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Os beginners, followers e o novo normal

Publicado em 21 julho 2020

De todos os modos, um ser microscópico está nos ensinando que não somos “pequenos deuses” que pretendem poder tudo; somos frágeis e limitados; que a cooperação e a solidariedade de todos com todos e não o individualismo, constituem os valores centrais do novo normal. Seguramente devemos aprender tudo o que devíamos ter aprendido e não aprendemos até agora.

Essa pandemia nos ensinou que o risco individual aumenta se não pensarmos no coletivo. Por isso, o “novo normal” deve fortalecer ainda mais a ação coletiva, as atividades cooperativas, ou seja, os grupos. A palavra que todos nós deveremos prestar atenção nos próximos tempos será JUNTOS, como disse numa Live recentemente Jorge Audy, ex-presidente da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), executivo que ajudou a construir e dirige o Tecnopuc, Parque Científico e Tecnológico da PUC-RS, um dos mais destacados ambientes de promoção da inovação e do empreendedorismo no Brasil.

Nessa Live, Audy reforçou a ideia de que daqui para frente tudo deverá acontecer de maneira cooperada entre empreendedores, universidades, empresas, instituições e organizações públicas. Destacou também que devemos mais do que nunca buscar essas pontes de conexões entre todos os atores que promovem a inovação para que possamos conquistar etapas que, até pouco tempo atrás, tivemos dificuldade em construir. Ou ainda pior, criamos muros e barreiras que agora terão que desaparecer. Ou seja, é preciso aprender tudo o que devíamos ter aprendido e não aprendemos até agora.

Nesse momento “covideiro” em que todos estão prognosticando os novos tempos, vamos pensar como os ambientes de promoção da inovação são importantes e essenciais para as empresas iniciantes. Essa reflexão é fundamental para entendermos a nova realidade que estamos enfrentando, a necessidade de nos posicionarmos como ambientes que criam pontes de conexão e que sedimentam caminhos para os empreendedores que estão conosco e àqueles que estão chegando, ávidos por desenvolver produtos e serviços baseados em inovação.

Sedimentar o caminho de um iniciante é essencial, como expliquei no artigo “Capital Intelectual + Design + NV”, baseado em minha dissertação de mestrado, há 10 anos, no qual discorri sobre o poder ou o espaço conquistado pelos empreendedores que David J. Teece chamou de beginners ou iniciantes. Para Teece, o empreendedor que desenvolve um produto inovador precisa se cercar de cuidados e ações que antecedem o lançamento do produto no mercado. Essas ações permitirão o sucesso comercial e financeiro daquele produto de maneira prolongada ou o suficiente para ele ganhar aquela dianteira necessária até o aparecimento dos followers ou imitadores, que em certos capítulos dessa novela também chamamos de piratas.

Quando falamos de piratas, levem em consideração que média e grandes empresas também chegam ao mercado, muitas vezes, copiando e até pirateando produtos vencedores. Cada um de vocês conhece exemplos assim, que chegam com força, por meio de estratégias comerciais, muitos recursos e share. Entretanto, para continuar liderando e mantendo posição sempre à frente de novos entrantes e concorrentes, a inovação deverá ser constante ou continuada.

Não podemos deixar de citar a fundamental importância, antes da alavancagem financeira via Venture Capital, principalmente em áreas de saúde e Hard Science, da Propriedade Intelectual/Patente, que era a condição única para esses passos. Mas será que o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) vem acompanhando o desenvolvimento com a rapidez do mercado e correspondendo com os prazos e avaliações para a concessão das patentes? Bom, isso será assunto para um próximo artigo.

Podemos citar como exemplo de empresa beginner e que, hoje, tem muitos followers, a Magnamed. A empresa nasceu há 15 anos na Incubadora USP/IPEN-Cietec, no combate a insuficiência respiratória e outros problemas respiratórios com o auxílio de equipamentos de ventilação pulmonar mecânica. O ventilador pulmonar de emergência, batizado de OxyMag, foi desenvolvido com apoio do Programa FAPESP Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), entre 2006 e 2012.

Recentemente, a empresa foi a responsável por fornecer os ventiladores pulmonares para o Ministério da Saúde para o tratamento de pacientes com covid-19 em estado grave.

De acordo com Tatsuo Suzuki, um dos fundadores da Magnamed, e atual CEO, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) vem exercendo seu papel sério de agilizar, sem facilitar, as certificações de ‘oportunistas’ e, por isso, não os teme. “Estamos inovando em inteligência artificial para facilitar a vida dos médicos e enfermeiros que operam os ventiladores, aprimorando a tecnologia para melhorar a operação de nossas máquinas, tornando-as mais inteligentes”, afirma.

A Magnamed é prova da necessidade de manter-se inovando sem parar, pois, quando o follower/pirata ou oportunista chega, a empresa líder já está bem à frente. Além disso, a empresa ressalta a importância do apoio à pesquisa para obter estimular pequenas empresas de base tecnológica a gerar retorno social.

Para finalizar a nossa reflexão do “novo normal” e o futuro das empresas, sejam elas beginners ou followers, concordo com a visão do amigo Jorge Audy na aposta da palavra JUNTOS. Prova disso, são os resultados dos últimos seis meses do Cietec, que tiveram a chegada de 17 novos negócios ou novos incubados, como denominamos. Este resultado nos permite concluir que os tempos de atuação do indivíduo sozinho praticamente acabou. Os projetos já chegam com dois, três ou mais fundadores e, acredito que que isso prevalecerá no “novo normal”.

Uma coisa é clara, se a humanidade quer ter um futuro reconhecível, não pode ser pelo prolongamento do passado ou do presente, ou do pensar isoladamente os problemas e soluções. Estamos na era da colaboração, há mercado para todo mundo e juntos seremos sempre mais fortes. Queremos competir e continuar a crescer, com inovações para salvar mais vidas e criar um mundo e futuro melhor para todos.

Sobre o autor

Sergio Risola é diretor-executivo do Cietec. Membro Titular do COMSAUDE (Comitê da Cadeia da Saúde) da FIESP e Membro Efetivo da MEI (Mobilização Empresarial pela Inovação) da CNI. Também é Professor Emérito da ESPM e Professor Docente da FIA. Possui MBA em Gestão de Habitats de Inovação pela FIA, Extensão em Administração de Empresas no Curso Avançado de Aprimoramento Empresarial pela USP e Especialização em Gestão Estratégica da Inovação Tecnológica.

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