Notícia

Pequenas Empresas & Grandes Negócios online

Onde Está o DINHEIRO

Publicado em 01 julho 2000

Por Por Jane Soares e Katia Simões
ROTEIRO DO LUCRO A economia volta a crescer e com ela as oportunidades para investir. Nos ramos tradicionais ou na Internet, o mapa da mina tem muitos caminhos O mapa do tesouro existe e está pronto para ser descoberto por empresários interessados em investir. Com disposição para informar-se e fazendo as perguntas certas, todos podem descobrir onde estão hoje as melhores oportunidades para se ganhar dinheiro. E é inúmero, basto escolher. Na nova economia, cujos sobressaltos têm deixado investidores com o coração na boca? Nos segmentos tradicionais, solidamente ancorados por empreendimentos respeitáveis?Nas grandes capitais ou em pacatas cidades do interior? Acredite, com boa vontade e um empurrãozinho de especialistas, é possível desvendar o mapa e encontrar os melhores segmentos e locais para abrir unia pequena empresa. Entre os setores, a Internet é, sem sombra de dúvida, a grande estrela do momento e o e-commerce, o comércio eletrônico, sua face mais brilhante. Nenhuma tecnologia se expandiu com tanta rapidez na história da humanidade. O automóvel demorou 55 anos para ser usado por 25% da população norte-americana. Os microcomputadores levaram 16. A Internet fez o mesmo em apenas sete anos. A febre não ficou restrita ao território americano, onde 70,1 milhões de usuários estavam pingados há dois anos. Na Alemanha, eram 10,3 milhões. Números que prometem saltar para 154,6 milhões e 32,9 milhões, respectivamente, em 2002. Não á toa, as vendas mundiais por computador pularam de US$ 50 bilhões em 1998 para US$ 111 bilhões no ano passado. E as estimativas apontam para US$ 1.3 trilhão em 2003, segundo a Deloitte Consulting. O Brasil embarcou nessa onda e fechou 1999 com 3,3 milhões de internautas. A Fundação de Amparo à pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) já tem registrado 227 mil domínios, dos quais 233 mil pertencem a empresas. O e-commerce tupiniquim movimentou US$ 93 milhões em 199 US$ 211,2 milhões no ano passado e. apontam os especialistas da IDC Brasil, deve bater em US $ 2,7 bilhões em 2003. apenas no segmento de negócios dirigidos ao consumidor final. FOCO AFINADO O comércio entre empresas, o business-to-business, não fica atrás. Registrou R$ 60,5 milhões em 199, R$ 140 milhões no ano passado e promete chegar a R$ 1,9 bilhão em 2003. Nesse compasso, a Internet, que empresa hoje 60 mil pessoas, deve agregar mais um milhão de empregados nos próximos três anos, segundo pesquisa da Anderson Consulting. Mas será mesmo um bom negócio embarcar nessa onda? Todos os consultores apostam que sim, com ressalvas. "Sempre existirá espaço para os craques, porém há muito leigo se metendo na Internet, e estes não sobreviverão, sentencia Waldez Luiz Ludwig, da VL3 Aprendizagem. Para chegar ao sucesso, é preciso definir claramente o serviço a ser oferecido, o público a que ele se destina e adotar tecnologia de ponta esclarece Manuel Muller, da Mulher Associados". O difícil não é oferecer o produto ou serviço, mas garantir os bastidores da tela". ATRÁS DA TELA E é nos bastidores que os especialistas acreditam estar as grandes oportunidades para as pequenas empresas especializadas em transporte, armazenagem e entregas em microrregiões. Justamente onde os serviços do e-ecomerce falham em grande estilo. Isso sem falar em problemas de segurança nas transações. Mas ainda há espaço para empresas com capacidade para criar lojas virtuais, peças publicitárias e desenvolver conteúdo para sites. Os problemas existem. Mas já tem muito pequeno empresário ganhando uma nota preta, trabalhando para resolvê-los. O analista de sistemas Marco Zanini da Seil Engenharia e Informática é um deles. Ele e o irmão Ângelo, um engenheiro elétrico, começou a trabalhar com segurança para computadores e redes em 1983, quando criptografia era mero palavrão. Ainda há um enorme espaço a ser explorado nessa área, revela o empresário, lembrando que existem no Brasil 6 milhões de PCS e apenas 10% contam com algum tipo de proteção - antivírus, controle de acesso ou criptografia, sistema