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OMS aponta que pelo menos 120 estudos de vacinas estão em curso

Publicado em 28 maio 2020

Diante dos efeitos catastróficos provocados pelo novo coronavírus, diversos países iniciaram corrida contra o tempo para produzir uma vacina contra a covid-19. Segundo a base de dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até ontem (27), 120 pesquisas haviam sido mapeadas com o status de “em desenvolvimento.”

Pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) de Pernambuco e doutor em Virologia, Lindomar Pena considera que os esforços trarão resultados positivos em intervalo de tempo menor do que se a crise não tivesse caráter pandêmico.

“Normalmente, demora-se em média cinco anos para fazer uma vacina, mas, diante dessas circunstâncias, o tempo é encurtado para um ano ou um ano e meio. O especialista projeta que mais de uma vacina seja aprovada diante da alta quantidade de estudos.

Pena exemplifica a ação a partir da utilização de plataformas vacinais desenvolvidas anteriormente para doenças como ebola e vírus que causa estomatite vesicular, que estão sendo utilizadas para acelerar processo de pesquisa na vacina contra covid-19. O especialista indica que a vacina levará tempo para imunizar grande parte da população mundial.

Especialista em coronavírus e pesquisador do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (ICB/USP), Luiz Gustavo Góes pondera que, durante o processo de estudos, os riscos devem ser milimetricamente calculados para evitar mortes e estima a finalização da doença dentro do prazo de dois anos, casos todas as fases do processo sejam consideradas exitosas.

“Embora exista vacina para o tipo de coronavírus que aparece em aves, por exemplo, a diferença em termos genéticos é muito grande. Vacinas humanas requerem maiores cuidados nas fases clínicas”, compara. Góes elenca que a aprovação deve levar em consideração capacidade de reprodução da vacina em menor tempo; aplicação eficiente de recursos financeiros; segurança da população, levando em consideração efeitos colaterais; e maior tempo de proteção contra o vírus.

Estudos nos países

Na China, a fórmula desenvolvida pela empresa CanSino testou 108 voluntários na cidade de Wuhan, local dos primeiros registros da covid-19. Resultado publicado na revista médica britânica The Lancet na última semana indica que os primeiros testes de segurança e dosagem foram capazes de desenvolver anticorpos neutralizadores em 63 participantes.

Embora os números sejam promissores, 87% do voluntariado apresentou efeitos colaterais como dor ou vermelhidão. Os Estados Unidos anunciaram também resultados promissores. Empresa de biotecnologia, a Moderna informou que voluntários conseguiram produzir anticorpos capazes de ajudar na proteção contra a doença. Oito dos 45 participantes mostraram níveis de anticorpos similares aos de indivíduos recuperados

Em Israel está marcado para o próximo dia 1º de junho o início dos testes em humanos para uma vacina oral contra o vírus. No país, as pesquisas estão a cargo do grupo Migal. No Reino Unido, o governo irá investir mais R$ 1,5 bilhão em pesquisas na Universidade de Oxford e o Imperial College of London. Ambos têm vacinas candidatas em estágio de testes em seres humanos. A expectativa é de produção em massa para o segundo semestre de 2021.

Na Austrália, a Novavax iniciou a testagem em humanos. Testes clínicos devem avaliar total de 130 participantes saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos. Os resultados da iniciativa deverão ser finalizados no mês de julho.

Vinculado à USP, Incor está em fase de coleta de amostras

No Brasil, os estudos a fim de encontrar o caminho de descoberta da vacina contra o novo coronarívus iniciaram-se em março. O Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração da Universidade de São Paulo (Incor/USP) está realizando desde o período pesquisas de formulação vacinal.

Na atual fase dos estudos financiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), voluntários estão tendo o sangue coletado. Previsões oficiais indicam que a imunização deve ficar pronta antes do surto atual da pandemia no Brasil terminar. A organização não deu estimativa de data. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está também desenvolvendo pesquisas.

Brasil fora do grupo

Embora países tenham se movimentado para acelerar a busca pela vacina, o governo brasileiro decidiu isentar-se da formação de aliança mundial criada para dar resposta à pandemia. Países como França, Espanha, Japão e Israel responderam positivamente à medida.

Doutor em Virologia, Lindomar Pena considera que decisão pode trazer consequências negativas diante do fato de a criação da vacina ser oriunda do Exterior, como a demora para recebê-la. Pena defende a capacidade do Brasil em produzir vacina nacional, mas pondera que países com maior incentivo à pesquisa acabaram ganhando tempo.