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A Tribuna (Santos, SP) online

O sol como culpado?

Publicado em 12 fevereiro 2007

O último relatório do Painel Intergovernamental sobre a Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), resultado do trabalho de 2,5 mil cientistas de mais de 130 países, continua gerando muita polêmica. De acordo com José Antonio Marengo, meteorologista do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) do Inpe, a primeira parte do relatório traz dados mais consistentes e realistas do que a última versão, lançada em 2001. Outro pesquisador do CPTEC, Carlos Nobre, concorda com a avaliação e destaca que o cenário é especialmente preocupante para o Brasil. "Já somos um País com muitos extremos climáticos, o que implica secas, enxurradas, deslizamentos de encostas, inundações e vendavais. O relatório, cujos dados são bem mais consistentes que os anteriores, dá indicações de que esses fenômenos vão se intensificar", disse à Agência Fapesp. Para outros, no entanto, as estimativas do IPCC são tidas como "o maior erro científico da história". A afirmação é do jornalista espanhol Luis Carlos Campos, em seu livro 'Calor Glacial'. Para ele, os motores da mudança climática não seriam nem o CO2 nem o buraco na camada de ozônio, mas a influência dos raios solares e cósmicos. Linha semelhante segue o diretor do Observatório Astronômico de São Petersburgo, Khabibullo Abdusamatov. "O aquecimento global é resultado da elevada e prolongada atividade solar que aconteceu na maior parte do século passado, e não se deve ao efeito estufa (causado pelo homem)", disse o cientista à agência russa "Novosti". "A população não está em condições de influenciar no aquecimento global da Terra, que, após um período de aquecimento, sempre experimenta outro de esfriamento", disse. "Entre os anos 2012 e 2015, a temperatura global da Terra começará uma lenta redução, que alcançará os níveis mínimos entre 2055 e 2060", afirmou. Esse esfriamento, diz ele, será semelhante ao observado entre 1645 e 1715 e que afetou Europa, América do Norte e Groenlândia, e que coincidiu com uma diminuição da atividade solar, período no qual rios europeus como o Tâmisa e o Sena congelaram.