Notícia

O Diário (Mogi das Cruzes)

Orquídea: pesquisa ajuda produção

Publicado em 24 outubro 2003

Floricultores da região de Mogi das Cruzes estão apostando na engenharia genética como meio de conquistar a hegemonia na produção e venda de orquídeas no País. Há dois anos, uma pesquisa com a variedade chuva de ouro está sendo desenvolvida na Cidade. O objetivo do estudo, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), é possibilitar a colheita da planta, suscetível ao calor, também durante o verão e, com isso, garantir uma maior estabilidade ao setor. De acordo com o agrônomo Hiroshi Ikuta, 74 anos, responsável pelos trabalhos, cerca de R$ 200 mil já foram investidos no projeto, que está próximo de chegar a um resultado final. "Já conseguimos produzir um híbrido, através do cruzamento de variedades de orquídeas. Precisamos agora descobrir a técnica mais adequada de plantio", esclareceu. Ikuta explica que a espécie gerada em laboratório foi obtida com a transferência de material genético entre os três tipos de chuva de ouro hoje plantadas na região e outras cultivares que apresentam resistência ao calor. Com isso, ele pretende criar uma chuva de ouro capaz de produzir também durante a entressafra, que acontece entre os meses de janeiro e março. "Geralmente, as orquídeas não gostam de calor. Porém, eu acredito que na nossa região, como temos um clima mais ameno, conseguiremos colher a chuva de ouro durante todo o ano", avalia. Além da Fapesp, outra financiadora do projeto é a Aflord, associação que reúne os floricultores do Alto Tietê, criada em 1994. Na visão do agrônomo, o estudo irá possibilitar o surgimento de uma orquídea com a marca da região, que poderá conquistar uma importância ainda maior no mercado do setor. "O nosso desafio é esse: criar quatro cultivares de chuva de ouro, cada uma florescendo em uma estação do ano. Acho que estamos próximos de conseguir isso", avaliou. "Dessa forma, poderemos competir de melhor forma com Holambra (cidade do interior do Estado), que é um produtor muito forte. Também vamos promover uma maior estabilidade para os nossos produtores", completou. PERFIL A experiência de manipulação genética começou cedo na vida de Ikuta, agrônomo formado pela Escola Superior de Agronomia Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP). Durante 30 anos, ele foi o responsável pelo estudo que levou à criação, no final da década de 1960, da semente de couve-flor resistente ao calor, produto utilizado até o hoje nas lavouras de todo o País. "Não digo que a conquista é minha. Apenas copiei e aperfeiçoei para a couve-flor o que os japoneses já haviam feito com o repolho na época", comenta o modesto pesquisador. Ele também aponta diferenças entre o trabalho que desenvolve e os chamados transgênicos. "Não existe risco ambiental no que eu faço. porque estamos cruzando genes de uma mesma espécie". Na sua opinião, para que os alimentos geneticamente modificados sejam liberados para o consumo são necessários mais estudos.