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Jornal de Londrina online

Oferta de pós cresce no PR, mas qualidade não avança

Publicado em 05 setembro 2012

Por Fernanda Trisotto

A oferta de programas de pós-graduação no Paraná e o investimento nesta área vêm crescendo nos últimos anos, mas a qualidade dos cursos está estacionada em um nível mediano. Em dois anos, 63 novos programas foram criados nas redes pública e particular e a verba destinada para a área pela Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Paraná triplicou.

Apesar dos esforços, nenhum programa de mestrado e doutorado no estado atingiu a nota máxima na avaliação da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que vai de 1 a 7. Por outro lado, 77,5% dos cursos receberam conceitos 4 e 5, que são considerados bons, mas não excelentes.

Para especialistas, o Paraná sofreu um período de estagnação na área e demorou para reagir, o que explica os resultados médios na área. Para o diretor da Fundação Araucária, Paulo Roberto Brofman, apesar dos novos programas, o Paraná não apresenta indicadores tão bons quanto o de outros estados de tamanho equivalente, como Rio Grande do Sul e Santa Catarina, quando se avalia o número de cursos e bolsas de auxílio para pesquisadores.

De acordo com ele, o isolamento do estado – que por muitos anos não se relacionou com as principais agências de fomento à pesquisa, responsáveis por impulsionar boa parte da produção acadêmica do país – é um dos fatores responsáveis pela baixa evolução da qualidade. Brofman conta que, por meio de uma parceria com a Capes, a Fundação Araucária conseguiu triplicar seu orçamento, passando de uma verba anual de cerca de R$ 24 milhões em 2011 para R$ 76 milhões neste ano.

A Constituição estadual determina que 2% das receitas de impostos sejam destinadas à área de ciência e tecnologia, mas apenas 0,3% do total de recursos do estado é repassado para a Fundação Araucária. “O Paraná tem um potencial enorme, só não tinha o dinheiro para investir. Ainda estamos muito longe do ideal, mas esperamos, com apoio do governo do estado, melhorar”, diz.

Novos cursos

O número de cursos de mestrado e doutorado saltou de 182 em 2010 para 245 neste ano. A criação de cursos explica, em parte, a ausência de programas de excelência: em todo o estado, apenas três cursos de mestrado e doutorado receberam nota 6 – dois da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e um da Universidade Federal do Pa­raná (UFPR).

O pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Uni­versidade Tecnológica Fede­ral do Paraná (UTFPR), Luiz Nacamura Júnior, lembra que os cursos iniciantes geralmente recebem conceito 3 da Capes e a evolução das notas é lenta. “São poucos casos em que os cursos elevam o conceito já na primeira avaliação trienal da Capes. Para se atingir o conceito máximo, um programa pode demorar até 15 anos”, pondera. No caso da UTFPR, até o ano 2000 havia três cursos de mestrado e um de doutorado. Atualmente, a instituição conta com 22 programas, e a maior parte foi criada a partir de 2009.

Na UFPR, a avaliação do pró-reitor de pesquisa e pós-graduação, Sérgio Scheer, é de que pelo menos um terço dos cursos de pós que foram avaliados com conceito 5 tem condições de elevar a nota. Por outro lado, ele admite que o caminho é difícil e lembra que a universidade já teve um programa rebaixado: o programa de mestrado/doutorado em Bioquímica, que passou de conceito 6 para 5.

(Des)incentivo

Valor da remuneração dos pesquisadores é considerado baixo

As bolsas concedidas pelos órgãos de fomento à pesquisa ainda têm valores considerados baixos por especialistas. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, oferece 16 modalidades de remuneração para pesquisadores, que variam entre R$ 360 e R$ 14 mil.

Um pesquisador que está elaborando uma dissertação de mestrado, por exemplo, recebe um auxílio de R$ 1.350, enquanto para pesquisadores do doutorado, o valor é de R$ 2 mil. Já os pesquisadores que estão fazendo pós-doutorado recebem bolsas que variam entre R$ 3,7 mil e R$ 4 mil. O valor de R$ 14 mil é oferecido para a modalidade “pesquisador visitante especial”, com o objetivo de atrair para o país cientistas renomados e líderes de grupos de pesquisa no exterior.

A Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) oferece programa próprio de bolsas com remunerações superiores às praticadas pelo CNPq. Nos programas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, o valor do auxílio é de 13,9% a 50% maior do que os oferecidos pelo programa federal.

Complemento

No Paraná, a Fundação Araucária propõe uma medida para tentar equacionar o problema da baixa remuneração: a complementação de bolsas. Por meio de uma parceria com a Capes, a agência paranaense recebeu recursos para melhorar a remuneração de 80 bolsistas de mestrado e outros 60 de doutorado. A complementação é de R$ 300 para os mestrandos e de R$ 500 para doutorandos. Além disso, dois pesquisadores de pós-doutorado também poderiam receber a ajuda extra, no valor de R$ 1,5 mil.