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Online: 12ª edição do Dia de Campo de Amendoim aborda principais inovações

Publicado em 30 março 2021

A 12ª edição do Dia de Campo de Amendoim será realizada neste dia 31 de março de 2021 com o tema “Inovações Tecnológicas na Cultura do Amendoim.

Realizado pelo Instituto Agronômico (IAC) e pela APTA Regional de Pindorama, município que sedia o evento, esta edição será online em razão da pandemia da Covid-19. Neste novo modelo, em que será adotado um vídeo para demonstrações de campo, interessados de todas as regiões poderão participar desse encontro virtual promovido pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. Basta acessar o site https://feiranacionaldoamendoim.com.br/, a partir das 17h desta quarta-feira. O objetivo é transferir informações recentes sobre o amendoim, que está ganhando espaço entre as principais culturas produtoras de grãos no estado de São Paulo.

Ignácio J. Godoy, pesquisador do IAC, irá falar sobre melhoramento genético do amendoim visando alta resistência a doenças foliares. O manejo da cultura para redução do impacto da virose e dos danos causados pelo percevejo-preto será abordado por Marcos Michelotto, pesquisador da APTA Regional de Pindorama. O cultivo sustentável do amendoim no plantio direto sobre palhada da cultura anterior será tema da palestra de Denizart Bolonhezi, pesquisador do IAC. O público ainda terá acesso a outros dois temas: inovações nas máquinas de colheita, a recolhedora de amendoim após o arranquio e uso de drones em pulverizações para controle de pragas e doenças em amendoim.

O melhoramento genético de amendoim desenvolvido no IAC se destaca no Brasil pela qualidade e potencial produtivo. Com alta produtividade, acima de 6.000 quilos, por hectare, em casca, as cultivares IAC representam 70% da produção paulista de amendoim. O estado de São Paulo produz 800 mil toneladas do produto em casca, o que representa 90% do volume nacional. O Instituto desenvolve e disponibiliza ao setor de produção cultivares que reúnem qualidade do grão, alta concentração de ácido oleico, que proporciona maior longevidade de prateleira para produtos industrializados. Com esse perfil, os materiais IAC são muito importantes para a indústria de doces e de óleo comestível.

Em conjunto com a APTA Regional de Pindorama e outras Unidades regionais da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), o IAC conduz o melhoramento genético dessa oleaginosa e trabalha em estreita cooperação com o setor. O Instituto tem trabalhado no desenvolvimento de cultivares do tipo runner, rasteiros e com vagens de duas sementes de pele clara, os mais procurados pelo mercado interno e externo.

“As principais cultivares de amendoim em cultivo comercial são do IAC, em que se destacam a IAC 503, IAC 505, IAC OL3, IAC OL4, IAC OL5 e IAC Sempre Verde”, afirma Godoy. As cultivares IAC também atendem às cooperativas que fazem rotação de áreas de canaviais.

A cultivar OL5 tem alto teor de ácido oleico, que varia de 70% a 80%, característica que garante maior tempo de prateleira ao produto, sem perder o sabor. “Este índice é alto, comparado aos amendoins tradicionais, que têm cerca de 40% a 50% desse ácido”, diz o pesquisador do IAC. Essa característica tem grande relevância para o mercado, sobretudo porque 80% da produção de amendoim seguem para a indústria de confeitaria, que buscam materiais que proporcionem maior durabilidade dos produtos. Para o consumidor, há ainda uma vantagem nutricional: o ácido oleico contribui para reduzir a taxa de triglicérides e aumentar o bom colesterol.

A OL5 é uma boa opção aos produtores porque associa o ciclo mais curto com relativa tolerância a doenças e ao estresse hídrico. Ela apresenta adequação para um período de cultivo ao redor de 130 dias, ciclo desejável para adoção em áreas de renovação de canavial.

Cultivares IAC são recomendadas para diversos ambientes

Quatro cultivares de amendoim alto oleico desenvolvidas pelo Instituto Agronômico — a IAC OL 3, IAC OL 4, IAC 505 e IAC 503 — destacam-se pelo alto potencial produtivo e atendem aos diversos ambientes de cultivo e sistemas de produção. A IAC OL3 e a IAC OL4 se adequam às regiões onde são necessárias cultivares de ciclo mais curto. Isto ocorre nas áreas onde a oleaginosa é plantada nos intervalos de renovação da cana-de-açúcar. “Nesses locais, este período não deve exceder 130 dias para não atrapalhar o próximo plantio da cana. Essas cultivares IAC atingem a maturação entre 125 e 130 dias”, explica Godoy.

