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DCI

Onda tecnológica move laboratórios

Publicado em 05 março 2003

Por Fabiana Pio
A necessidade de desenvolver medicamentos mais eficientes tem levado laboratórios nacionais como Eurofarma e Biomm a investir milhões de reais e fazer parcerias com renomados centros de pesquisa do País para estudar as funções das proteínas, a chamada proteômica. Esses estudos representam a nova onda tecnológica, e são decorrentes da pesquisa do genoma, atualmente em grande evidência no mundo científico. Segundo pesquisa recente da IBM Business Consulting Services, os estudos baseados em biotecnologia permitirão à indústria farmacêutica triplicar seu valor de mercado até 2010, e obter crescimento anual de 9%. Caso não siga essa tendência, ela venha expandir apenas 5,3% ao ano terá seu valor depreciado. A Eurofarma e a USP de São Carlos, sua parceira, estão estudando uma molécula com atividade anti-inflamatória e anti-reumática capaz de inibir a ação da enzima cox-2, substância que atua no processo inflamatório. Para isso, está sendo investido inicialmente R$ 1 milhão. O objetivo é desenvolver um medicamento inédito no mercado e mais eficiente do que os atualmente disponíveis, segundo Heloísio Rodrigues, diretor médico do laboratório Eurofarma. Esse novo remédio será usado para o tratamento de pessoas com artrite reumatóide, doença que atinge 10% da população brasileira, cerca de 16 milhões de pessoas. E é responsável por movimentar cerca de R$ 150 milhões por ano no País. "Queremos desenvolver um medicamento que não cause efeitos colaterais, como irritação gástrica e sangramento gastrointestinal", diz o diretor médico da Eurofarma. "Se tudo caminhar bem nos próximos quatro ou cinco anos estaremos na etapa clínica", acrescenta Rodrigues. Há ainda uma outra pesquisa em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para desenvolver um remédio para o tratamento da doença de Mal de Alzheimer. "Essa doença está crescendo entre a população brasileira. Estamos estudando uma substância que atue na célula nervosa e permita reverter a ação degenerativa dos neurônios", diz Rodrigues. Já o laboratório Biomm mantém parceria com a USP de São Carlos para desenvolver um novo processo de produção industrial de proteínas recombinantes como, por exemplo, a insulina. A pesquisa iniciou há 10 meses e os valores investidos foram divulgados, segundo Luciano Vilela diretor de tecnologia do laboratório Biomm. Formada por 14 funcionários a Biomm e uma empresa que realiza pesquisas de fermentação e purificação de proteínas recombinantes, e presta serviço para diversos laboratórios do País. Existem no Brasil duas redes de pesquisa formadas por 26 laboratórios nacionais que estudam 200 proteínas para desenvolver remédios mais eficazes. O professor Rogério Meneghini coordena a Rede de Biologia Molecular Estrutural, formada por 16 laboratórios no Estado de São Paulo. Essa rede é financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e recebeu recursos de US$ 3,5 milhões para um período de quatro anos de pesquisa. Há também uma rede de 10 laboratórios fora do Estado de São Paulo.