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Open Innovation Brasil, muito mais que eventos, um verdadeiro movimento em prol da inovação por todo País

Publicado em 27 julho 2018

Essa semana aconteceu, no inovaBra habitat, o encontro Open Innovation Brasil, evento que reúne executivos e profissionais de algumas das maiores corporações do País para discutir inovação aberta, colaboração e relacionamento entre grandes empresas e startups.

O encontro, que está na sua quinta edição, começou em um grupo de WhatsApp, criado por Alexandre Mosquim, consultor de arquitetura e soluções globais da Votorantim Cimentos em fevereiro de 2017.

Alexandre estava estudando como estruturar o programa de inovação aberta da Votorantim Cimentos e então participou de um evento que conecta startups com grandes empresas. A companhia ainda não tinha nenhum programa focado em startups, foi aí que ele percebeu que na realidade precisava se conectar com outras grandes empresas para conversar, trocar experiências e entender como funcionava o processo de cada uma delas.

“Existiam espaços que resolviam o problema de densidade das startups, pois em um ambiente compartilhado você gera uma evolução muito grande, mas não existia um ambiente completamente aberto onde as grandes empresas pudessem se conectar para obter essa troca. Sim, existem alguns fóruns para discutir sobre o assunto, mas são sempre grupos fechados e clubes que você precisa muitas vezes pagar para participar, nunca teve uma plataforma totalmente aberta”, destaca Alexandre.

Alexandre passou então a bater na porta das organizações para explicar a importância de ter algo aberto, onde todos pudessem participar, sem precisar de um convite para entrar e, como ninguém abriu as portas, ele mesmo criou essa estrutura junto com Alexandre Grenteski (Renault/Nissan), Bernardo Estefan (Oito – Oi Telefonia) e Daniel Lange (Bosch).

Como não havia nada parecido no mercado, o grupo cresceu exponencialmente e atingiu o número máximo de participantes permitido pelo WhatsApp, por isso hoje o grupo também está ativo no Slack.

Segundo Alexandre, a intenção do grupo é: propriedade intelectual zero, ou seja, todos são administradores, todos atores do ecossistema podem participar, não só grandes empresas, e a ideia é que todos compartilhem tudo, desde informações, experiências e até dores.

Pensando em aumentar ainda mais essa conexão, eles resolveram criar os encontros presenciais para que as pessoas se conhecessem pessoalmente e trocassem mais informações. O primeiro encontro do Open Innovation BR aconteceu em março de 2017, no Rio de Janeiro e contou com 23 participantes. “Foi incrível e, pelo fato do grupo ser menor, as conexões foram muito maiores, até hoje tentamos reproduzir o que aconteceu ali”, conta Alexandre.

E todos os eventos são feitos seguindo o padrão do grupo, 100% de forma colaborativa onde sempre uma empresa, independente do porte, é quem recebe o evento. O encontro gera muitos resultados e conexões para os participantes, que com certeza podem ser levados para a vida e também para as corporações onde trabalham.

Saiba mais detalhes sobre os encontros no vídeo abaixo:

https://youtu.be/tF3Q1FP-pl0

Inovação Aberta

É nítido o crescimento do movimentos das grandes empresas pensando cada vez mais em inovação aberta, que é uma forma mais distribuída, participativa e mais descentralizada de se fazer inovação. E o Open Innovation traz diversas vantagens para uma empresa além do desenvolvimento de novos produtos que vão desde redução de despesas até flexibilidade para implantar novos projetos.

Hoje também existem vários modelos para trabalhar inovação aberta como Hackathon, programas de aceleração e incubação de startups. Segundo Marcelo Nakagawa, Professor de Inovação e Empreendedorismo do Insper e Coordenador de Área de Pesquisa para Inovação da FAPESP, que também participou do evento, para a empresa identificar o melhor modelo para trabalhar é preciso desenvolver uma estratégia aliada ao que a empresa quer ser no futuro e principalmente entender qual a cultura da empresa.

“Se você tem uma cultura mais aberta, engajada e informal, você tem alguns modelos que funcionam melhor desse jeito, agora se você tem um modelo que é muito mais estruturado, engajado, hierarquizado, você tem condições de trabalhar com empresas que também tenham esse modelo e conseguem desenvolver inovação aberta, colaborativa mesmo tendo essa estrutura”.

Ele também destaca que as empresas cometem muitos erros ao trabalhar com inovação aberta e o primeiro deles é não definir o que é inovação. Segundo ele, as empresas precisam definir quais são seus indicadores, objetivos e metas. Outro erro é não criar uma cultura, não valorizar principalmente a prata da casa e muitas vezes trazer inovação de fora. O terceiro erro é não gerenciar a inovação de forma colaborativa e principalmente trabalhando com agentes externos integrados com os colaboradores.

