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Jornal da USP

Óleo de pequi previne câncer no fígado

Publicado em 14 março 2016

Por Antonio Carlos Quinto

O óleo de pequi é capaz de reduzir lesões pré-neoplásicas (que antecedem o câncer) em até 51%, como mostraram testes realizados com camundongos na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP. Os resultados desses experimentos estão descritos no artigo “Chemopreventive effects of pequi oil (Caryocar brasiliense Camb.) on preneoplastic lesions in a mouse model of hepatocarcinogenesis”, recentemente veiculado na revista European Journal of Cancer Prevention.

De acordo com o professor Francisco Javier Hernandez Blazquez, do Laboratório de Estereologia Estocástica e Anatomia Química da FMVZ, além das reduções, o óleo de pequi conseguiu promover a regressão das lesões até a aparência de um fígado normal. Os testes foram realizados em animais, nos quais o processo canceroso foi induzido. Os camundongos, que foram tratados com o óleo de pequi por via oral, apresentaram menos lesões, sendo que muitas estavam em processo de reversão, conta Hernandez Blazquez. A pesquisa teve apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

Ele descreve que os resultados vêm comprovar os efeitos benéficos desse fruto nativo do cerrado brasileiro. O extrato do óleo do pequi possui propriedades anti-inflamatória, antioxidante e anticâncer, entre outras. “O que nos levou a investigar os efeitos do óleo no tratamento do câncer de fígado foram os resultados obtidos em estudos realizados pelo professor César Grisólia, da Universidade de Brasília”, conta Hernandez Blazquez. “Em seus estudos, foram comprovadas reduções de lesões em tecidos de atletas, causadas por estresse oxidativo, entre os que consumiram esse óleo rico em carotenoides”, descreve o cientista, ressaltando que o óleo de pequi já pode ser encontrado em cápsulas.

Vias metabólicas – Mesmo com a comprovação dos efeitos positivos do óleo, os cientistas agora empreenderão estudos no sentido de conhecer as vias metabólicas pelas quais o óleo atua. “Tais resultados poderão nos permitir investigar os efeitos do óleo no câncer já estabelecido”, antecipa Simone Morais Palmeira, doutoranda do laboratório e que também assina o artigo recém-publicado.

Os estudos com o óleo de pequi acontecem desde 2012, quando a pesquisadora investigou tais efeitos em seu mestrado na FMVZ e utilizou a estereologia para avaliar o tamanho das lesões pré-cancerosas.

A estereologia é uma ciência que possibilita medir lesões teciduais por meio de cálculos estatísticos e matemáticos espaciais, levando em conta altura, largura e profundidade (3D), além da quarta dimensão, o tempo (4D). A vantagem em relação à morfometria (análise em duas dimensões – altura e largura) é a grande acurácia e o fato de estimar o número e o volume total das lesões (entre outros). Já a morfometria mede apenas os contornos (perfis) das partículas analisadas.

Fruto é nativo do cerrado

O pequi, nativo do cerrado, é bastante consumido em Estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Trata-se de um fruto rico, que contém proteínas, fibras alimentares, vitaminas, minerais e substâncias não nutritivas, como os carotenoides, que são conhecidos como antioxidantes. “O pequi tem fontes de vitaminas A e C, além das gorduras com efeito antioxidante. Todas essas substâncias, agindo em conjunto, potencializam o efeito do óleo”, descreve a doutoranda Simone Morais Palmeira.

Agência USP de Notícias