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Os asteroides “invisíveis” que são uma ameaça à Terra (58 notícias)

Publicado em 16 de julho de 2025

Uma nova ameaça espacial acaba de ser revelada: asteroides que compartilham a órbita de Vênus e que, por sua posição no céu, escapam da detecção pelos telescópios atuais.

A descoberta, feita por uma pesquisa internacional liderada pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e publicada na prestigiada revista Astronomy & Astrophysics , aponta um risco real de colisão com a Terra em escalas de milhares de anos, com potencial para devastar grandes cidades.

Esses objetos, invisíveis à nossa tecnologia , são um alerta urgente para a defesa planetária . O estudo, que contou com o financiamento de agências brasileiras como CNPq e FAPESP, além de apoio internacional, detalha os riscos e os desafios na detecção.

Entenda a fundo os perigos revelados pela pesquisa.

O que é essa nova ameaça de asteroide identificada por pesquisadores da Unesp?

Trata-se de uma população de asteroides "invisíveis" , chamados "Asteroides Coorbitais de Vênus" . Eles compartilham a órbita de Vênus ao redor do Sol, o que os torna extremamente difíceis de detectar com os telescópios atuais.

Embora não possam ser vistos facilmente, simulações mostram suas órbitas instáveis . Em ciclos de cerca de 12 mil anos, esses asteroides podem passar perigosamente perto da Terra. Alguns, com até 300 metros de diâmetro , teriam o potencial de causar devastação em larga escala em caso de impacto.

Por que esses asteroides são tão difíceis de serem detectados pelos telescópios atuais?

A principal razão é que eles permanecem muito próximos do Sol na perspectiva da Terra, já que compartilham a órbita de Vênus. Nossos telescópios atuais têm um "viés observacional": eles são mais eficientes em detectar objetos mais excêntricos.

Asteroides excêntricos possuem órbitas mais alongadas, que os levam para regiões mais distantes do Sol, tornando-os mais visíveis. No entanto, a maior parte da população perigosa e ainda não vista tem baixa excentricidade . Isso significa que suas órbitas são mais circulares, mantendo-os "escondidos" perto do Sol. Mesmo observatórios avançados os veriam por pouquíssimos dias ou semanas , apenas em condições muito específicas de elevação e elongação solar.

Como a excentricidade da órbita desses asteroides influencia o risco de colisão com a Terra?

A excentricidade é um parâmetro que mede o quão "alongada" é a órbita de um asteroide. Quanto menor a excentricidade, mais circular e próxima ao Sol a órbita é.

Paradoxalmente, essa população "invisível" de baixa excentricidade é justamente a que representa a principal ameaça de colisão . Por estarem tão "escondidos" perto de Vênus, são difíceis de detectar. Suas órbitas instáveis podem, em ciclos de milhares de anos, levá-los a passagens extremamente próximas da Terra , com potencial para devastação em larga escala em caso de impacto.

Quais seriam os potenciais impactos se um desses asteroides atingisse a Terra?

Se um desses asteroides, com cerca de 300 metros de diâmetro , atingisse a Terra, os impactos seriam devastadores . Simulações indicam a formação de crateras de 3 a 4,5 quilômetros e a liberação de energia equivalente a centenas de megatons de TNT

Isso seria suficiente para destruir grandes cidades e causar devastação em larga escala se atingisse uma área populosa. Um evento desse tipo corresponde a um Nível 8 na Escala de Torino, capaz de provocar destruição localizada ou um tsunami, caso o impacto ocorra no mar.

É possível detectar esses asteroides com a tecnologia atual?

Não, a tecnologia atual não é suficiente para detectar toda a população desses asteroides. Mesmo observatórios avançados só conseguiriam avistar alguns em condições muito específicas, como janelas de visibilidade de uma a duas semanas

Esses objetos permanecem "escondidos" por meses ou anos devido à sua órbita próxima ao Sol e à baixa excentricidade. Isso os torna "efetivamente indetectáveis" pelos programas de observação regulares, evidenciando a necessidade de missões espaciais dedicadas para mapear essa ameaça oculta.

Quais alternativas estão sendo propostas para melhorar a detecção desses objetos?

Para melhorar a detecção desses asteroides "invisíveis" , a principal alternativa são telescópios espaciais voltados para regiões próximas ao Sol. Eles operariam a partir de órbitas próximas a Vênus.

Missões como a Neo Surveyor (Nasa) , que orbitará o ponto L1 Sol-Terra, e a proposta Crown (China) , uma constelação de telescópios em órbitas semelhantes à de Vênus, são cruciais. Elas poderiam oferecer uma cobertura mais abrangente e contínua , superando as limitações dos observatórios terrestres.

Qual é a origem desses asteroides coorbitais de Vênus e como eles chegaram a essa órbita?

Acredita-se que os asteroides coorbitais de Vênus se originaram no Cinturão Principal de Asteroides , localizado entre Marte e Júpiter. Eles chegaram à órbita de Vênus após complexas interações gravitacionais , principalmente com Júpiter e Saturno. Essas interações os desviaram gradualmente para órbitas mais internas.

Uma vez lá, foram temporariamente capturados em ressonância com Vênus . Esse estado, porém, é efêmero, durando, em média, cerca de 12 mil anos . Após esse período, podem se aproximar da Terra ou ser ejetados do Sistema Solar.

Por Gazeta do Povo com informações da Agência Fapesp