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Jornal da Cidade (Bauru, SP) online

OMS envia nova cepa do H5N1 para pesquisa

Publicado em 17 setembro 2006

Por Agência FAPESP

Uma nova cepa do vírus H5N1, causador da gripe aviária, está chegando ao Brasil, depois que a primeira, enviada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) no início do ano, mostrou-se ineficaz na produção de uma vacina contra a doença.
O anúncio foi feito pelo secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa. Em março, o ministério divulgou que o país começaria a produzir, ainda no primeiro semestre, 20 mil doses da vacina, em uma unidade piloto do Instituto Butantan, em São Paulo.
"O problema é que a cepa cresceu pouco na cultura e apresentou baixa capacidade imunogênica, isto é, uma capacidade de proteção insuficiente", disse Barbosa à Agência FAPESP na sexta-feira (25/8), último dia do 11º Congresso Mundial de Saúde Pública, no Rio de Janeiro.
De acordo com o secretário, dessa vez, para expandir a capacidade de proteção ao vírus, serão usados adjuvantes no imunizante. Ele acredita que a produção piloto estará concluída até o fim do ano. No primeiro semestre de 2007, deverá ser inaugurada uma fábrica de vacinas contra o vírus. "Isso coloca o Brasil no circuito dos produtores de vacinas contra o H5N1. A OMS já conta com o Instituto Butantan como um dos produtores", destacou.
A idéia é que a unidade produza imunizantes não somente para a gripe aviária, mas também para a gripe sazonal. Com a instalação da nova fábrica, o Brasil passará a ser o primeiro país não desenvolvido a produzir vacinas contra tipos de vírus de influenza. Atualmente, o país tem que importar de 18 a 20 milhões de doses da vacina por ano, para serem aplicadas em indivíduos com mais de 60 anos. No mundo, apenas oito países produzem vacinas desse tipo.
"Com o uso de adjuvantes, poderemos ampliar a produção da vacina da gripe sazonal e atender também crianças com doenças respiratórias, como a asma", afirmou Barbosa. Segundo ele, a produção da nova fábrica trará benefícios à economia do país. "Queremos passar a exportar vacinas para países no hemisfério Norte", disse.
Em relação às previsões propagadas no primeiro semestre, de que a gripe aviária chegaria ao Brasil em setembro, o secretário ressaltou que o fato de ser um mês de chegada de aves migratórias não quer dizer que isso represente um perigo.
"Em setembro, começa a temporada de aves migratórias no Brasil, que vai até maio. Não podemos dizer que é impossível detectar uma ave migratória doente em nosso país. Mas é bom esclarecer que a chegada de uma ave com H5N1 não significa potencialmente um risco à saúde pública. A Europa Ocidental provou isso", disse.
Para o secretário, a solução é o controle. "Na Ásia, não foi possível fazer isso por razões econômicas. Temos que conter o mal enquanto ele ainda é uma doença veterinária. No Brasil, temos planos de monitoramento em todos os pontos de pouso das aves que vêm dos Estados Unidos, do Canadá e do pólo Sul, mesmo não tendo ocorrido nenhum caso da doença nessas regiões", disse.