Notícia

Ciência na rua

Os aglomerados de neurônios e galáxias

Publicado em 17 maio 2021

Por Matheus Brito da Silva*

Somos uma espécie de primatas que vive em um pequeno planeta rochoso vagando pela imensidão do cosmos. A vida no planeta Terra é complexa e bela, e desde o início da civilização as pessoas anseiam por respostas para as perguntas mais fundamentais. Somos seres inteligentes, capazes de narrar nossa história através do tempo e do espaço.

Admiramos a engenhosidade, beleza e exuberância com que a natureza cria e transforma tudo ao nosso redor. É fascinante. Os Homo sapiens desenvolveram uma ferramenta poderosa, a ciência, com a qual somos capazes de manipular átomos e moléculas numa escala 1 bilhão de vezes menor que 1 metro para criar novos produtos que melhoram nossa qualidade de vida.

Construímos telescópios capazes de observar galáxias a milhões de anos-luz do planeta Terra em comprimentos de onda invisíveis aos olhos – o olho humano só consegue enxergar uma pequena faixa do espectro eletromagnético, o comprimento de onda visível, ou seja, apenas cores do arco-íris. Os equipamentos que usamos para entender a natureza são uma “extensão” dos sentidos humanos.

O cérebro humano é uma máquina biológica surpreendente. Segundo a revista Pesquisa Fapesp, “a contagem das células revelou que o cérebro humano tem, em média, 86 bilhões de neurônios.” Há aproximadamente 10 vezes mais neurônios em seu cérebro do que pessoas no planeta. Neste exato momento, enquanto você lê, o seu cérebro guarda as informações no hipocampo, região que é a sede das informações.

A nossa cabeça também é um vasto universo. O físico Marcelo Gleiser, em seu livro A Simples Beleza do Inesperado, retrata de forma brilhante como a ciência nos traz um senso de humildade. “A ciência nos ensina que somos criações cósmicas raras, aglomerados de poeira vinda de restos de estrelas, moléculas animadas pela faísca da vida, capazes de se perguntar sobre suas origens”, ele diz. A natureza tem a sua maneira de escrever poesia.

Nós podemos apreciar a beleza da natureza sem saber as ciências que a descrevem, a única virtude de que precisamos é a curiosidade. A atração que temos pelos mistérios do universo é uma forma de amor pelo conhecimento. Somos uma espécie de primatas capazes de conhecer a arena cósmica, onde estrelas colidem e buracos negros engolem galáxias. De novo, como diz Marcelo Gleiser, “a mágica da ciência está em tornar o desconhecido no conhecível, em nos aproximar da natureza e seus mistérios”. A vida é uma curta experiência triunfantemente bela.

*Matheus Brito da Silva é graduando em Licenciatura em Física (FCT-Unesp) e divulgador científico apaixonado pelos mistérios do universo. Escreve quinzenalmente para o Ciência na rua, sempre às segundas-feiras.