No vídeo abaixo, Marcelo Nakagawa fala sobre o estágio da inovação aberta no mundo e os principais desafios para as empresas brasileiras desenvolverem Open Innovation.

https://youtu.be/kA5sVS_oggA

Durante o evento, aproveitamos para conversar com alguns representantes de empresa para entender como as companhias estão trabalhando com inovação aberta. Confira abaixo:

Braskem

Bruna Bueno, da área de transformação digital da Braskem, participou de um painel sobre cases de novos produtos e modelos de negócios e explicou que a inovação aberta na companhia é composta por três pilares: inovação, incubação e comercialização. “Utilizando o Sprint de Inovação buscamos descobrir como achar o verdadeiro pontos de dor que o mercados têm hoje e como podemos aprender com os modelos já operantes para colocar dentro da Braskem”, diz.

A companhia realiza análise de mercado, pesquisas survey e entrevistas com clientes e executivos para entender a melhor forma de criar disrupção. Assim, a Braskem realizou, em Nova York, uma espécie de “Shark Tank”, que mobilizou diversas áreas da companhia para desenvolver ideias. Destas, foram selecionados cerca de 20 conceitos para serem testados e apresentados para os executivos da companhia. Após a apresentação dos pitches, três ideias foram selecionadas. “mas outros projetos, mesmo não selecionados, foram avaliados por diversas áreas da companhia para serem implementados, também”, explica Bruna. “Inovar é procurar tecnologia para atender uma dor, e não o contrário. Nossos principais aprendizados foram: quebra de barreiras, enxergar a Braskem como um todo, levar os processos de inovação para fora das nossas paredes e o engajamento dos mais altos escalões para os processos que estão iniciando”, completa.

Bradesco

Em entrevista ao Startupi, Luca Cavalcanti, diretor executivo de Pesquisa, Inovação e Canais Digitais do Bradesco, falou que, para inovar, as companhias devem estar abertas a novas ideias. Para isso, é necessário ter um ambiente onde essas ideias entrem de forma estruturada com metodologia dentro da organização. “A inovação, por si só, não entra em uma organização grande. Existe metodologia, um processo que ajude, não só na atração das startups, mas também em como o empreendedor vai saber que aquela ideia que ele tem é boa para a empresa que busca ideação. Só aqui já tem um modelo que precisa ser construído de visibilidade para o mercado”, afirma

Para ele, entretanto, esse processo estruturado, onde a companhia pode criar um hub de comunicação ou abrir um desafio para o mercado e dar às startups em um ambiente adequado, não resolve o problema por si só. “Neste momento, aparecerão todos os tipos de startup em maturidade, em MVP e em POC que ela pode gerar.”

Luca acredita que esta é a hora de criar uma forma processual simples e não burocrática de identificar se a ideia de uma startup é boa, levá-la para dentro da companhia, dividi-la em partes e entender como cada uma destas partes funcionará, de fato, dentro da grande empresa. “Para isso a empresa precisa ter pessoas com visão empreendedora. Quem lida com inovação tem que ter energia própria, estar buscando constantemente oportunidades do mercado, criar conexões e estar abertos para elas, tem que ser seletivo e ao mesmo tempo inclusivo”, completa.

Conheça abaixo as iniciativas de Open Innovation do banco:

inovaBra ventures – Fundo de investimentos do Bradesco em startups, no modelo de corporate venture, com R$100 milhões de capital proprietário. Sua tese de investimentos é focada em plataformas digitais, blockchain, big data e inteligência artificial.

inovaBra startups – Programa de inovação aberta do Bradesco que dá a oportunidade para as startups trabalharem com clientes reais, testarem soluções na prática e crescerem com escala. Em quatro edições, já foram avaliados 3.123 projetos, com 30 pilotos realizados em diversos temas.

inovaBra internacional – Um laboratório de inovação em Nova Iorque para prospectar startups internacionais, descobrir novos modelos de negócios e acompanhar de perto as principais tendências tecnológicas e comportamentais pelo mundo.

inovaBra habitat – Um ambiente de coinovação de 22.000 m2 que é a tradução perfeita do ecossistema inovaBra. Aqui, empresas e startups selecionadas pelo banco trabalham lado a lado com fornecedores de tecnologia, consultorias, aceleradoras e fundos de investimento para gerar negócios por meio de networking e colaboração.

inovaBra lab – Um espaço de trabalho colaborativo feito para aumentar a capacidade de inovação do banco e acelerar o processo de homologação de novas soluções. Empresas de tecnologia parceiras do Bradesco contam com estrutura de laboratórios e arena de eventos para realizar demonstrações, sessões de ideação e prototipação.

inovaBra hub – A rede que conecta o inovaBra e o ecossistema de inovação brasileiro. Uma plataforma digital colaborativa de empreendedorismo e inovação que conecta empresas, startups, profissionais e agentes do ecossistema de empreendedorismo e inovação brasileiro, dando acesso a conteúdos exclusivos e desafios reais de negócios.

