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OMS estima mais mil novos casos de microcefalia no Brasil

Publicado em 22 novembro 2016

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o zika está "aqui  para ficar" e que pelo menos mais de mil novos casos de microcefalia  ligados ao vírus deverão ser identificados no Brasil. Quatro dias depois  de anunciar o fim da emergência global, a entidade reuniu nesta  terça-feira, 22, governos de todo o mundo para explicar a medida e  garantir que a atenção sobre a nova doença será "reforçada".

Anthony  Costello, diretor de Saúde Infantil da OMS, explicou que atualmente  existem 2,1 mil casos confirmados de microcefalia. Mas outros 3 mil  estão em análise. "Desse total, poderemos esperar um número extra de mil  casos confirmados", disse. "A emergência mundial pode ter acabado. Mas  temos um enorme problema de saúde", comentou.

No total, a  OMS aponta que o número total pode superar 3,1 mil casos, antes mesmo de  o verão começar no País. A entidade também destaca que 80% dos casos  ainda não têm sintomas nas mulheres - o que pode levar o número total de  casos a ser ainda maior. De acordo com Costello, os novos casos por mês  somam de 220 a 450 desde meados do ano no Brasil.

Ele  confirmou que novos estudos coletados pela OMS alertam que quanto mais  cedo a contaminação de uma gestante pelo zika, maiores as chances de que  seus bebês desenvolvam problemas como surdez, má-formação e mesmo  microcefalia.

"Se a contaminação for no primeiro trimestre,  os riscos neurológicos são maiores", explicou Pete Salama, diretor  executivo da OMS. "Muitos nascem com cabeças normais, mas estamos  descobrindo que os problemas podem ser maiores."

Nesta terça-feira, reportagem do jornal O Estado de S. Paulo revelou que um estudo que acompanhou 57 gestantes paulistas infectadas  pelo zika reforçou a hipótese de que o vírus pode causar diversos danos  aos bebês além da microcefalia. E as anomalias podem acontecer  independentemente do trimestre de gravidez em que a mãe foi infectada.

Coordenada  por Mauricio Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de  São José do Rio Preto e integrante da Rede Zika (força-tarefa formada  por pesquisadores de São Paulo apoiados pela Fundação de Amparo à  Pesquisa do Estado de São Paulo, a Fapesp), a pesquisa monitorou 1.200  grávidas do interior, das quais 57 tiveram a confirmação de contaminação  pelo vírus zika, com casos de infecção em todos os trimestres da  gestação.

"Não sabemos se esse é um grupo selecionado",  disse Costello. "Mas precisamos mais estudos sistemáticos no Brasil e no  mundo para saber qual a dimensão dos problemas."

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Para  Salama, a OMS precisa de "vários anos" para responder a algumas  perguntas. Mas o problema é que o financiamento pode ser um desafio. A  entidade pediu US$ 112 milhões para bancar programas de combate ao zika  pelo mundo em 2017. A entidade, porém, recebeu apenas US$ 15 milhões por  enquanto. Apenas para a OMS, o buraco financeiro é de US$ 19 milhões.