A imagem da árvore é forte. Ela é toda uma síntese da natureza: a semente contém o futuro, raízes significam a ligação direta entre o ser vivo e a terra, as folhas interagem com o ar que se respira, o tronco narra a história de uma vida. Não é por acaso que a destruição de árvores - o desmatamento - seja o elemento de maior impacto nas avaliações sobre a piora do clima.
No entanto, é preciso ter em conta que reduzir o desmatamento não significa impedir a degradação da floresta. Não é dever dez, pagar dez e fechar a conta. Segundo Ovidiu Csillik, especialista em sensoriamento remoto da Wake Forest University (EUA), autor de estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, a degradação ambiental por desmatamento responde por apenas 17% das emissões de carbono, enquanto 83% são causados por outras ações humanas e distúrbios naturais.
Aplicado a partir do escaneamento a laser aéreo da região, o estudo avalia com mais exatidão as alterações na floresta que o olhar superficial das imagens de satélite. Não absolve o desmatamento, mas chama a atenção para as ações de maior impacto. Em seu tempo, ao ser enviado à Amazônia, Euclides da Cunha observou: "Temos sido um elemento de antagonismo terrivelmente bárbaro da própria natureza que nos rodeia". Desmatando ou fazendo pior, o antagonismo continua mesmo com a festejada redução das derrubadas.