Notícia

Concertino

Orquestra Arte Barroca | Concerts avec plusieurs instruments

Publicado em 29 outubro 2013

"Formada em 2007 por Paulo Henes, a Orquestra Arte Barroca tem como proposta interpretar o repertório camerístico e orquestral dos séculos XVII e XVIII. Com entusiasmo, estudo e idealismo, procura aperfeiçoar sua interpretação orientando-se pelo estudo de tratados de época do período Barroco, por meio de elementos estilísticos, históricos e biográficos. Busca também uma sonoridade diferenciada utilizando-se de cópias de instrumentos barrocos usados nas orquestras daquele período. Além de violinos e violas, usa outros instrumentos que compunham o baixo contínuo, tais como violoncelo, contrabaixo, guitarra barroca, teorba e cravo. Sua pesquisa de repertório em bibliotecas da Europa e em sites especializados procura trazer ao público obras de compositores menos conhecidos e de execução ainda inédita".

Formação

Paulo Henes – Spalla e Diretor Artístico

Solista Convidado: Cesar Villavicencio – flauta doce

Pedro Ribeiro – flauta doce

Renan Vitoriano, Beatriz Ribeiro, Marcelo Eduardo Borges, Otávio Colella e Veridiana Oliveira – violinos

William Coelho e Mauro Viana – violas

Pedro Beviláqua e Rafael Ramalhoso – violoncelos

Gilberto Chacur – contrabaixo

Fernando Cardoso – cravo

Cesar Villavicencio (solista) – flauta doce

Formado no Conservatório Real de Haia, Holanda, onde estudou com Ricardo Kanji, é pesquisador e intérprete da música dos séculos XVII, XVIII e também se dedica à música contemporânea e à improvisação livre. Possui doutorado em Música pela University of East Anglia, Inglaterra, e concluiu recentemente pós-doutorado no Departamento de Música da ECA/USP  (Fapesp). Atualmente é professor de flauta doce na Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em 2009 gravou junto de Ricardo Kanji um CD com duos de flauta doce. Participou de concertos e gravações integrando a Amsterdam Baroque Orchestra sob a direção de Ton Koopman e Les Arts Florissants conduzida por William Christie. Como pesquisador tem orientado projetos e apresentado trabalhos no Conservatório Real de Haia e em diversas universidades dos Estados Unidos e do Brasil.

Concerts avec plusieurs instruments

Poucas palavras tem a possibilidade de encerrar em si mesma definições tão díspares quanto na etimologia do termo Concerto. De acordo com a ideologia de cada época, este termo tomou esta ou aquela feição, tanto podendo significar "consenso", "concordância", quanto "disputa entre duas forças", e seu reflexo na prática musical pode ser observado de ambas as maneiras até nossos dias. Metaforicamente, podemos pensar que este gênero representa musicalmente a eterna busca do homem pela sua afirmação e colocação individual dentro do contexto coletivo, tornando-se assim um dos conceitos mais representativos do imaginário social até nossos dias.

Nesta série dedicada às diversas manifestações concertantes, é possível vislumbrar essas dicotomias a cada nota musical do programa. O apelo do indivíduo perante o mundo que o cerca é aqui anotado pelo Concerto para Flauta Contralto, de Antonio Vivaldi. Sabendo que praticamente a íntegra de seus concertos solistas foi destinado às meninas do orfanato della Pietá, este concerto representa algo como uma prova de valor, uma demonstração da capacidade deste ser perante a sociedade que o renegou.

Mais emblemático até do que este ente destacado em seu meio é o fato de mais de um ter alcançado tal sucesso, como no caso do Concerto para quatro violinos, de Georg Philipp Telemann. Este concerto extremamente original e habilmente trabalhado apresenta uma formação que aponta uma característica peculiar: a ausência de um baixo contínuo para suportar os arroubos solistas. São a pura manifestação individual desatada do concílio que a geriu.

Do outro lado desta disputa de egos está a coletividade, unificada e maciça, onde impera a concordância e a junção de forças. Este somante de indivíduos age como uma sobreposição de ideais, auxiliando-se e completando-se em prol da vontade comum. Esta manifestação é claramente o mote assinalado pelo Concerto Grosso Op. 6 Nº 12 do mais inglês dos alemães, Georg Friedrich Haendel. Por meio de um grande aproveitamento de material temático de outras composições e compositores – concordando com a ideia de que se algo é bom, deve estar ao alcance de todos -, aqui um pequeno grupo de solistas internos "lideram" as intenções musicais do todo, sem se preocupar com seus próprios anseios, e sim com o interesse geral, como o próprio seio democrático, tão idealizado na contemporaneidade.

Pondo fim a este dualismo encontra-se o Concerto de Brandenburgo nº 4, de Johann Sebastian Bach. Representando a amálgama desses valores e justificando o título do programa, este “concerto com muitos instrumentos” - segundo anotado no manuscrito original - consagra a virtuosidade individual conciliada com perfeição ao contexto coletivo, provando que estes não precisam ser auto-anuláveis e, ao contrário, rendem frutos muito mais doces quando entram em entendimento. Aqui, os instrumentos solistas complementam-se e dialogam eloquentemente com seus opostos. Em tempos de constantes conflitos ideológicos, cabe uma reflexão acerca da colocação das nossas atitudes perante a sociedade como um todo, ao próximo, e a nós mesmos.

As boas ideias são as que permanecem atuais, a despeito da época, do lugar, ou do momento que foram proferidas, e assim são os concertos presentes neste programa, autênticos representantes do pensamento humano atemporal.

Textos de: Ricardo Tanganelli.

PROGRAMA

GEORG FRIEDRICH HÄNDEL (1685 - 1759)

CONCERTO GROSSO em Si menor para cordas e basso continuo, Op. 6 No. 12 - HWV

330

I. Largo

II. Allegro

III. Aria. Larghetto e piano

IV. Largo

V. Allegro

ANTONIO VIVALDI (1678-1741)

CONCERTO em Dó menor para flauta doce contralto, cordas e basso continuo - RV 441

I. Allegro non molto

II. Largo

III. Allegro

GEORG PHILIPP TELEMANN (1681 – 1767)

CONCERTO para quatro violinos em Sol maior sem basso continuo, No. 1, TWV 40:201

I. Largo e staccato

II. Allegro

III. Adagio

IV. Vivace

JOHANN SEBASTIAN BACH (1685 - 1750)

CONCERTO DE BRANDENBURGO No. 4 em Sol maior para violino, duas flautas doces,

cordas e basso continuo - BWV 1049

I. Allegro

II. Andante

III. Presto

SERVIÇO

Data: 09/11/13, Sábado, às 20h

Série FAU em Concerto

Local: FAU Maranhão

Endereço: Rua Maranhão, 88, Higienópolis, São Paulo - SP

Telefone de contato: 3091 4801

Valor dos ingressos: Entrada franca

Estacionamento: Grátis (aproximadamente 40 vagas)

Lotação: aproximadamente 110 lugares

Duração : 50 min

Classificação indicativa livre