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Jornal do Brasil

OMS aplaude pesquisa brasileira

Publicado em 01 maio 2002

GENEBRA - A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou relatório em que destaca os notáveis avanços das pesquisas genéticas que "podem salvar milhões de pessoas, principalmente nos países em desenvolvimento com doenças como a AIDS, malária e tuberculose". O documento "Genoma humano e saúde mundial" foi elaborado por 14 especialistas e cita Brasil, China, índia e Cuba como exceções à regra de que pesquisa genética só se faz em países ricos. "O relatório lembra que nos últimos anos, equipes de especialistas trabalham na busca do genoma humano completo, que teria de 28.000 a 40.000 genes ou segmentos de DNA portadores de informação requerida para cada função biológica em qualquer ser vivo". Acrescenta que os cientistas também mapearam os genomas e patógenos importantes, vetores de doenças e plantas. Entre os resultados alcançados até agora com as pesquisas genéticas, o relatório destaca "um mosquito que não pode hospedar o parasita da malária, causador de muitas mortes nos países em desenvolvimento". Menciona também o desenvolvimento, na índia, de uma vacina experimental contra o principal tipo de malária naquele país, criada por uma equipe do Centro de Pesquisa Genética de Nova Deli. O estudo do genoma humano, segundo a OMS, está abrindo campo para outros estudos genéticos como os realizados no Brasil pela equipe do Instituto Ludwig em São Paulo, que pesquisa o genoma do câncer. Os cientistas brasileiros foram pioneiros da decodificação do DNA da Xylela.uma praga que ataca os laranjais. O documento destaca que o estudo do genoma humano permitiu obter dois novos tipos de vacinas contra a tuberculose, uma das quais já se encontra em fase de testes clínicos, e uma vacina contra a meningite B, pelo instituto J. Finlay de Cuba". Isso, na opinião da equipe da OMS "demonstra o potencial dos países em desenvolvimento na área da biotecnologia". O estudo sobre o genoma humano "se for bem desenvolvido, pode mudar completa-mente os serviços de saúde", comenta a diretora-geral da OMS, Gro Brundtland, na introdução do relatório. Segundo o responsável da OMS, a pesquisa genética "pode permitir especialmente aos países mais pobres, pular etapas do desenvolvimento médico". O principal autor do relatório, o professor de medicina molecular da Universidade de Oxford David Weatherall afirma que o documento "ilustra como a comunidade mundial poderia utilizar a genética para erradicar doenças como a malária, a tuberculose e a AIDS". Ressalta que a pesquisa genética também permitirá enfrentar outras doenças como "cardiopatias, diabetes-e câncer" que "paralisam os sistemas de saúde em todos os países".