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Blog Observatório de Redes Sociais

Os caminhos ambíguos de resolução para o ensino em tempos de pandemia.

Publicado em 28 outubro 2020

Por Guilherme Ferreira

Reajustar as práticas sociais em tempos de pandemia tornou-se um dos maiores desafios à sociedade, nas esferas políticas sociais, econômicas e educacionais. À medida que se intensificam as dificuldades, as propostas de resolução ou de amenizar impactos devem ser pensadas com mais agilidade; visto que, as consequências tendem a ser mais conflituosos, principalmente, quando estruturadas em cadeias de impacto econômico e educacional, sendo esses pilares de sustentação de um país, com consequências visíveis a curto e longo prazo.

Em uma entrevista com José Carlos Martins, consultor associado da HUMUS consultoria educacional, a Revista Direcional Escola afirma que: “O mundo como todos e todas nós conhecíamos mudou. Com a proliferação em escala mundial do novo coronavírus (Covid-19) todos os setores sociais passaram por remodelações urgentes para conter o avanço da pandemia”. (REVISTA DIRECIONAL ESCOLAS, 2020).

Das remodelações desses sistemas sociais pode-se se dizer que uma das mais importantes e complexas é o ensino à distância em escolas e universidades. Em algumas instituições essa prática de ensino EAD não caracteriza nenhuma novidade, porém, algumas outras instituições não creem que esse seria a melhor resolutiva, pois estas levam em consideração que uma parcela significativa de estudantes não possui meios e subsídios que amparem o acesso a determinadas tecnologias de ensino. Ou seja, essa situação coloca as propostas governamentais de solução em uma entrave sobre quais são os riscos a se assumir quando vê-se diante do uso benéfico de tecnologias para o ensino e se ignora a desigualdade alarmante que vivemos, principalmente, dentro das esferas públicas de ensino.

Referente a importância do ensino presencial em escolas e as relações que se dão em lugar educacional, o consultor educacional, João Carlos Martins, atenta sobre termos a clareza dos bônus e ônus que encontram-se entre o ensino presencial e o remoto: “Sabemos que as aulas on-line não substituem o ensino presencial completamente. O dia a dia escolar é mais do que simplesmente a transmissão de conteúdos. Todo o processo escolar envolve socialização, processos de interação, convívio social[...]”.

(REVISTA DIRECIONAL ESCOLAS, 2020).

Em tempos de pandemia dizer que a tecnologia não compreende uma ferramenta aliada às medidas resolutivas de urgência seria anular todos os processos de inovação, gestão e compartilhamento de conhecimentos que a sociedade já desenvolveu e segue desenvolvendo; como plataformas organizacionais e informacionais de busca de dados e pesquisa, e ambientes virtuais de produção e armazenamento de aulas e materiais de apoio. Com isso, num cenário pós pandêmico, a tecnologia como ferramenta de inovação do ensino deve estar atrelada às metodologias e não caracterizada como um método principal, pois além da discrepância socioeconômica e social que o país ainda enfrenta, as relações de interação humana que se dão em ambiente presencial de ensino são essenciais para o desenvolvimento intelectual e interpessoal do aluno e do professor.

Da situação que estamos vivenciando; de medias urgentes, isolamento social, instabilidade econômica, sobrecarga de profissionais da educação e da saúde e dentre outras consequentes, será possível trazer à tona reflexões sobre a capacidade do individuo em sociedade de se reinventar e descobrir outras práticas de desenvolvimento humano e social as quais não estávamos atentos e dispostos a visualizar. No caso do ensino remoto, será necessário que, após todas essas constantes, tanto o Estado quanto a sociedade vejam a necessidade de reestruturar o ensino presencial ao modo que consigamos estar mais conscientes socialmente e preparados para novas metodologias facilitadoras de acesso, qualitativamente inclusivas. Espera-se que, no decorrer e após a Covid-19, o Estado desenvolva ações de incentivo à inovação e a prática do ensino remoto como parte de um método para o melhor acesso ao ensino presencial; optando pelo desenvolvimento e a valorização de profissional educacionais e estrutura que visem o apoio e amparo pedagógico a esses profissionais e alunos.

"A opção ampla pela utilização da EaD (Educação a Distância), que vem sendo feito de forma improvisada e imediatista pelas políticas educacionais do governo Federal, de governos estaduais e municipais e por um grande número de instituições de ensino brasileiras, ameaça produzir uma precarização em todos os níveis do ensino e vai ampliar as desigualdades já acentuadas no sistema de ensino do país". (ADUNICAMP, 2020).

Em vídeo acima preparado pela equipe de pesquisa da FAPESP - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, vários profissionais se reuniram para que fosse possível um compilado de discussões sobre as dificuldades do ensino remoto para o contexto que vivemos e a necessidade de repensar essas práticas de ensino e compartilhamento do conhecimento através da inovação educacional, sem desvalorizar as relações importantes que são dão em sala de aula e em contexto educacional de formação, "evitar a todo custo digitalizar a sala de aula", nas palavras de um dos professores presentes do vídeo.

Referências:

https://direcionalescolas.com.br/ensino-a-distancia-em-tempos-de-pandemia/

https://www.youtube.com/watch?v=CiD-KSbSQnY

http://adunicamp.org.br/novosite/ensino-a-distancia-no-contexto-da-pandemia-ameaca-aprofundar-desigualdades/