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Global Research

Odebrecht muito além do tijolo

Publicado em 05 abril 2010

O sobrenome Odebrecht sempre esteve ligado a tijolos. Um dos maiores conglomerados do País, o grupo Odebrecht surgiu como uma construtora e hoje é um gigante também na área petroquímica. Mas há um integrante da família controladora da empresa que tem interesse em outras áreas.

Trata-se de Emílio Odebrecht, filho de Norberto, o fundador da companhia. Emílio, atualmente presidente do conselho da corporação, é patrocinador de um dos projetos científicos mais importantes em andamento no País. Desde 2007, ele é sócio da Recepta, uma farmacêutica que realiza pesquisas avançadas de medicamentos capazes de combater o câncer.

A empresa, que recentemente se tornou a primeira do Brasil a realizar testes com anticorpos desenvolvidos para tratar câncer de ovário, conta com uma rede de parceiros que inclui universidades e instituições de pesquisa internacionais. Seu maior desafio é comprovar a eficácia do remédio que produz, algo que tem potencial para salvar a vida de milhares de pessoas.

O que levou Emílio a investir numa área tão diferente da origem dos negócios da família? "É importante para o Brasil caminhar com as próprias pernas na área farmacêutica", diz o empresário. "O País precisa se tornar referência internacional nesse setor."

Emílio não revela os números, mas estima-se que nos últimos três anos ele desembolsou, como pessoa física, cerca de R$ 10 milhões na companhia. Para comandar o projeto, foi contratado o físico José Fernando Perez, ex-diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Perez é reconhecido no meio científico.

Na Fapesp, ele liderou a equipe que decodificou o genoma de uma bactéria causadora de pragas em laranjais, projeto que culminou na publicação da pesquisa na capa da revista Nature, a mais importante publicação científica do mundo. Por enquanto, a Recepta não gerou receitas. Mas a empresa tem potencial para proporcionar ganhos no futuro próximo.

Se os testes comprovarem que o medicamento realmente funciona, a Recepta terá o direito de registrar a patente e, no passo seguinte, comercializar o produto dentro e fora do Brasil. Feito isso, as oportunidades de lucro são incalculáveis. Recentemente, o laboratório americano Morphotek, criado com investimentos de US$ 25 milhões, foi vendido por US$ 300 milhões.

Neste caso, o dinheiro foi revertido em novas pesquisas. Parte dele, obviamente, foi parar no bolso dos acionistas. Além de Emílio, outro investidor da Recepta é o pecuarista Jovelino Mineiro. A empresa conta também com linhas de financiamento público, por meio da Finep e do BNDES. O negócio envolve riscos. Se o projeto naufragar, todo o dinheiro investido até agora será perdido. Para Emílio, isso não é um problema. Ele sabe como erguer um tijolo de cada vez.

Fonte: ISTO É DINHEIRO