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Objetivos em comum

Publicado em 07 novembro 2008

Por Fábio de Castro

Agência Fapesp

Em entrevista, Jaime Parada, diretor-geral do Instituto de Inovação e Transferência de Tecnologia de Nuevo León, cooperação científica será foco central do processo de intensificação de intercâmbio econômico entre estado mexicano e SP

Importantes centros industriais, sedes de empresas e Universidades de grande porte, os estados de SP e Nuevo León, no México, têm condições de formar um eixo estratégico para a produção de conhecimento, com impacto positivo nas economias dos dois países.

Essa é a opinião de Jaime Parada, diretor-geral do Instituto de Inovação e Transferência de Tecnologia (I2T2) do estado mexicano, que assinou, no dia 29 de outubro, um acordo de cooperação científica com a Fapesp.

Na mesma semana, a Universidade de SP (USP) e a Universidade Autônoma de Nuevo León (UANL) assinaram um acordo de cooperação que prevê o intercâmbio de docentes, pesquisadores e estudantes. O I2T2 discutiu, com a Agência USP de Inovação, um programa conjunto para transferência de conhecimento e uso de tecnologias. Os governadores de SP, José Serra, e de Nuevo León, José Natividad González Parás, assinaram também um acordo de colaboração.

De acordo com Parada, que já foi diretor-geral do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia – cargo equivalente ao de ministro da Ciência e Tecnologia do México –, a cooperação científica será o foco central do processo de intensificação do intercâmbio econômico entre os dois estados. Na entrevista à Agência Fapesp, Parada explica que a aproximação com o Brasil faz parte do plano de transformar a capital de Nuevo León, Monterrey, em uma cidade internacional do conhecimento.

Parada é formado em engenharia elétrica e se especializou em planejamento estratégico e desenvolvimento tecnológico. Membro fundador da Associação de Executivos em Desenvolvimento Tecnológico e Pesquisa Aplicada, possui 25 anos de experiência em Pesquisa e Desenvolvimento no setor privado, na academia e no governo.

– Além do acordo que acaba de ser assinado entre a Fapesp e o I2T2 , os governos de SP e Nuevo León estabeleceram outras parcerias com foco em ciência em tecnologia. Por que os dois estados têm interesse em uma aproximação nessa área?

O Brasil e o México constituem dois terços da economia da América Latina, aproximadamente. Dentro desses dois países, os estados de SP e Nuevo León têm papéis muito importantes como motores da economia e do conhecimento. O PIB [Produto Interno Bruto] paulista, por exemplo, é equivalente aos da Argentina e Chile juntos. As cidades de SP, com 20 milhões de habitantes, e Monterrey, com 4,5 milhões, têm potencial para constituir um eixo de cooperação muito importante e achamos que essa construção passa pela incorporação da cultura do conhecimento

– A cooperação científica servirá para incentivar a aproximação econômica?

Sim, esses mercados têm uma importância enorme que ainda não é explorada. Os intercâmbios cresceram, mas não no nível que poderíamos alcançar, especialmente entre as cidades de Monterrey e SP, que estão na lista das 25 cidades mais competitivas do planeta. . Para isso teremos que buscar modalidades de cooperação de natureza muito diferente, no âmbito da educação, da ciência, da tecnologia e dos negócios. Mas a pesquisa terá um papel central, por isso estamos muito felizes com o acordo firmado junto à FAPESP. Monterrey sempre foi uma cidade industrial e já é a mais competitiva do México. Agora queremos transformá-la em uma cidade internacional do conhecimento.

– Além dos acordos com o Brasil, que iniciativas foram tomadas para promover essa transformação?

Estamos criando, em Nuevo León, um parque científico e tecnológico muito importante, com mais de 30 centros de pesquisa, Universidades, centros de tecnologia e empresas locais e globais, com uma comunidade de mais de 3.500 pesquisadores científicos e tecnológicos. Isso trará para a economia de Monterrey um novo paradigma, que é a economia do conhecimento.

– Como serão viabilizados os recursos para essas iniciativas?

Vamos fazer algo que o governo paulista fez na década de 1960, quando criou a Fapesp para financiar, de maneira sustentável, a pesquisa científica e tecnológica, o capital humano e os novos negócios. Em Nuevo León, o I2T2 tem exatamente a mesma missão, de modo que agora também estamos a ponto de aprovar uma nova lei na qual se estabelecerá o compromisso de dedicar um repasse de 2% do orçamento do estado ao instituto, seguindo o modelo adotado em SP. Isso vai nos dar uma possibilidade muito grande de ampliar a velocidade do progresso científico e tecnológico.

– O volume de investimentos em ciência é semelhante nos dois países?

O Brasil já investe pouco mais que 1% do PIB em ciência, tecnologia e inovação. O México, com grande dificuldade, aproxima-se da metade desse percentual. Temos que apertar o passo.

– Como funcionará o acordo com a Fapesp?

Ele vai nos permitir um incremento do número de bolsas para estudantes de pós-graduação de ambos os lados. E vai viabilizar intercâmbios de pesquisadores em instâncias de pós-doutorado, além de possibilitar a realização de pesquisas conjuntas entre grupos dos dois estados. Daqui até o fim do ano vamos desenhar como serão as modalidades e os mecanismos para as chamadas relacionadas a esse intercâmbio. Vamos identificar quem serão as contrapartes mais apropriadas para que essa cooperação possa se traduzir em projetos e intercâmbios e, eventualmente, no desenvolvimento conjunto de novas tecnologias.

– Esses intercâmbios serão voltados para alguma área específica ligada às vocações dos dois países?

Temos algumas áreas de prioridade selecionadas, começando por todos os temas de ciências da saúde e biotecnologia, em suas aplicações para a área de alimentos, meio ambiente e energias alternativas. Interessa-nos também o tema da nanotecnologia. Outra área em foco é a da engenharia aeronáutica, já que temos uma boa base de provedores da indústria aeroespacial, enquanto o lado brasileiro tem uma empresa poderosa como a Embraer. Eu citaria também o tema das energias não-convencionais e toda a área de mecatrônica e manufaturas avançadas, além do tema da engenharia de software e desenvolvimento, da altamente promissora indústria da tecnologia da informação. Essas são as prioridades temáticas.

– A visita à Embraer rendeu algum acordo específico?

Discutimos as possibilidades de continuar cooperando e nos colocamos à disposição para isso. Oferecemos Monterrey para a instalação de plantas adicionais que a empresa possa vir a criar no futuro, propondo uma localização estratégica para atacar o mercado dos Estados Unidos e Canadá, que estão entre os maiores do mundo.