Notícia

Correio do Povo (Porto Alegre, RS)

Olhar para o futuro

Publicado em 11 agosto 2019

A partir da avaliação de uma série de exames de campo visual e da tomografia de coerência óptica, o algoritmo busca reduzir possíveis erros no diagnóstico de glaucoma, uma doença que pode provocar cegueira 11/08/2019 | 23:39

Uma pesquisa com base no uso de técnicas de Inteligência Artificial (IA) aponta novos algoritmos que auxiliam os oftalmologistas a garantirem maior precisão no diagnóstico e tratamento do glaucoma. “Trata-se de uma doença silenciosa, gerada por uma lesão do nervo óptico, em que é afetado o campo de visão da pessoa. Tem uma progressão lenta e pode provocar a cegueira”, destaca o professor doutor Edson Gomi, da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), que lidera o estudo, em parceria com o Laboratório de Glaucoma da Universidade de Campinas (Unicamp), a cargo do professor doutor Vital Costa e com apoio da Fapesp.

O levantamento foi desenvolvido há dez anos, por meio do método de ‘aprendizagem de máquina’, no qual o sistema é alimentado com dados fornecidos pelos exames de pacientes com suspeita da doença. “Após processar todas as informações, o algoritmo avalia se o paciente possui ou não glaucoma”, comenta Gomi, que é membro do The Institute of Electrical and Electronics Engineers (IEEE) e atual vice-presidente eleito da seção Sul Brasil do IEEE, maior organização profissional técnica do mundo dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade.

Gomi explica que o algoritmo procura reduzir possíveis erros nos diagnósticos de glaucoma a partir da avaliação dos exames de campo visual e de tomografia de coerência óptica. Ressaltou ainda que o uso do algoritmo permitirá processos de diagnóstico mais eficazes. “Quando o diagnóstico é precoce, as chances de cura são muito maiores”, relembra.

Em relação à abordagem do estudo, o pesquisador destaca os desafios dos trabalhos multidisciplinares. No entanto, na sua avaliação, esses formatos contribuem para trocas de experiências e aprendizados mútuos. “Quando duas áreas distintas se unem, é mais desafiador. No início, nossas falas eram muito distantes. Às vezes, é difícil compreender o que o outro lado está falando, mas hoje nos entendemos muito bem. O mundo é integrado. A engenharia não consegue resolver tudo sozinha. É preciso essa troca”, salienta, como uma grande conquista durante o estudo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados 2,4 milhões de novos casos de glaucoma anualmente. No Brasil, esse número chega a cerca de 40 mil pessoas e 33% dos pacientes que buscam tratamento para a doença estão em estágio avançado.

Essa notícia também repercutiu nos veículos:
Correio do Povo (Porto Alegre, RS) online