Com moderada resistência às doenças foliares e relativa tolerância à seca, a IAC 503 e a IAC 505 têm grande aceitação entre os produtores. “Ambas são de ciclo longo, superior a 130 dias, e são recomendadas para regiões onde a duração do ciclo não seja limitante para o seu cultivo, especialmente em áreas com maior propensão para estresse hídrico”, completa o pesquisador.

A cultivar IAC Sempre Verde, lançada em 2019, é a primeira com perfil para o mercado de produtos orgânicos por ter alta resistência a doenças foliares. “A produtividade da IAC Sempre Verde pode atingir 5.000 quilos, por hectare, sem o uso de fungicida”, explica Godoy. Apresenta grãos de pele vermelha, semelhante aos de antigas variedades do tipo Tatu, muito plantadas no passado.

As sementes de cultivares IAC são transferidas ao setor em parceria com empresas produtoras de sementes apoiadoras do Programa IAC de Amendoim. Além de novas cultivares, a pesquisa paulista também gera e transfere tecnologias relacionadas ao manejo das principais pragas e doenças da cultura, como o tripes-do-prateamento, a lagarta-do-pescoço-vermelho, o percevejo-preto e a mancha-preta.

Redução do impacto da virose e dos danos causados pelo percevejo preto

Ele ataca as vagens e vai sugar o grão maduro do amendoim. Para se alimentar, injeta toxinas e deixa lesão visível, que prejudica interna e visualmente o grão. É assim que age o percevejo-preto. Para conhecer a relação dessa praga de solo, um inseto que, em algumas fases, voa e se dispersa para outros locais, Marcos Michelotto, pesquisador da APTA Regional de Pindorama, desenvolve pesquisas desde 2017 com apoio de empresas e cooperativas. Ele explica que 70% da produção nacional são destinados à exportação e, boa parte do volume, sem a película. “O processo térmico de retirar a película acaba expondo esse dano do percevejo no grão, que fica manchado, com coloração inviável comercialmente”, esclarece. Esses grãos danificados são direcionados, então, para produção de óleo, destino que tem menor remuneração.

Segundo Michelotto, esse dano não é perceptível no campo. Assim o produtor não identifica o percevejo por não haver prejuízo na parte aérea da planta, que se desenvolve normalmente. “As empresas que beneficiam o grão são as que sentem o impacto desse dano”, diz.

Conforme levantamento feito pelo pesquisador, o percevejo-preto está presente praticamente em todas as áreas de amendoim, com maior ou menor intensidade. Antigamente, acreditava-se que ele estivesse associado a solos mais pobres nutricionalmente, mas estudos recentes mostram que ele está disseminado. “Uma característica complicada é que há anos em que sua incidência é maior e em outro ano, nem tanto. É muito associado à umidade do solo”, explica. Quando ocorrem chuvas regulares durante o desenvolvimento das plantas, a tendência é haver menor dano do percevejo. Em períodos de seca, principalmente no terço final do desenvolvimento da cultura, há uma intensificação da ocorrência, segundo Michelotto.

“Apesar de estar presente no solo em baixa quantidade no início do desenvolvimento da planta, ocorre um aumento significativo, principalmente de ninfas, no final do ciclo, a partir do 100° dia, principalmente quando há grãos maduros para alimentação”, descreve. O percevejo se multiplica bastante, pondo ovos que originam a ninfas, que também se alimentam das vagens e provocando danos.

De acordo com o pesquisador, existem poucos produtos para o manejo. “Há alguns para tratamento de semente que têm eficácia de controle; verificamos também que o uso de alguma fonte de enxofre, durante o ciclo da cultura, ajuda porque o enxofre atua como repelente”, complementa. O enxofre não controla, mas acaba repelindo o inseto e nos experimentos verificou-se que, de forma geral, ele reduz em até 25% os danos do percevejo. “Essa é outra ferramenta que pode ser utilizada. Temos focado principalmente em ação preventiva, que é o tratamento de semente e depois a aplicação de enxofre, com gesso ou algum produto a base de enxofre”, diz.

Virose ataca principalmente na região da Alta Paulista

Nos últimos anos, a incidência de virose passou a ser maior nas áreas de amendoim, principalmente na região da Alta Paulista, nos municípios de Marília e Tupã, onde se planta muito amendoim. Esse aumento na incidência levou Marcos Michelotto, pesquisador da APTA Regional de Pindorama, a buscar formas de controle. Nas últimas safras houve um aumento na incidência dessa doença, que tem prejudicado o desenvolvimento normal das lavouras. A virose é causada, em sua maioria, pelo Groundnut ringspot virus (GRSV) e sua transmissão ocorre pelo tripes. O vírus, segundo o pesquisador, não é transmitido por semente nem por outras pragas.

