A OMS divulgou relatório em que destaca os notáveis avanços das pesquisas genéticas que 'podem salvar milhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento com doenças como a Aids, malária e tuberculose'
O documento 'Genoma humano e saúde mundial', elaborado por 14 especialistas, cita Brasil, China, Índia e Cuba como exceções à regra de que pesquisa genética só se faz em países ricos.
O relatório lembra que nos últimos anos, equipes de especialistas trabalham na busca do genoma humano completo, que teria de 28.000 a 40.000 genes ou segmentos de DNA portadores de informação requerida para cada função biológica em qualquer ser vivo'.
Acrescenta que os cientistas também mapearam os genomas e patógenos importantes, vetores de doenças e plantas. Entre os resultados alcançados até agora com as pesquisas genéticas, o relatório destaca 'um mosquito que não pode hospedar o parasita da malária, causador de muitas mortes nos países em desenvolvimento'.
Menciona também o desenvolvimento, na Índia, de uma vacina experimental contra o principal tipo de malária naquele país, criada por uma equipe do Centro de Pesquisa Genética de Nova Déli.
O estudo do genoma humano, segundo a OMS, está abrindo campo para outros estudos genéticos como os realizados no Brasil pela equipe do Instituto Ludwig em SP, que pesquisa o genoma do câncer. Os cientistas brasileiros foram pioneiros da decodificação do DNA da Xylela, uma praga que ataca os laranjais.
O documento destaca que o estudo do genoma humano permitiu obter dois novos tipos de vacinas contra a tuberculose, uma das quais já se encontra em fase de testes clínicos, e uma vacina contra a meningite B, pelo instituto J. Finlay de Cuba'. Isso, na opinião da equipe da OMS 'demonstra o potencial dos países em desenvolvimento na área da biotecnologia'.
O estudo sobre o genoma humano 'se for bem desenvolvido, pode mudar completamente os serviços de saúde', comenta a diretora-geral da OMS, Gro Brundtland, na introdução do relatório. Segundo o responsável da OMS, a pesquisa genética 'pode permitir, especialmente aos países mais pobres, pular etapas do desenvolvimento médico'.
O principal autor do relatório, o professor de medicina molecular da Universidade de Oxford David Weatherall afirma que o documento 'ilustra como a comunidade mundial poderia utilizar a genética para erradicar doenças como a malária, a tuberculose e a Aids'.
Ressalta que a pesquisa genética também permitirá enfrentar outras doenças como 'cardiopatias, diabetes e câncer' que 'paralisam os sistemas de saúde em todos os países'.
(Jornal do Brasil, 1/5)
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