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Inovação Tecnológica

Os cientistas e o uso das mídias sociais para comunicar ciência

Publicado em 20 fevereiro 2013

Fonte científica

Usar ferramentas como Twitter, Facebook, YouTube e outras mídias sociais para a divulgação de informações sobre pesquisas científicas.

Esta foi a proposta defendida pelos participantes de um painel sobre comunicação em ciência na reunião anual da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês) dos Estados Unidos.

O detalhe é que os defensores da proposta eram não apenas comunicadores ou jornalistas especializados em ciência, mas também cientistas profissionais.

Entre os dados apresentados está que a internet já é a maior fonte de informação científica para quem tem menos de 30 anos. As fontes on-line também já ocupam a segunda posição na busca por notícias para o público em geral nos Estados Unidos, perdendo apenas para a televisão.

"Se os cientistas não estão utilizando as mídias sociais, eles simplesmente não estão se comunicando com a maioria da população", disse uma das palestrantes, Christie Wilcox, do Departamento de Biologia Celular e Molecular da Universidade do Havaí.

"Mais de 680 mil atualizações de status por minuto são compartilhadas pelo Facebook. Em um segundo, o YouTube recebe uma nova hora de vídeo e o Twitter, 4 mil novos tweets. Você pode atingir milhares de pessoas com um único tweet, mas consegue falar com apenas um punhado de pessoas em um dia", disse.

Cientistas off-line

Até aí, nada de novo, mas o ponto principal é que os cientistas estão atrasados nessa tendência.

Apesar do elevado nível de escolaridade e familiaridade com o uso de computadores e de tecnologia, em grande parte dos casos, os pesquisadores estão utilizando menos as redes sociais do que a população geral, de acordo com Wilcox.

"Um levantamento com chefes de laboratório apontou que mais da metade não tinha contas em serviços de mídias sociais. Sem esse alcance, cientistas ficam limitados a quantas pessoas eles podem atingir. Se você está fora das mídias sociais, pode fazer muito barulho, mas poucos serão os que o ouvirão", disse.

"Quando um cientista escreve um livro a respeito de sua pesquisa, as pessoas que o comprarem serão pessoas interessadas em ciência. São importantes, mas compõem apenas uma pequena parte da população. Por isso, é fundamental atingir aqueles que ainda não se interessam por ciência", disse outra palestrante, que atende pela alcunha "Scicurious", com o qual assina um popular blog científico na revista Scientific American.

Com doutorado e pós-doutorado em neurociências, Scicurious salientou que as mídias sociais ajudam a tornar a ciência uma experiência mais próxima do público geral e podem dar aos pesquisadores uma possibilidade de mostrar "sua personalidade fora do laboratório".

"A maior parte dos cientistas pode não ter tempo de manter um blog, mas felizmente plataformas como o Facebook oferecem maneiras eficientes de compartilhar informações científicas. Com 67% dos internautas usando o Facebook, os pesquisadores têm ali uma forma de atingir uma rede de pessoas com a qual, de outra forma, não poderiam se comunicar", disse.

Conservadorismo

Otimismos à parte, a palestrante Dominique Brossard, professora de Comunicação na Universidade de Wisconsin em Madison, concordou com a importância das mídias sociais, mas sugeriu cautela na utilização dessas formas de comunicação para a transmissão de informações científicas.

Em um artigo publicado no Journal of Computer Mediated Communication, Brossard concluiu que o tom dos comentários em um blog ou em um post influencia a percepção dos leitores.

"O ponto principal é que a publicação em mídias sociais é uma comunicação bidirecional. Cada publicação pode vir acompanhada de comentários, que podem ser favoráveis ou contrários ao que se está informando", disse.

De acordo com Brossard, quando comentários sobre uma pesquisa mencionada em redes sociais são rudes ou depreciativos, os leitores se tornam mais propensos a adotar um ponto de vista negativo a respeito do estudo.

"Mas uma série de regras ou diretrizes de uso de mídias sociais, nesse caso, pode mitigar o problema e levar a melhorias na etiqueta on-line", disse.

Com informações da Agência Fapesp