênio permanece líquido a temperatura de cento e noventa e seis graus Celsius negativos ! Temos ainda o exemplo da naftalina, aquela adquirida no supermercado, que se transforma diretamente da forma agregada sólida ao estado gasoso.

E o que acontece se aquece- mos continuamente uma substância gasosa? Ela transformar-se-á num gás ionizado constituído de elétrons livres, íons e átomos neutros — o chamado plasma - que apresenta propriedades diferentes de um gás comum. Este novo gás é, por exemplo, condutor de eletricidade e com freqüência é re ferido como o quarto estado da matéria. Seguramente você já ouviu falar dele. O exemplo do mo mento é a TV de plasma.

O plasma pode existir num grande intervalo de temperatura e pressão e está presente no espaço inter-estelar, nas atmosferas das estrelas, como o Sol, e nas lâmpadas fluorescentes. Mas, e a TV?

A diferença fundamental da TV de plasma para as tradicionais está em como são ativados os pequenos pontos luminosos que formam a imagem na tela (os pixels). Na TV tradicional, um feixe de elétrons emitidos dentro de um grande tubo é responsável pela ativação dos pixels. Na TV de plasma, os pixels são minúsculas  lâmpadas fluorescentes. Como as micro-lâmpadas têm espessura equivalente a um fio de cabelo, o aparelho tem uma estrutura compacta. Entretanto, o princípio usado para formar a imagem é basicamente o mesmo nas duas TVs. Os pixels distribuídos em linhas horizontais, da esquerda para a direita, e de cima baixo, não são ativados todos de uma só vez. Cada quadro da tela leva pouco mais de um milésimo de segundo para ser completado, o que gera uma seqüência de surgimento dos quadros criando a ilusão de movimento.

Em síntese, temos quatro estados para a matéria — o sólido, o líquido, o gás e o plasma — cada um apresentando propriedades específicas.


* Professor associado do Instituto de Física de São Carlos, da USP, e coordenador de d são do Centro Multidisciplinar para o Desenvolvimento de Materiais Cerâmicos da FAPESP e- mail: m3noticias@ginail.