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Gazeta Mercantil

Observação de raios terá equipamentos brasileiros

Publicado em 07 janeiro 2002

Por Virgínia Silveira - de São José dos Campos
O Brasil dará uma importante contribuição ao projeto de construção da maior rede de observação de raios cósmicos do mundo. As empresas Equatorial, de São José dos Campos, Schwantz, de Indaiatuba e Alpina, de São Paulo, vão fornecer grande parte dos equipamentos de dois observatórios de partículas de alta energia em Mendoza, na Argentina, e em Utah, nos Estados Unidos. O projeto do Observatório Pierre Auger reúne 19 países e prevê gastos da ordem de US$ 60 milhões até 2003, quando inicia a operação do primeiro observatório, na Argentina. O estudo das partículas de raios cósmicos, segundo o coordenador do projeto Auger no Brasil, Carlos O. Escobar, representa um dos maiores desafios da física de alta energia, uma vez que até hoje não se sabe como elas são produzidas. Para se ter uma idéia da complexidade desse estudo, as partículas de alta energia chegam à Terra com uma freqüência de apenas uma por século, por quilômetro quadrado. "Dai a necessidade de termos uma estrutura sofisticada para observação direta do fenômeno em locais adequados", disse Escobar, que também é professor titular do Departamento de Raios Cósmicos da Universidade de Campinas (Unicamp). Segundo Escobar, uma média de 30 partículas de alta energia devem atingir por ano a área de 10 mil quilômetros quadrados reservada para o observatório de Mendoza. Depois que chegam à Terra, essas partículas permanecem aqui por apenas 100 microssegundos, gerando um "chuveiro" com mais de 1 bilhão de partículas que, segundo uma das teorias mais aceitas da física, deram origem ao nosso universo. Tanto em Mendoza quanto em Utah, nos EUA, as áreas escolhidas para abrigar os dois observatórios possuem baixo nível de poluição, pouca umidade, céu límpido, com pouca cobertura de nuvens e sem produção de luz por atividade humana. Todos esses aspectos, segundo Escobar, foram levados em conta no projeto Pierre Auger, para que não houvesse interferência no trabalho de captação das partículas pelos telescópios. A estrutura que envolve os dois observatórios é formada por cinco prédios hexagonais, onde serão instalados um total de 30 telescópios e 1.600 tanques, com capacidade para armazenar 12 mil litros de água. Os tanques, chamados de Cenrenkov, serão produzidos pela empresa Alpina, de São Paulo. As lentes usadas na correção do ângulo de visão dos telescópios serão fornecidas pela Schwantz, de Indaiatuba. A empresa Equatorial, especializada no desenvolvimento e fabricação de sistemas espaciais, é responsável pelo desenvolvimento de um sistema que integra o telescópio, chamado de obturador. O sistema, com 2,5 metros de diâmetro, tem a função de abrir e fechar automaticamente a lente do telescópio. Além do obturador, a Equatorial também foi contratada pelo projeto Auger para fornecer um sistema de suporte de filtros de radiação ultravioleta e de uma lente secundária para o telescópio. O contrato de fornecimento dos equipamentos que serão acoplados ao primeiro telescópio, segundo o presidente da Equatorial, César Ghizoni, está avaliado em R$ 500 mil. A expectativa da empresa, porém, é que a montagem completa dos dois observatórios gerem uma receita para a empresa de RS 2,5 milhões. O primeiro equipamento do projeto, de acordo com Ghizoni, será entregue no próximo dia 21 e, até o final de fevereiro, a Equatorial programou a entrega de mais cinco sistemas. A Equatorial já acumula participação em vários projetos científicos internacionais envolvendo tecnologia de ponta. O mais recente deles é o fornecimento da cúpula e do software de controle do maior telescópio do mundo, o Soar. O Soar é quase duas vezes maior que o telescópio espacial Hubble e vai operar no infravermelho próximo, fazendo observações astronômicas no espaço. O telescópio, que tem um custo de desenvolvimento estimado em US$ 28 milhões, será instalado no deserto de Atacama, no Chile, em meados deste ano. O Brasil, segundo o coordenador Carlos Escobar, tem uma participação de peso no projeto Pierre Auger, pela sua tradição com pesquisas na área de radiação cósmica e física de alta energia. Escobar foi, durante quatro anos, presidente do Conselho de Colaboradores do Projeto Pierre Auger. Hoje ocupa, junto com outros 10 cientistas no mundo, o cargo de membro do grupo de assessores do projeto. A parte financeira da rede de observação Pierre Auger é coordenada hoje pelo diretor da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Fernando Perez. REGISTRO Brasil tem 1 milhão da ha de florestas certificadas A certificação florestal FSC (Forest Stewardship Council ou Conselho de Manejo Florestal) no Brasil ultrapassou 1 milhão de hectares de florestas, naturais ou plantadas. O marco foi alcançado com a concessão, em final de dezembro, do certificado para 103.036 hectares de plantações de pinus e eucalipto da Pisa Florestal S.A, do Paraná, que elevou para 1.049.10 ha a área total certificada no Brasil, dos quais 762.835 ha são de florestas plantadas no Sul, Sudeste e Centro-Oeste, e 286.675 ha de florestas nativas na Amazônia.