Notícia

Jornal da Tarde

Olimpíada de Física: ainda é tempo de planejar

Publicado em 26 julho 2006

Por Maria Rehder, maria.rehder@grupoestado.com.br

As inscrições para a Olimpíada Brasileira de Física (OBF 2006) encerram-se na próxima segunda-feira (31/7). No entanto, para os educadores que temem pelo desempenho de seus alunos, ou nem sequer elaboraram um projeto de preparo para este torneio, especialistas em educação ouvidos pelo JT aconselham: ainda há tempo de planejar.
Segundo Yvonne Mascarenhas, professora do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (www.ifsc.usp.br), os professores não só devem incentivar a participação de seus alunos na Olimpíada, mas precisam criar métodos para atrair o interesse para a área de exatas. "Os educadores têm de entender que se os seus alunos tiverem um mau desempenho nas provas, o problema não está apenas relacionado à sua prática pedagógica", diz.
A péssima colocação do Brasil no Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), é citada por Yvonne como um exemplo que mostra a falta de qualidade na educação brasileira também em áreas como Língua Portuguesa, Matemática e Ciências. "O professor da rede pública tem de enfrentar o desafio de ter uma sala de aula lotada, com mais de 40 alunos, acumular horas de trabalho em escolas diferentes para ter um salário digno e em muitos casos não ter ao menos laboratório. Esses são fatores fundamentais para a qualidade."
Entretanto, para aqueles que desejam driblar estas dificuldades, Yvonne indica a busca de parcerias com universidades. "A academia tem muito a oferecer aos professores de Ensino Fundamental e Médio. Há docentes que podem ampliar o acesso dos professores aos conteúdos de sua área de atuação."
Já o professor Euclydes Marega Jr., coordenador da OBF 2006, ressalta que um bom planejamento de aula já faz diferença. "Ao explicar a Física por meio de experiências e fenômenos da vida prática, os alunos se divertem aprendendo", diz.

Os desafios da prática
Para Ana Paula Marques, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Sebastião de Oliveira Rocha, localizada em São Carlos, um bom projeto pedagógico é o que faz a diferença. "Um aluno acaba de voltar da Eslováquia, onde ganhou uma medalha no Torneio de Jovens Físicos e temos vários que ingressaram em universidades públicas."
A responsável por este sucesso, segundo Ana Paula, é uma parceria firmada com a USP há mais de 6 anos. "A professora Yvonne Mascarenhas nos procurou para a realização de um projeto de contra-turno para alunos de Ensino Médio que tivessem interesse em se dedicar ao aprendizado de exatas. Começamos como voluntários, depois conseguimos verba da FAPESP e hoje temos o apoio de empresas."
O projeto contempla a interdisciplinaridade com base em biologia, português, ma temática, física e química. "Os alunos se comprometem co m 12 horas a mais de estudos por semana. Em vez de reclamar, eles adoram, pois criamos atividades em laboratórios. Já a diretora da escola, Vera Fregolente, diz que a única dificuldade é a realidade socioeconômica dos cerca de 120 alunos do projeto. "Eles só nos deixam quando têm de arranjar emprego, ou não têm dinheiro para condução, pois muitos são da periferia."
Para os interessados em ter mais informações, eis o e-mail da escola: escolasor@yahoo.com.br