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Diário do Rio Claro

Obesidade é tão prejudicial quanto fumar por toda vida

Publicado em 31 março 2009

Ainda que o cigarro apareça como o vilão e a origem de tipos de câncer que levam à morte, o excesso de peso também pode ser visto como um risco quase tão grave à saúde do homem. Cientistas afirmam que a obesidade considerada severa é tão prejudicial à saúde quanto fumar pela vida toda, diminuindo as expectativas de vida em cerca de uma década.

Análise de 57 estudos feitos na Europa e Estados Unidos, com quase 900 mil pessoas, revelou que um índice de massa corporal (IMC) alto leva a um aumento nas taxas de mortalidade.

O trabalho considerou o IMC – coeficiente calculado ao se dividir o peso (em quilograma) pela altura (em metro) ao quadrado – ideal entre 22,5 e 25 kg/m². De acordo com o estudo, acima do valor máximo ideal, cada 5 kg/m² extras resultam em um aumento de cerca de um terço na mortalidade geral.

A pesquisa, coordenada por Richard Peto e Gary Whitlock, da Colaboração de Estudos Prospectivos da Universidade de Oxford, no Reino Unido, foi publicada ontem no site da revista médica The Lancet. Segundo a Agência Fapesp, entre as conclusões está que a obesidade moderada, ou sobrepeso (IMC entre 30 e 35), é comum estatisticamente, mas tem apenas um terço do efeito do hábito de fumar na mortalidade. Já a obesidade severa, em que o IMC varia de 40 a 50, é mais rara porém tem efeito semelhante ao cigarro na mortalidade.

No estudo, analisou-se a relação entre o IMC e o risco de morte por conta de diversos problemas de saúde em pessoas com idade média de 46 anos, sendo 61% homens. Nos dois sexos, a mortalidade se mostrou menor no IMC considerado ideal. Cada 5 kg/m² adicionais representaram um aumento de: 40% na mortalidade por doenças do coração e outros problemas vasculares; 60% a 120% para diabetes e doenças no fígado e rins; 10% em relação ao câncer; e 20% de aumento para indivíduos com doenças pulmonares.

A obesidade moderada reduziu a expectativa de vida por volta de dois e quatro anos. A diminuição foi de oito a 10 anos para casos de obesidade severa ou mórbida.

Nos indivíduos com IMC abaixo do considerado ideal, também foi observado aumento na mortalidade. Os cientistas, no entanto, destacam ser necessário um novo estudo para entender melhor tal relação, que não foi o objetivo da presente pesquisa.

 A conclusão é simples: excesso de peso diminui a expectativa de vida. Em países como a Inglaterra e os EUA, pesar um terço a mais do que o ideal diminui a expectativa média de vida em três anos,  diz Whitlock. – Para a maioria das pessoas, esse um terço significa carregar de 20 a 30 quilos a mais de excesso de peso. É mais fácil evitar o ganho de peso do que perdê-lo depois que o excesso está presente. Evitar atingir IMC de 32 kg/m² pode representar anos a mais de vida.

Peter Weissberg, da Birtish Heart Foundation, que participou do estudo, ressaltou a importância de se estabelecer uma relação entre sobrepeso e saúde, “ Esta é a última e mais convincente demonstração da estreita ligação entre estar acima do peso e ter uma péssima saúde, e confirma que fumar pode ser menos prejudicial do que ser gordo – observou.