Notícia

DCI

O vácuo na pesquisa

Publicado em 03 agosto 2010

O Brasil precisa se espelhar no modelo adotado por países desenvolvidos para dar espaço ao desenvolvimento de tecnologias. Esse setor passou a ser prioritário a todos os países que olham para a frente e trabalham também pensando no futuro.

O modelo adotado pelas nações que mais conseguem êxito em inovação tecnológica é relativamente simples. Fundos de investimento voltados para tecnologia aplicam recursos em pequenas e médias empresas que desenvolvem produtos inovadores. Essas empresas surgem, na grande maioria dos casos, por iniciativa de técnicos que, a partir das universidades, decidem realizar pesquisas patrocinadas pelo Estado. A partir das pesquisas aparecem ideias de produtos novos, que solucionam problemas através de tecnologia de ponta, usando ferramentas como a nanotecnologia.

Trata-se da maneira mais eficiente, pelo menos até agora, de colocar um país entre os mais avançados do mundo. Inovação tecnológica é uma necessidade cada vez maior no cenário econômico global, em que os diferenciais levam empresas a conseguir vantagens competitivas que fazem toda a diferença.

No Brasil, esse trabalho ainda é incipiente. Existem entidades de apoio à pesquisa, como a Finep e a Fapesp, mas é preciso fazer muito mais. Estimativas baseadas em estatísticas feitas em universidades brasileiras e do exterior mostram que o Brasil tem aproximadamente 2% dos trabalhos científicos desenvolvidos no âmbito acadêmico em todo o mundo - um número expressivo que, no entanto, perde muito de sua força quando se lembra que o País nem figura entre os 50 maiores no ranking global de registros de patente.

Existe um vácuo que precisa ser desenvolvido com rapidez. Integrar o trabalho de pesquisa nas universidades com necessidades de negócios é salutar para a economia brasileira e ajuda a formar empreendedores. Não podemos ficar de fora desse processo, que há muito deixou de ser uma alternativa para se tornar uma necessidade.

Apoiar com recursos a pesquisa acadêmica precisa ser uma prioridade. É importante que os candidatos à próxima eleição estejam atentos a essa realidade para que o Brasil possa começar a caminhar em uma área em que, até agora, tem presença incipiente.