que codifica informações, "todavia, é preciso saber! oferecer soluções e assistência técnica para os clientes", alerta Zanini. Mas também nos segmentos tradicionais continuam existindo oportunidades para a pequena empresa. Além disso, não se pode esquecer de tendências que já se transformaram em realidade. A terceirização e uma delas. Embora não existam dados estatísticos, a realidade se impõe. Praticamente todos os setores da economia terceirizam atividades que não adicionam valor a seus produtos, num gigantesco esforço para reduzir custos e enfrentar a concorrência nesses tempos de globalização. AJUDA EXTERNAS As fabricas de brinquedos não fazem mais as roupas de suas bonecas, as confecções distribuem o trabalho de costura entre diversas oficinas, os bufes compram sal gados, doces e objetos de decoração de empresas informais. E todos eles contratam escritórios especializados para tocar os processos burocráticos de seus departamentos de pessoal. A terceirização envolve hoje uma infinidade de fabricantes e prestadores de serviços, a maioria de pequeno porte, num caminho sem volta, na opinião do consultor Manuel Müller. O futuro também já chegou para as áreas de saúde e cuidados pessoais. Há anos, especialistas alertam para a crescente preocupação das pessoas em rela cão ao corpo, que não deixou de lado nem emperdenitos machões, hoje assíduos freqüentadores de academias, salões de beleza e clínicas de cirurgia plástica, para alegria geral de quem presta serviços nessas áreas, ou fábrica produtos e equipamentos. O químico Luiz Eduardo de Queiroz e sua mulher. Silvia Helena Simões Salgueiro, abriram bem os ouvidos e há oito anos investiram na fabricação de cosméticos, perfumes e produtos terapêuticos, incorporando uma outra tendência, a da aromaterapia, na época muito valorizada na Europa e nos Estados Unidos. Acertaram em cheio. "Quem opta por atuar em setores tradicional, precisa investir na diferenciação, na mudança de enfoque" recomenda Ludwig. Da VL3 aprendizagem. Na comercialização, a Aromaterapia, reinando sozinha no segmento, optou pela venda direta, mais conhecida como porta a porta, que bate sucessivos recordes de vendas. Diferenciação também foi à tônica de José Roberto Pupo, da Canoar, especializada no turismo de aventura, que, ao lado dos segmentos ecológico, de negócios e rural, está entre os mais promissores dessa crescente indústria. Os números do setor registram franca expansão. O Brasil pulou do 43º para o 30º lugar no ranking da Organização Mundial do Turismo (OMT), quando passou a receber 4,8 milhões de turistas estrangeiros em 1998 contra os 1,8 milhão de 1994. A estimativa para o ano passado era de um novo crescimento, de 10% a 12%. Mesmo assim, o País ainda engatinha quando comparado a outros, como a França e a Espanha onde essa indústria e uma das mais importantes fontes de receita. Afinal, a ela estão ligados outros 52 segmentos econômicos - os mais vistosos são os hotéis, as agências de viagens, os meios de transporte e a organização de eventos. Todos são plenamente acessíveis a pequenos empreendedores, incluindo a hotelaria, embora ela exija investimentos mais elevados. A meta de chegar a 2OO3 recebendo 6,5 milhões de turistas estrangeiros e o crescimento do turismo interno - os desembarques de vôos nacionais praticamente dobrou de 1994 a 1998, passando de 13,8 milhões para 26,4 milhões - certamente abrirão novas frentes de atuação para empresas como a Canoar, fornecedores de hotéis e restaurantes e prestadores de serviços. UNIR ESFORÇOS José Pupo, da Canoar, não tem motivos para queixas. De julho de 1998 a agosto de 1999, 13,800 pessoas ocuparam lugar em seus botes. "Nos últimos dois anos o turismo de aventura cresceu quase 100% revela o empresário, que se prepara para estender sua atuação aos principais rios da Costa Rica, na América Central, até o fim do próximo ano". Aliar várias vertentes em crescimento num só negócio é a recomendação de Valter Beraldo, (da Faculdade de Economia e Administração (FEA), da Universidade de São Paulo (USP), para os pequenos. "Uma pousada com acomodações e programação para idosos, assim como pacotes especiais para essa faixa etária