Notícia

Jornal do Brasil

Orçamento para ciência pode dobrar

Publicado em 10 novembro 1995

O setor de Ciência e Tecnologia conta atualmente com 0,7% do PIB (produto interno bruto), mas esse percentual pode dobrar dentro de quatro anos. Essa foi a declaração do ministro de estado de Assuntos Estratégicos, Ronaldo Sardenberg, na abertura do Seminário Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, ontem, no Hotel Rio Atlântica. "Mesmo com esse aumento, a verba ainda será insuficiente para cobrir as necessidades do setor. Por isso, vamos tentar obter mais do que o dobro", disse Sardenberg. A alocação de recursos para a Ciência e a Tecnologia depende da aprovação do PPA (Planejamento Plurianual). O plano faz uma projeção de quanto será gasto em cada setor do governo. Mas, ao contrário do orçamento, que é mais rígido, o planejamento plurianual está sujeito a modificações constantes. "Os recursos dependem do comportamento da economia como um todo e, em última instância, das reformas econômicas", disse Sardenberg. No seminário, o presidente do Fórum de Secretários para Assuntos de Ciência e Tecnologia, Emerson Kapaz, enfatizou que a distribuição dos investimentos em ciência e tecnologia é fundamental para a descentralização do desenvolvimento. "Não é só o governo que deve se preocupar em investir mas também a iniciativa privada. O fórum se concentra no momento na descoberta de novos mecanismos para viabilizar investimentos de pequenas e médias empresas em ciência e tecnologia", revelou Kapaz. Segundo ele, a aplicação de capital estrangeiro no país também é bem-vindo. "Os investimentos estrangeiros são uma possibilidade interessantíssima. Hoje há, em termos mundiais, recursos a juros baixos disponíveis para ciência e tecnologia."