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Onde começa o progresso

Publicado em 01 setembro 2005

São nos laboratórios de pesquisa que discretamente o futuro é delineado. Nestes locais de estudo surgem novos medicamentos substâncias, peças e produtos que vão revolucionar o mercado e beneficiar a sociedade. As universidades de todo o mundo são ambientes propícios para este trabalho por sua vocação difusora de informações.
Mogi, com suas duas universidades - Braz Cubas e Mogi das Cruzes -, também é um ativo pólo produtor de idéias. Nelas, são incontáveis as pesquisas, que abrangem as mais diversas áreas do conhecimento humano.
UBC no combate à obesidade
Controlar a vontade e saber o momento de parar de comer é um desafio para muitas pessoas, que acabam reforçando o time de gordinhos no País. Há anos o mundo investe em pesquisas para descobrir o mecanismo da obesidade, além dos indícios comprovados do sedentarismo e hábitos alimentares incorretos.
A Universidade Braz Cubas (UBC) está no time que se dedica aos estudos sobre o tema. Coordenados pelo professor Márcio Alberto Torsoni, quatro alunos das áreas de Ciências Biológicas e Farmácia da instituição investigam os mecanismos bioquímicos vinculados ao ganho de peso, bem como os problemas associados à doença.
O projeto é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que destinou R$ 180 mil a UBC para aquisição de equipamentos e materiais como balanças, microscópios e centrífugas - alguns importados da Europa e dos Estados Unidos.
As atenções dos pesquisadores es tão voltadas à quinase, uma espécie de enzima que, uma vez ativada, leva ao cérebro a informação de saciedade. Para Torsoni, a sensação de que se comeu o suficiente acontece no cérebro, no hipotálamo. No entanto, é possível que alguns indivíduos apresentem alterações bioquímicas que dificultam a perda de peso ou facilitam o ganho dos quilos perdidos logo após uma dieta hipocalórica.
"Pouco se sabe sobre os mecanismos que levam essa glândula a funcionar dessa forma. Por isso optamos por estudar a quinase. É ela que informa ao organismo quando a quantidade diária recomendada de calorias foi ingerida", ensina o coodernador.
Animais servem de cobaia aos estudos, já que é necessária uma cirurgia para se ter acesso ao hipotálamo. A intervenção é feita com a administração de drogas e inibidores da ação da enzima e de outros processos bioquímicos ligados ao controle do apetite: "Já percebemos, inclusive, que a inibição desta massa enzimática diminui a fome dos animais".
O objetivo é oferecer à indústria farmacêutica novas terapias no combate à obesidade, bem como ao tratamento de diabetes, hipertensão, entre outras enfermidades causadas ou agravadas pelo excesso de peso: "Se provarmos que a enzima é um alvo terapêutico, poderemos firmar parcerias com laboratórios para elaboração de novos medicamentos".
A pesquisa deve ser concluída em dois anos. Ao final, os resultados serão divulgados em periódicos científicos. Se descobrir uma solução para este problema universal, Mogi das Cruzes ficará conhecida no mundo inteiro.
UMC ajudando deficientes
A Universidade de Mogi das Cruzes (UMC) está à frente de projetos que têm por objetivo oferecer maior conforto aos que sofrem limitações por deficiências físicas e/ou mentais.
Em um deles, os orientadores Henrique Jesus Oliveira e Olavo Ribeiro Rodrigues prevêem a melhoria por meio do processamento de imagens e simulações computacionais no auxílio a diagnósticos.
O projeto, que é tese de doutora do em Engenharia Biomédica, é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e conta ainda com o envolvimento de três alunos do mestrado e três em nível de graduação.
Outra pesquisa também custeada pela Fapesp, bem como pela Faep (Fundo de Apoio ao Ensino e à Pesquisa), é o de Tecnologia Assistiva. Orientado por Annie France Slates, Jean Jacques Bonvent e Marco Antonio Fumagalli, os projetos visam à utilização da engenharia a favor do deficiente físico, com o desenvolvimento de equipamentos e produtos que identifiquem as deficiências e tornem possíveis várias atividades do dia-a-dia, nas áreas de lazer, educação e trabalho. Alguns aparelhos já se encontram em fase de testes e podem auxiliar os portadores de deficiência motora e visual, melhorando a qualidade de vida e o exercício da cidadania.
Annie e Márcia Aparecida Bissaco se empenham ainda no desenvolvimento de métodos computadorizados que possibilitem a alfabetização ou a correção das dificuldades de aprendizagem de deficientes físicos. O projeto é financiado pela CNPq. A verba garantiu a aquisição de parte dos equipamentos que está no Núcleo de Pesquisas Tecnológicas (NPT) da UMC, onde a pesquisa avança. Além dos orientadores, há a participação de seis alunos de doutorado, quatro de mestrado e dois em nível de graduação.
De acordo com a professora, to dos os trabalhos que têm como alvo os portadores de limitações motoras estão à disposição da comunidade:
"Principalmente no que se refere ao desenvolvimento de dispositivos que contribuam para uma melhor qualidade de vida profissional, de entretenimento e de educação".