Luca Cavalcanti, do Bradesco, fala sobre o programa de inovação da companhia que aproxima o banco das startups e ajuda a fomentar o ecossistema:

Para Roger Serrati, Diretor de inovação aberta do Bradesco, as grandes empresas que querem entrar neste mercado devem entender que o relacionamento com o ecossistema é de longo prazo. “Não é possível ativar o ecossistema e fazer uma parceria com ele se você não se posicionar, se você não tiver um papel importante, se não participar dele. Toda grande empresa que queira ter um programa de inovação precisa começar estando presente e participando, gerando valor. E a consequência disso é obter valor”, afirma.

Ele diz que, no Bradesco, foi necessário preparar a companhia para começar a trabalhar com startups. “São mais de 30 departamentos que são impactados e que participam do programa InovaBra Startups. Eles precisaram se reinventar no que diz respeito ao relacionamento com empresas menores, empreendedores, startups que não tem faturamento mínimo”, diz.

Para dar continuidade no programa, o Bradesco criou o InovaBra Ventures. “Um dos ativos do programa de startups é essa capacidade de escalar a solução. Eventualmente, a gente pode ter uma startup que gerou uma parceria e que o modelo de negócio foi validado, faz sentido para o banco e que é estratégico para nós. Nesse momento, fazia sentido a gente poder ser um investidor estratégico desse banco. O Ventures foi criado para sequenciar uma estratégia que foi pensada inicialmente no InovaBra Startups que permite o banco ser sócio de uma companhia que fez um modelo de negócio que para o banco é estratégico”, explica.

Como o Bradesco vê a inovação aberta? Aqui, Roger responde:

https://youtu.be/M7kyZi4bE5E

Votorantim Cimentos

Mesmo sendo uma empresa de 85 anos, a Votorantim Cimentos tem se mostrado bastante inovadora. No vídeo abaixo, Humberto Shida, CIO Global da companhia fala como eles tem trabalhado com inovação aberta dentro da companhia.

https://youtu.be/rmsSCUXIFBg

Claudemir Silva, gerente geral de soluções de negócios e projetos de TI da Votorantim, também falou sobre as formas da empresa de atrair novas soluções e desenvolver inovação aberta. “Nosso foco é realizar serviços alinhados a estratégias dos nossos clientes. Transformação digital não pode vir como um ‘modismo’, ela tem que agregar alguma coisa positiva para todos envolvidos na cadeia”, explica.

Ele explica que a companhia se dedica a desenhar novos modelos de negócios, utilizando tecnologia para potencializar a capacidade humana de decisão. “Estamos sempre preocupados em ‘afiar o machado’ antes de colocar as ideias em prática. Tudo é bem pensado e planejado, para que saibamos para onde estamos indo. Uma ideia sem foco no objetivo não leva a lugar algum. As companhias têm que ter muita percepção para modelar adequadamente uma ideia antes de ela virar um projeto.”

Durante o evento a companhia realizou o lançamento do 2º Ciclo do programa de inovação aberta da Votorantim Cimentos. Os desafios desse ano têm foco na indústria do concreto e na transparência com o cliente.

Segundo Edmundo Correa Ramos, Gerente Geral de Operações da Votorantim Cimentos, “não existe no mercado uma solução com pequena margem de erro e com tempo de resposta até 30 dias após a aplicação do concreto que seja capaz de determinar todas as características de qualidade do concreto pronto, fresco ou endurecido. Também não existe uma tecnologia que meça com precisão o volume de concreto no momento em que ele chega na obra”.

Para Alexandre Mosquim, no atual mercado da construção, a ausência de uma tecnologia que comprove a qualidade do produto entregue na obra causa impacto no relacionamento entre indústrias e clientes.

Em 2017, o 1º Ciclo de Open Innovation da Votorantim Cimentos lançou sete desafios ligados aos conceitos da Indústria 4.0: Eficiência Energética, Automatização de mão de obra, Visibilidade de entrega, Realidade virtual + realidade aumentada, Gestão digital de territórios, Gestão de almoxarifado e Alternativa de paletização.

Ao todo, 107 startups se inscreveram e foram avaliadas por 93 profissionais de diversas áreas da companhia. Doze foram selecionadas e sete avançaram no processo com mentoria da Votorantim Cimentos, trabalhando em conjunto em busca de soluções personalizadas. A GeoInova foi a grande vencedora, com um projeto de gestão digital de territórios chamado VC Maps. Por meio de imagens de satélite de alta definição, aliadas a um sistema de inteligência artificial, a empresa pode monitorar e gerenciar suas instalações, suas reservas minerais e o meio ambiente.