certamente terão um aumento de público". O Brasil já é o sexto país em número de idosos. São 13 milhões de pessoas ou 75% da população. Eles representam o grupo populacional que mais creste no mundo, e pelo menos os pertencentes às camadas de melhor poder aquisitivo, são consumidores disputados em todos os lugares). Investir na comodidade também é um tiro certo. Alimentos processados, congelados, serviços de entrega em domicílio, 24 horas e para a resolução de pequenos problemas domésticos, entre outros, vieram para ficar, na visão dos consultores. Embora não existam estatísticas confiáveis, a expansão é visível e acontece não só nas capitais, mas também em cidades do interior. Esses negócios têm a vantagem de não exigir grandes investimentos para começar. Djefferson Ramos sabe disso como ninguém. Ele é dono da Planet Pão, um misto de padaria, lanchonete e mercadinho instalado em Boa Viagem, uma das regiões mais nobres do Recife (PE). O diferencial é o funcionamento 24 horas. Nem Ramos esperava tanto sucesso. Pela Planet passam de 2.500 a 3 mil pessoas / dia, como comprovam os cupons fiscais. Depois de apenas um ano de funcionamento, o espaço já é pequeno e Ramos se prepara para abrir outra casa nos mesmos moldes. Também estão em alta os ramos de biotecnologia engenharia genética e química fina. Esses negócios não são inacessíveis aos pequenos empresários, como mostra Christian Marzani, sócio da Vitrogen, empresa nascida em uma incubadora no Rio de Janeiro Atualmente, ela produz mensalmente 60 mil mudas de bananas, 3 mil de morangos e 15 mil de plantas ornamentais. As mudas são produzidas por meio da cultura de tecidos, uma tecnologia exigida por boa parte dos bancos na hora de conceder empréstimos. "O mercado interno e muito promissor", confirma Marzani, que se prepara para desenvolver muda de árvores frutíferas. GEOGRAFIA DOS LUCROS Escolher um segmento para atuar, no entanto, não é suficiente. Para entrar no mundo das micro e pequenas empresas, que representam aproximadamente 54,3% dos negócios existentes no país e respondem por 43,6% dos empregos, segundo dados do Sebrae. o empresário precisa ter olho vivo para escolher o melhor lugar para realizar seu investimento. Para isso, pode contar com a ajuda de vários estudos, como o "Brasil em Foco, Índice Target de Potencial de Consumo (IPC)" disponível no Sebrae. Baseado em dados oficiais do IBGE e de instituições como a Fundação Getúlio Vargas, o índice considera os indicadores econômicos de cada região e mostra os locais potencialmente mais promissores, acompanhando as mudanças ocorridas a cada ano. Por ele é possível descobrir que as 27 capitais, incluindo Brasília, estão perdendo espaço. Em 1991, elas respondiam por 47,7% do potencial de consumo brasileiro. Agora, elas concentram 35,7% enquanto outras 5.480 cidades ficam com os 64,5% restantes. Entre elas 13 municípios com mais de 1 milhão de habitantes, que abrigam 20% da população, se responsabilizam por 32% do consumo nacional (confira quais os mais atraentes em cada região no quadro "Descubra o Brasil"). "Uma das grandes mudanças foi o deslocamento do eixo de potencial do consumo da região Sudeste para outros pólos, como o Nordeste, onde os governadores arregaçaram as mangas para atrair empresas", analisa Marcos Pazzini da Target. O empresário deve levar em conta, ainda, a renda per capita. Afinal, não é possível esquecer que as classes A e B as mais abastadas, tem uma renda por pessoa ano de US$ 7.500 e respondem por nada menos que 55% do consumo nacional - na classe E, responsável por 3,1% do consumo, o rendimento anual é de UU$ 719. E, como informação nunca é demais, não custa nada levantar os pólos de negócios existentes em cada região. Assim, é possível saber, por exemplo, que parte da indústria automobilística deslocou - se do ABC paulista para o Paraná: que Campinas e São José dos Campos, as duas no interior de São Paulo, pontos turísticos preferidos pelos estrangeiros: e que Porto Alegre (RS) é considerada a porta de entrada para o Mercosul. O resto é muito trabalho e muita competência. E uma boa dose de sorte, clara. Colaboraram: Sonia Graciano (PE) e Wagner de Oliveira (RJ)