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Os diretores da Telefônica já experimentam a IPTV

Publicado em 01 maio 2007

Ainda não existe regulamentação para a transmissão de TV por meio do protocolo IP (IPTV), mas a Telefônica já se prepara para começar as vendas assim que a regulamentação sair. Ela já toca testes-piloto da IPTV em São Paulo, no bairro dos Jardins, incluindo as casas de alguns diretores da operadora. Uma das tarefas principais dos testes é esticar fibras ópticas até a casa dos usuários. Cerca de 4 mil já recebem o sinal em fibra óptica, e podem acessar a Internet com até 30 Mbps. Para um diretor da operadora, a Anatel precisa liberar o " IPTV broadcasting". Quando e se ocorrer a liberação da oferta do serviço pelas operadoras de telefonia, a Telefônica tem uma vantagem forte para dominar o mercado de TV por assinatura. Além da compra de participação na TVA, do Grupo Abril, a Telefónica de España já tem consolidado o serviço Imagem, um pacote triplo de serviços com TV paga, Internet e telefonia, por meio de um único cabo telefônico. O serviço permite a interação com o conteúdo de TV, e oferece conteúdo (música, filmes e programas de TV) sob demanda.

Os diretores da Telefônica em São Paulo já provam algumas dessas funções.

.. e fazem acordo a Fapesp sobre rede óptica de 40 Gbps

O Grupo Telefônica cedeu uma e de 3.300 quilômetros de fibras ópticas — avaliada em R$ 30 milhões — para uso exclusivo da rede Kyatera, que conecta instituições de pesquisa avançada no Estado de São Paulo. O convênio foi firmado em abril entre a Telefônica e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e prevê a cessão da rede de fibras por três anos, com cláusula de renovação. A capacidade de banda dessa rede será de cerca de 40 gigabits por segundo e poderá chegar a 1 terabits por segundo, caso a Fapesp instale os equipamentos de rede mais poderosos do mercado.

Os gerentes da Kyatera pretendem dar suporte a projetos científicos nos quais os aplicativos geram tráfego pesado, como a transmissão ao vivo de experiências com imagens de altíssima resolução. Para bancar os projetos, a Fapesp promete gastar R$ 4 milhões por ano com o financiamento de pesquisas e a Telefônica promete gastar R$ 1 30 mil por ano com bolsas de estudos. "Todo esse conjunto de pesquisadores ajudará a definir a Internet do futuro", diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp. "É um desafio muito grande e, nesse assunto, não devemos ser humildes."

A rede Kyatera é do tipo fiber-to-the-Iab, em que a fibra chega até o laboratório do pesquisador, e não apenas até a central da universidade. Antes do convênio, a Kyatera tinha 1.050 km de fibras ópticas e interligava São Paulo, Santos, Campinas, São José dos Campos, Bauru, São Carlos, Ribeirão Preto, Rio Claro e São José do Rio Preto, em São Paulo, além de Santa Rita do Sapucaí, em Minas Gerais. Por enquanto, ela atende 500 pesquisadores de 60 laboratórios, conta com um link de 1,2 Gbps entre São Paulo e Miami, financiado pela Fapesp e pela Fundação Americana de Ciência (NSF). A Telefônica instalará fibras para conectar os laboratórios à sua estrutura.

A Telefônica vai gerir a rede e também discutir cada projeto com os pesquisadores, para negociar o compartilhamento da propriedade intelectual dos produtos gerados pelos projetos. "Conforme o produto , explica Horacio Oscar Acerbi, diretor de planejamento e tecnologia regional da Telefônica em São Paulo, "teremos um acordo específico um pedido de reserva de licença por um período. " Na rede Kyatera, diz Horacio, as fibras ópticas são de uso exclusivo dos pesquisadores.

As propostas de pesquisa devem ter duas vertentes: acadêmica, com conteúdo exploratório avançado; ou aplicada, com a participação de empresas associadas. A chamada para in de projetos fica aberta, no site da Fapesp e da Kyatera, até 26 de junho.