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O uso do solo e as mudanças climáticas

Publicado em 26 setembro 2019

Humanidade utiliza mais de 70% da superfície terrestre sem gelo e atividades primárias respondem por quase um quarto das emissões de gases de efeito estufa

Dois fatores pressionam o uso da terra no planeta, de acordo com o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), órgao da Organizaçao das Nacões Unidas (ONU), divulgado em Genebra, Suíça, em 8 de agosto passado. O primeiro é a crescente populaçao global, hoje em torno de 7,2 bilhões de pessoas, que aumenta a demanda por comida e recursos naturais. O segundo sao as mudanças climáticas, que criam novos desafios na difícil relaçao da humanidade com o solo do planeta. A açao do homem se dá fundamentalmente por meio de atividades agropecuárias, uso do solo urbano e preservaçao de áreas naturais. Ao optar, por exemplo, por converter uma área de floresta nativa – que estocou uma quantidade considerável de carbono em sua biomassa – em pastagem para criaçao animal, promove-se uma grande emissao de gases de efeito estufa. As escolhas feitas pelo homem podem minimizar ou exacerbar as mudanças climáticas, que, por sua vez, levam a sociedade a novas decisões sobre como utilizar o solo, em um processo que se realimenta.

Diferentemente de seus grandes e abrangentes relatórios gerais sobre a situaçao do clima terrestre,…, o novo documento do IPCC é um relatório especial, que trata de um tema mais específico. No caso, das relações entre o uso da terra e as mudanças climáticas, com ênfase em assuntos como desertificaçao, degradaçao do solo, manejo sustentável da terra, segurança alimentar, produçao de biocombustíveis e fluxos de gases de efeito estufa em ecossistemas terrestres.

Esse é o segundo relatório especial, que foi escrito e editado por 107 autores de 52 países, incluindo quatro autores brasileiros. O primeiro, divulgado em outubro de 2018, falava dos impactos climáticos do aumento de 1,5% graus Celsius na temperatura global nas próximas décadas. Devido ao seu recorte, o novo documento nao aborda a necessária reduçao da queima de combustíveis fósseis e foca essencialmente nas relações do homem com a superfície do planeta.

“A terra desempenha uma funçao importante no sistema climático”, disse, em comunicado durante o lançamento do relatório, o escocês Jim Skea, professor do Centro de Políticas Ambientais do Imperial College de Londres. “A agricultura, a silvicultura e outros tipos de uso da terra representam 23% das emissões humanas de gases de efeito estufa. Ao mesmo tempo, os processos naturais dos ecossistemas terrestres absorvem dióxido (CO2) de carbono equivalente a quase um terço das emissões da molécula oriunda da queima dos combustíveis fósseis.” Skea é copresidente do Grupo de Trabalho III do IPCC, que estuda formas de mitigar mudanças climáticas, reduzindo as emissões de gases de efeito estufa ou retirando-os da atmosfera.

Segundo o relatório, as atividades que dependem do uso da terra foram responsáveis pela emissao de 13% do CO2, de 44% do metano (CH4) e 82% do óxido nitroso (NO2), produzidos pelo homem entre 2007 e 2016. A maior parte das emissões de CO2, o principal gás de efeito estufa, vem de atividades industriais e de transporte que envolvem a queima de combustíveis fósseis.

Há cerca de 130 milhões de quilometros quadrados (km2) de solo nao cobertos por gelo nas áreas continentais, 72% da terra firme do planeta. A maior parte desse solo nao congelado é usada pelo homem para obter comida, água, energia, fibras para várias finalidades, madeira e ter acesso a uma série de serviços ambientais, além de manter a biodiversidade. A pecuária, intensiva e extensiva, para a criaçao de bovinos e de outros animais ocupa 21% desse total, e a agricultura, irrigada e nao irrigada, 12%. Desde 1961 até 2016, o consumo de carne e de óleos vegetais mais do que dobrou e as emissões de metano, produzidas naturalmente pelo sistema digestivo do gado e pelo cultivo de arroz, aumentaram 70%. Também duplicaram as emissões de óxido nitroso, que decorrem do uso de fertilizantes nitrogenados.

O artigo em pauta, segue o início aqui transcrito tratando considerações outras com propriedade científica, e deve ser buscado na fonte, porque o debate é rico em dados e proporciona novas visões sobre alimentaçao alternativa buscando sustentabilidade

Fonte: Revista Pesquisa FAPESP N. 283 SETEMBRO DE 2019 – ediçao física – IPCC, acessível em WWW.REVISTAPESQUISAFAPESP.BR.

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