O acúmulo de gordura abdominal, associado à perda de massa muscular, condição conhecida como obesidade sarcopênica, aumenta em mais de 80% o risco de morte, em comparação a pessoas que não apresentam ambas as condições. A conclusão é de um estudo da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), em parceria com a University College London, no Reino Unido.
Os resultados, publicados na revista Aging Clinical and Experimental Research, foram obtidos a partir do acompanhamento durante 12 anos de 5.440 participantes do English Longitudinal Study of Ageing (ELSA) com 50 anos ou mais de idade. O estudo revelou que indivíduos com ambas as condições apresentaram um risco de morte 83% maior em comparação àqueles que não as possuíam.
Valdete Regina Guandalini, professora do Departamento de Gerontologia da UFSCar e uma das pesquisadoras envolvidas no estudo, explica que a obesidade sarcopênica também está diretamente relacionada com a chamada terceira idade (pessoas a partir de 60 anos), ligada a fatores como perda de autonomia da pessoa idosa e a piora na qualidade de vida nessa faixa etária.
Ela ressalta que, embora a perda muscular seja considerada algo normal com o avanço da idade, principalmente a partir dos 40 anos, alguns fatores podem acentuar ou retardar o processo. “A prática de atividade física, o consumo alimentar, o não consumo de bebida alcoólica, o uso de cigarro e o sono irão influenciar nesse declínio, tornando-o mais rápido ou não”, completa a pesquisadora.
Salientando que hábitos saudáveis podem reduzir significativamente a incidência de obesidade sarcopênica, Guandalini aponta outros dados relevantes do estudo, como a redução do risco de morte em até 40% entre aqueles com baixa massa muscular, mas sem obesidade abdominal. A mesma tendência é observada em indivíduos com obesidade abdominal, mas massa muscular adequada.