Accenture

A Accenture, junto com a ABStartups, lançou uma radiografia que mapeia os polos de startups por todo o Brasil. Para Jimmy Lui, da área de inovação aberta da companhia, este estudo ajudou a descobrir quem são atores do ecossistema que estão do lado das startups em cada estágio delas. “Os players que ajudam em um estágio não são necessariamente os mesmos que ajudam no final. No estágio mais avançado, normalmente são as grandes empresas que estão ao lado dos empreendedores. E o ideal seria que fossem os mesmos players de ponta a ponta. No começo são universidades, Sebrae etc., e conforme avançam, isso vai mudando. Isso demonstra que, no Brasil, as grandes empresas têm predileção por trabalhar com startups mais maduras, porque querem aumentar a assertividade.”

A Accenture tem um espaço físico no Recife, que funciona como um hub para o desenvolvimento de soluções inovadoras. Para Jimmy, um local como este é importante porque “você consegue sedimentar o compromisso que você tem com o assunto, não fica só nas palavras dos executivos, isso demonstra um investimento. E ele (o escritório) tem um papel importantíssimo de captação de talentos. Para a gente estar lá, é importante ter recursos capacitados para atrair os talentos que saem das faculdades da região nordeste como um todo. Você consegue gerar movimento e um ponto de conexão geral”, explica.

Para que grandes companhias comecem a trabalhar com inovação aberta, o executivo acredita que há três pontos de atenção. O primeiro deles é a liderança. “A liderança tem que acreditar que esse é um tema importante. Isso é primordial. Você não precisa saber como, mas precisa entender que isso é esencial para o crescimento da sua empresa. Segundo: governança. Ter uma equipe ajuda muito. Um time que pense, desenhe, crie modelos e canais que possam ser porta de entrada para novos parceiros. Por último, incentivo. A cultura não vai mudar porque você está falando que vai, é preciso criar o incentivo para que isso aconteça”, finaliza.

Abaixo, Jimmy Lui fala sobre a confiança das grandes empresas em trabalhar com startups:

https://youtu.be/rqtsIMt07hM

Outro painel do evento falou sobre boas práticas jurídicas para inovação colaborativa contou com Bruna Bueno, da Braskem; Alexandre Uehara, da Fiap; Marcella Valsi, também da Braskem, e Danny Kabiljo, da startup FullFace.

A advogada Marcela explica que a companhia para qual trabalha está partindo de fast tracking para poder trabalhar com startups, uma vez que os processos das grandes empresas são burocráticos e demorados.

Ela explica ainda que algumas startups participantes do Braskem Labs, mesmo que não trabalhem diretamente com a companhia, são indicadas para contratação de clientes e parceiros da empresa, o que fomenta o ecossistema e promove uma rede de colaboração. Para isso, no entanto, é necessária a realização detalhada de due dilligence sobre os empreendedores, uma vez que muitas vezes as startups ainda estão em fase muito inicial.

Já Uehara, da Fiap, diz que, de início, para a instituição, levar startups para dentro dos processos era algo muito duvidoso, durante a criação do programa Startup One (curso de pós-graduação com foco na criação de startups). Até que entrou-se em um consenso de que, para a Fiap, faria mais sentido trabalhar com startups em uma fase mais madura. “Fazíamos uma espécie de funil com as startups interessadas em trabalhar conosco, conversávamos com as áreas de interesse e levávamos elas para realizar um pitch day, otimizando tempo e recursos”, explica.

Kabiljo, cofundador da startup, contou sobre sua experiência com a criação do check-in por reconhecimento facial para a Gol Linhas Aéreas. “Todo mundo quer inovar e, aos poucos, é importante flexibilizar os processos dentro da esteira nas companhias. O grande desafio da inovação, tanto para as grandes empresas quanto para as startups, é inovar a quatro mãos. Trabalhar com a Gol foi o momento certo, porque a empresa estava preparada, nos entendeu e foi flexível com o momento da startup”, explica.

O grupo Open Innovation já contribuiu muito para o trabalho que Alexandre desenvolve na Votorantim e para muitos outros profissionais e agentes do ecossistema que se juntaram para trocar experiências. Para esse quinto encontro, segundo Giselli Ribeiro, Content, Product & Community Manager inovaBra, “foram 24 dias de organização, 4 reuniões gerais, 20 reuniões paralelas, 2.900 mensagens trocadas, 4g2 empresas envolvidas para em um dia mostrar o melhor desse grupo: colaboração!”. Confira abaixo a programação dos próximos encontros e para se conectar com a gente!

13/08/18 – Brasília

16/08/18 – Gramado

01/09/18 – São Paulo

06/09/17 – Santa Rita do Sapucaí