Este ano, Michelotto conseguiu recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) para confirmar a identidade das principais espécies de vírus que estão ocorrendo e também “queremos confirmar qual é a espécie vetora”, diz.

Outra linha de atuação da equipe envolve o melhoramento genético do amendoim, porque uma das principais formas de controle é adotar cultivar resistente. Os pesquisadores estão avaliando cultivares comerciais do IAC e também linhagens com o objetivo de diferenciar e identificar quais possuem maior tolerância. “Já identificamos que a IAC 503 e IAC OL 5 são menos infectadas pela virose do que a IAC OL3”, afirma. A análise de linhagens objetiva desenvolver novas cultivares com maior resistência a essa doença.

Michelotto está pesquisando também o uso de inseticidas, que podem auxiliar na redução do dano ocasionado pela virose por controlar o vetor. “Instalamos experimentos na região de Tupã e Planalto, onde a incidência da virose foi maior nos últimos anos, para tentar identificar alguns inseticidas que apresentem não só melhor controle dos tripes, mas também auxiliem na redução na virose”, relata. Esses experimentos estão sendo finalizados e em alguns meses haverá resultados que indiquem se algumas dessas ferramentas podem ajudar no manejo da doença.

Outra forma de amenizar o problema é o estande de plantas: é possível diminuir os prejuízos através da maior densidade de plantas. Em áreas com muitas falhas, é provável haver maior incidência da doença.

O plantio direto na palha também pode ser uma ferramenta para auxiliar no controle da virose. “Na safra passada, observamos que o plantio na palha reduziu a incidência da doença. Existem algumas hipóteses de que o inseto, ao visualizar a palha, enxerga um comprimento de onda que acaba o repelindo e, dessa forma, reduzindo sua transmissão”, explica. Outra possibilidade é que a palha estaria propiciando um microclima mais favorável aos inimigos naturais no controle das pupas desses tripes que, ao caírem no solo, seriam controladas por esses organismos. Com base em estudos, o pesquisador afirma que o uso da palhada da cultura anterior, a maior densidade de plantio e o uso de linha dupla no plantio podem auxiliar no manejo da virose.

Plantio direto na palha eleva a produtividade e reduz custos

A adoção de semeadura direta é a melhor estratégia para viabilizar a rotação de amendoim e cana, sem riscos de causar erosão no solo. De acordo com Denizart Bolonhezi, pesquisador do IAC, o plantio do amendoim na palhada da cana-de-açúcar proporciona maior produtividade, economia de 15% a 20% dos custos na produção, sobretudo com gastos com combustível para preparar a terra antes da semeadura, e benefícios ao ambiente. “Além desse benefício, a semeadura sobre a palhada de cana crua pode ser um seguro contra a seca, considerando que a palhada reduz expressivamente as perdas de água por evaporação”, explica.

Pesquisas do IAC demonstram que a palhada confere aumentos de 25% no conteúdo de água no solo, em períodos de veranicos. Segundo o pesquisador, quando isso acontece, a produtividade pode ser, em média, 10% superior em comparação com plantio sobre solo preparado. “Se a seca acontecer no período de pré-colheita, os níveis de aflatoxina podem prejudicar a comercialização e a exportação, fenômeno que pode ocorrer em menor incidência no plantio direto”, explica.

De acordo com Bolonhezi, 80% da produção de amendoim do estado de São Paulo são realizadas em áreas arrendadas de cana-de-açúcar. “Com essa estreita relação com o setor canavieiro, os produtores de amendoim precisam entender que, sem a queimada da cana, é necessário conviver com a palhada, assim conseguirão reduzir os custos, os riscos de erosão, aumentar a rentabilidade e assegurar competitividade com a soja nas áreas de reforma”, resume.

Para onde vai o produto?

São Paulo planta atualmente 200 mil hectares de amendoim. A produção é estimada em 800 mil toneladas do produto em casca e o valor bruto pago aos produtores bateu em R$ 3 bilhões, em 2020. Após o descascamento, são geradas em torno de 500 mil toneladas de grãos. O principal mercado é externo, que comercializa cerca de 200 mil toneladas, com um faturamento de mais de US$ 200 milhões. O segundo mercado é o da indústria brasileira de doces e confeitos. O terceiro mercado, também dirigido para exportação, é o de óleo comestível. “O óleo de amendoim é de alta qualidade culinária e é bastante valorizado no mercado externo”, comenta o pesquisador do IAC.

Assessoria de Comunicação

Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo

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