Notícia

Horizonte Geográfico online

Onça-pintada corre sério risco de extinção na Mata Atlântica (1 notícias)

Publicado em 10 de janeiro de 2014

Por Clara Nobre de Camargo

Uma recente reunião de especialistas brasileiros em vida selvagem apontou que a Mata Atlântica poderá, em breve, ser o primeiro bioma tropical a perder o maior predador do topo de sua cadeia, a onça-pintada (Panthera onca) . Os pesquisadores estimam que menos de 250 onças se distribuam pelo bioma em oito populações isoladas e que, destas, apenas 50 estão produzindo decendentes.

A Mata Atlântica é um bioma com poucos corredores contínuos de vegetação e possui por volta de apenas 12% de sua área original. Mesmo muito fragmentada, uma porção de 24% da Mata Atlântica é grande o suficiente para suportar populações de onças-pintadas, entretanto, elas estão concentradas em apenas 7% da floresta.

De acordo com o artigo "Atlantic Rainforest´s Jaguar in Decline" publicado na revista norte-americana Science, onças são perseguidas devido ao impacto que geram em regiões de criação de gado e sua caça ultrapassa os limites mesmo em áreas de proteção ambiental. Ao mesmo tempo, elas são responsáveis pelo controle de populações de herbívoros como capivaras, veados e queixadas.

Segundo a pesquisa "Predadores de topo de cadeia alimentar" apoiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), do pesquisador Pedro Manoel Galetti Jr. (UFSCAR), com o desaparecimento do animal, a população de outros predadores menores como pumas, jaguatiricas e raposas aumentaria desmedidamente, e com isso, a longo prazo as presas que proporcionam o equilíbrio da vegetação, por exemplo, aves dispersoras de sementes, também deixariam de existir, afetando todo o sistema da floresta.