Notícia

Jornal do Commercio (PE)

O resultado de inovar

Publicado em 27 março 2013

Por Angela Fernanda Belfort

A inovação e os investimentos em tecnologia fazem a diferença no lucro e na longevidade das empresas. Algumas companhias brasileiras já têm na pesquisa e desenvolvimento (P&D) uma alavanca direta de crescimento. Destaque no setor de aviação comercial, a Embraer é um modelo verde e amarelo de negócio baseado no conhecimento. Ela tem aviões em 65 companhias aéreas pelo mundo e, para manter a performance de vendas, precisa constantemente melhorar seus produtos e se antecipar às demandas. Por isso investe em P&D, todos os anos, uma cifra média de R$ 1,2 bilhão.

“O desafio é grande para nos mantermos no mercado. Tecnologia e inovação garantem nossa sobrevivência”, resume o engenheiro-chefe da fabricantes de aviões, Emílio Matsuo.

A Embraer fomenta conhecimento, especialização e registro de patentes. O estímulo começa nos engenheiros recém-contratados, que passam por um treinamento conjunto com o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). A companhia também realiza anualmente um seminário de tecnologia e inovação em que funcionários apresentam centenas de trabalhos, um evento para estimular ainda mais a produção e troca de conhecimento.

Na Embraer, as parcerias com universidades e Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs) surgiram há mais de 10 anos, quando ela fundou sua diretoria de tecnologia. Hoje há projetos de P&D com o ITA, para montagem de estruturas, com a Universidade de São Paulo (USP), sobre conforto nas cabines, e com outras duas instituições de ensino (com projetos confidenciais). A Embraer já usou todos os mecanismos de fomento à inovação e pesquisa existentes no Brasil, a exemplo da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e das Fundações de Amparo à Pesquisa de São Paulo e também de Minas Gerais.

“A guerra não está ganha, muito pelo contrário. O mundo globalizado é muito competitivo. A inovação tem que estar no DNA de todas as áreas da empresa e em todas as pessoas”, diz Matsuo. “Muitos concorrentes nossos de 20 anos atrás nem estão mais no mercado”, comenta o engenheiro-chefe. “A educação transforma com uma rapidez maior do que se imagina”, completa o presidente da Embraer, Frederico Curado. Até outubro passado, a companhia havia registrado 286 pedidos de patentes nos Estados Unidos, Brasil, União Europeia, China e Japão.

A Embraer tem proporções de gigante, mas não é a única multinacional brasileira com essa cultura. A Baterias Moura, de Belo Jardim, leva sua produção do Agreste pernambucano para vários países. Só em 2012 ela investiu R$ 10 milhões em P&D, mostra da cultura de incorporar resultados de estudos com universidades e ICTs – para onde destinou, na ordem, R$ 1 milhão e R$ 1,5 milhão ano passado. Os outros R$ 7,5 milhões na área, em 2012, foram no centro de P&D da própria Moura.

Em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande, a empresa se prepara para fabricar no País o equipamento que dá a primeira carga na bateria, hoje importado. “Serão feitos seis protótipos. A expectativa é que em 2014 o equipamento seja usado em todos os nossos produtos”, conta o diretor de Negócios Corporativos da Moura, Luiz Mello.

A pernambucana é líder no setor automotivo e deve produzir este ano 6,5 milhões de baterias, sem contar seus outros segmentos, como acumuladores industriais. A Moura planeja para 2013 o maior investimento em P&D da sua história: R$ 30 milhões. “Foi uma decisão estratégica. Sem inovar, a empresa não terá vida longa”, diz Mello. A atenção é para mudanças que vão impactar seus negócios em um futuro próximo, como o carro elétrico.

Também com origem no Estado, a Serttel foi a primeira a ter parceria com a UFPE. É outro exemplo de negócio que tem o conhecimento como âncora. A Serttel administra a maior rede semafórica do mundo. São oito cidades, com 6,2 mil semáforos só em São Paulo e mais 670 no Recife. A empresa fabrica o aparelho e ainda presta o serviço de monitoramento online da rede.

Nos últimos 4 anos, a Serttel investiu em média R$ 1 milhão por ano em P&D, em parcerias com ICTs e universidades. “Do total, metade foram recursos próprios e o restante veio de empréstimos destinados a investimentos em inovação e subvenção econômica (da Finep), entre outros. Criamos o hábito de fazer pesquisa, prospecção e desenvolvimento de um produto inovador”, explica o presidente da empresa, Angelo Leite.

“A vida da Serttel mudou depois que passamos a ter acesso aos recursos que fomentam pesquisa e inovação”, relata Angelo. Ele diz que os resultados foram crescimento acelerado e novos serviços. Todos os projetos com dinheiro destinado a inovação resultaram em novos produtos. A empresa gerou cinco patentes na categoria modelo de utilidade (são aperfeiçoamentos de um produto, como um tipo de lâmpada usada em um semáforo) e quatro registros de software. Falar em aperfeiçoar uma lâmpada, à primeira vista, pode parecer pouco. Mas é o tipo de inovação que no dia a dia faz toda a diferença em um negócio.