Notícia

O Estado do Maranhão

O Valor da ciência

Publicado em 16 agosto 2006

O valor da ciência tem sido discutido há tem pos. Agora mesmo, depois de encontrar um livro barato em uma livraria, estou lendo algumas notas de Henri Poincaré sobre ciência e o seu valor. Mas o interessante mesmo é notar a evolução do que seria esse valor. Muito, diferente do que hoje se agrega à real importância da ciência.

E extremamente interessante. Ao ler sua brochura, pareceu-me que estava novamente entrando naquela época do Romantismo. Em que a construção de qualquer idéia não tinha necessariamente esse aspecto pragmático dos dias de hoje. Não necessariamente se pensava qual o fim prático de determinada idéia ou teoria. Foi uma descoberta interessante, porque igualmente a leitura parecia um pouco mais densa, mais floreada - algo muito comum do espírito da época.

Poincaré fala de construções matemáticas, geométricas ou mesmo da Física para defender o valor da ciência que chega a assustar. A desvinculação com aquilo que chamamos de realidade, ou mesmo de vida exterior é total. E um mundo completamente fora das discussões que preocupam e ocupam os nossos cérebros diariamente.

Richard Feynman, Prêmio Nobel de Física e sobre o qual há inúmeras estórias, geralmente envolvendo sua genialidade, foi outro que discorreu sobre o valor da ciência. Não sei precisar a data, mas calculo que tenha sido na década de 50. Ele começou a falar sobre ciência e o valor que se poderia agregar a ela, já no que hoje é entendido como "sentido prático".

No entanto, ele não se preocupa em agregar valor à ciência. Zomba, inclusive, daqueles que o queriam fazer. Matemático por excelência, excêntrico, um artista dos números e pensamento, Feynman pouco se importa com o valor pratico da ciência. Ainda que ele tenha sido um dos participantes da construção das Bombas que foram jogadas sobre o Japão.

Talvez isso justifique o seu ceticismo. Lembra, então, de um monge budista que um dia teria lhe falado "A todo homem é dada a chave para os portões do céu. A mesma chave abre a porta do inferno". O grande cientista, sabe-se, estava preocupado em se justificar e tentar fazer à população de então que a ciência, em si, seria neutra, inofensiva.

Já na década de 70 começavam os movimentos para garantir um valor prático à ciência. Depois que o homem foi à lua, ficou patente que havia muito mais entre o céu e a terra, e entre a ciência e o homem. Laboratórios foram criados e universidades, erguidas e desenvolvidas em cima da pesquisa científica. Começava a época áurea do pragmatismo que atinge o seu pico nos dias de hoje.

Não por acaso, lê-se freqüentemente revistas especializadas em administração, negócios, ou até mesmo agencias de fomentos com publicações específicas para, por exemplo, inovação tecnológica. Uma das mais famosas do Brasil é a revista Fapesp, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Os paradigmas, portanto, mudaram. A educação mudou. Os negócios mudaram. E a ciência também mudou. A hora é de se observar e entender o que está acontecendo. Os governos o mundo inteiro estão incentivando uma ciência mais próxima das necessidades sociais. O Brasil não é diferente. Inúmeras leis foram aprovadas recente mente em que se tenta aproximar o setor produtivo da academia. A ciência se tornou fundamental para o desenvolvimento de um país. Tem valor inestimável, que não pode ser jogado pura e simplesmente na lata do lixo.