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Gazeta de Alagoas online

Opções e riscos

Publicado em 18 dezembro 2007

Mais uma novidade mexe com o permanentemente agitado mundo das alternativas ecológicas: um novo tipo de plástico, feito a partir do etanol de cana-de-açúcar, é a bola da vez nas rodas de discussão técnica.

Segundo os especialistas no setor, é instigante o processo de pesquisa levado adiante pela Fundação de Amparo a Pesquisa de São Paulo (Fapesp). Segundo esse levantamento, os plásticos obtidos a partir do álcool podem ser reutilizados em processos de reciclagem, o que — se confirmado — abre nova frente de interesse nos derivados da cana-de-açúcar.

Segundo a Fapesp, essas pesquisas estão destacadas na linha de frente dos experimentos levados adiante por gigantes da química e da petroquímica, fabricantes de resinas plásticas a partir da nafta e outras substâncias extraídas do petróleo bruto.

Ainda segundo esses especialistas, a Braskem, "líder latino-americana em produção de resinas, investiu US$ 5 milhões em pesquisa e desenvolvimento para chegar a um polietileno certificado a partir de álcool da cana, chamado de 'polímero verde'. As pesquisas que resultaram no novo produto tiveram início em 2005, embora desde 1998 a empresa já avaliasse as propriedades de outros polímeros de matérias-primas renováveis existentes no mercado".

Como se pode ler, se descortina uma gigantesca gama de alternativas técnicas para a utilização do etanol da cana-de-açúcar. Mais uma vez, nesse nicho que tudo tem a ver com Alagoas, torna-se necessário avançar no acompanhamento das pesquisas sobre os potenciais do álcool (e demais frutos dos canaviais).

Necessidade imperiosa, pois além das inovadoras opções, o tradicional uso alimentar dos derivados da cana-de-açúcar corre o risco de ser varrido do mapa — o que poderá ser um desastre global num mundo marcado pelo espectro da fome.