No fim de novembro de 2021, a Anvisa anunciou os primeiros casos de Ômicron no Brasil. Desde então, a variante vem reacendendo a alta quantidade de casos de covid-19. Para se ter uma noção, no último sábado (29/1), 207.316 novas infecções foram registradas. Mas o que os especialistas têm a dizer sobre esses dois meses diante da cepa, que já ganhou até uma sublinhagem?
Frente a uma estabilidade no número de casos e mortes, muito se especulou acerca da taxa de letalidade da variante — tanto que, neste mês, a própria OMS alertou que Ômicron não deve ser subestimada. Em entrevista à Agência Fapesp, profissionais da saúde associam essa condição à alta cobertura vacinal, mas alertam que, com o público não-vacinado, a cepa pode não ser tão leve.
Segundo o grupo de especialistas, a boa cobertura vacinal colabora para que seja formada essa impressão de que a Ômicron é mais leve. Nos locais em que a cobertura vacinal é mais baixa, o número de hospitalizados por covid-19 aumenta de forma significativa, sob o risco de atingir 100% de ocupação nas UTIs, como é o caso do Distrito Federal (onde, inclusive, 90% dos pacientes hospitalizados por conta da covid-19 não tomaram a vacina), e a média móvel de mortes passa por um crescimento expressivo.
Os médicos também lançam olhares sobre duas questões: a escassez de testes para diagnóstico e o apagão de dados no Ministério da Saúde, que têm tornado árdua a tarefa de avaliar a evolução da onda da Ômicron no Brasil, deixando a população perdida em relação à taxa de letalidade.
Ao longo desses dois meses, os especialistas repararam diferenças entre a primeira onda da pandemia e o cenário atual, como a perda de olfato e paladar, antes considerada um dos principais sintomas da covid-19. Agora, esse papel cabe à dor de garganta, o sintoma mais comum da Ômicron. Percebe-se também uma alta quantidade de pessoas com febre e tosse.
Já no que diz respeito a riscos, as gestantes e as puérperas seguem como as principais sujeitas à forma grave da covid-19: o número de internações por síndrome gripal nesse público passou de 147 em novembro para 1.643 em janeiro.
Fonte: Canaltech