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Oropouche: identificado caminho da produção de anticorpos contra vírus que infecta sistema nervoso (142 notícias)

Publicado em 29 de junho de 2025

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Estudo internacional com participação de pesquisadores da USP e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) revela o caminho que leva os linfócitos B, células de defesa do corpo, a gerarem anticorpos contra o vírus Oropouche, que infectou mais de 25 mil pessoas no Brasil entre 2023 e 2025. Em testes com animais, os cientistas identificaram que a proteína MyD88 regula a transformação dos linfócitos B em produtores de anticorpos, que controlam a infecção e impedem que o vírus chegue ao sistema nervoso central.

A pesquisa também descobriu um grupo de células capazes de produzir anticorpos rapidamente quando acontece a infecção, evitando a ocorrência de morte por encefalite provocada pelo vírus. As descobertas do estudo são apresentadas em artigo publicado na revista científica eBioMedicine , do grupo Lancet, no Reino Unido.

O vírus Oropouche é transmitido pela picada de moscas que se alimentam de sangue (hematófagas), como Culicoides paraenses , conhecida como maruim, mosquitinho-pólvora ou mosquito-pólvora, e também pelos mosquitos vetores Aedes serratus e Culex quinquefasciatus

“Os sintomas da infecção são febre, dores musculares e articulares, sensibilidade anormal à luz (fotofobia), alta frequência em urinar (poliúria) e vermelhidão na pele, muito semelhantes à dengue e outras viroses transmitidas por moscas e mosquitos”, afirma ao Jornal da USP o professor Eduardo Lani Volpe da Silveira, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP, um dos autores do artigo.

“O vírus também pode levar à meningite, encefalite, aborto e até a morte em adultos”, acrescenta. “Normalmente, a ocorrência era majoritariamente na Amazônia, entretanto, nos períodos quentes de 2023 a 2025, mais de 25 mil casos ocorreram por quase todo Brasil, incluindo regiões nunca antes afetadas.”

Segundo o professor Silveira, já foi demonstrado que anticorpos são peças fundamentais na imunidade protetora contra inúmeros vírus transmitidos por artrópodes, como carrapatos e moscas (arbovírus). “Porém, quando e em que quantidade eram produzidos após o contato com o Oropouche, e o quanto poderiam ser efetivos numa eventual terapia, era algo totalmente desconhecido”, observa. “Anteriormente, um trabalho do professor José Luiz Proença-Módena, da Unicamp, também autor do artigo, mostrou que camundongos com deficiência de expressão da molécula IRF5 eram suscetíveis ao desafio experimental com o vírus, em relação aos resistentes camundongos selvagens.”

Sinalização

“A molécula faz parte de uma cascata de sinalização entre células relacionada ao adaptador MyD88, proteína que regula a expressão de Blimp-1, [outra] proteína que é o principal modulador da diferenciação de um linfócito B em produtor de anticorpos. [Por isto], era factível imaginar que essa via de sinalização poderia estar associada com a produção de anticorpos contra o vírus”, explica Silveira. “Neste estudo, vimos que camundongos deficientes de linfócitos B também eram suscetíveis ao vírus. Assim, decidimos explorar a influência do adaptador MyD88 apenas nos linfócitos B, por meio de cruzamentos de linhagens de camundongos para deletar MyD88 apenas das células B, e, depois, seguimos com o desafio experimental.”

A pesquisa constatou que os camundongos que não expressavam o adaptador MyD88 em seus respectivos linfócitos B eram suscetíveis ao desafio experimental com o vírus Oropouche. “Observamos que eles apresentavam menor quantidade de anticorpos específicos e menor avidez ao vírus que camundongos normais (selvagens) no teste Elisa, que faz sua quantificação, além de menores títulos de anticorpos neutralizantes ao vírus, medidos por teste de neutralização de redução de foco”, relata o professor. “Os camundongos suscetíveis à infecção viral apresentavam menor número de células secretoras de anticorpos no baço, como plasmablastos, e células B de zona marginal que podem se diferenciar em produtoras de anticorpos também, sendo essa avaliação realizada por teste de citometria de fluxo.”

“Foi verificado que, após o primeiro contato com o vírus Oropouche, ocorre a ativação de uma via de sinalização imunológica nos linfócitos B, regulada pela proteína MyD88, a qual é essencial para a diferenciação celular em secretoras de anticorpos e produção adequada de anticorpos neutralizantes contra esse patógeno. Com isso, essa via controla a infecção viral durante o curso da doença, e também é essencial para evitar a disseminação viral para o sistema nervoso central”, explica Eduardo Lani Volpe da Silveira.

O professor enfatiza que também foi identificada uma subpopulação de células produtoras de anticorpos derivada de linfócitos B da zona marginal do baço. “Ela consegue produzir anticorpos protetores rapidamente no início da infecção e de forma suficiente para evitar a morte por encefalite dos animais testados”, descreve. “Uma das descobertas mais importantes desse trabalho é que o tratamento baseado na infusão de amostras de soro de camundongos imunes ao Oropouche, com anticorpos neutralizantes, restringiu a replicação viral e evolução do quadro para doença grave, quando administrados nos primeiros dias após a infecção em animais suscetíveis ao vírus.”

O estudo envolveu 30 pesquisadores da Unicamp, USP, Centro Nacional de Pesquisa em Engenharia e Materiais (CNPEM), Universidade Federal de Roraima (UFRR), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz Amazônia), Cardiff University (Reino Unido), University of Kentucky e Washington University in St. Louis (Estados Unidos). A pesquisa teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Edital de Apoio a Projetos Integrados de Pesquisa em Áreas Estratégicas (PIPAE) da USP e Wellcome Trust Digital Technology Development Award (Reino Unido).

“É importante ressaltar que 100% da parte experimental deste trabalho foi realizada no Brasil. Na parte celular, nossa participação auxiliou diretamente na quantificação dos diferentes subtipos celulares em relação ao tempo de infecção viral, na seleção e isolamento das células B de zona marginal para transferência de animais imunes a animais suscetíveis e na avaliação da relevância delas na imunidade contra o patógeno”, diz Silveira. “Em relação aos anticorpos, ajudamos na quantificação dos diferentes tipos de anticorpos específicos contra o vírus, teste de avidez, e capacidade de neutralização em relação ao tempo de infecção viral.”