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Indústria Têxtil e do Vestuário - Textile Industry

O que são biotecidos

Publicado em 24 agosto 2020

Biotecidos são tecnologias produzidas a partir de materiais biológicos com baixo impacto ambiental

Biotecidos são tecnologias produzidas a partir de materiais biológicos com baixo impacto ambiental, como troncos de árvore, folhagens, papel vegetal e colônias de bactérias e fungos. A composição dos biotecidos pode variar, e inclui muitas propriedades naturais, como colágeno, queratina, fibras proteicas, vegetais e celulose, é que diz o professor de Têxtil e Moda da USP, Dr. Mauricio Campos, ao portal Notícias R7. O interessante das peças de biotecido é que nelas é possível adicionar aromas e medicamentos, fazendo com que também exerçam a função de um curativo, por exemplo.

Exemplos de biotecidos

Algumas empresas começaram a fabricar biotecidos a partir do trabalho de micri-organismos. A startup carioca Biotecam, por exemplo,desenvolveu um biotecido utilizando bactérias. Os micro-organismos, pertencentes à espécie de bactéria do gênero Acetobacter, são os mesmos encontrados no vinagre. A culturas são utilizadas pelos engenheiros da empresa para formar um filme de celulose que ganha o aspecto de couro e transforma-se em roupas e acessórios.

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Nos Estados Unidos, a empresa californiana Bolt Threads lançou dois tipos diferentes de biotecidos. Um deles é a microsseda produzida por leveduras bioengenheiradas com genes de aranha, que faz com que estes seres produzam fios parecidos com teias. O biotecido foi usado pela estilista Stella McCartney, incluindo um vestido apresentado no Museu de Arte Moderna (MoMA) de Nova York, em 2017.

O segundo biotecido é o couro biofabricado a partir de células de micélio, uma parte do sistema de filamentos de alguns tipos de fungos, como cogumelos. O nome comercial desse biotecido é Mylo, e ele é usado para fazer roupas, cintos e sapatos por ser muito parecido com o couro de origem animal.

Mas os biotecidos que simulam couro são pesquisados desde 2000 pela designer de moda londrina Suzanne Lee. Ela criou jaquetas, saias, camisas e sapatos com celulose bacteriana, no projeto chamado BioCouture.

O que é celulose?

Ela defende que, no futuro, as fábricas de tecido serão células vivas, formadas por bactérias, algas, fungos e leveduras. Segunda ela, em um TED Talk de julho de 2019, a biofabricação substituirá atividades intensivas desenvolvidas pela humanidade por uma atividade biológica. “Com a biologia, sem nenhuma intervenção minha além de estabelecer as condições iniciais de crescimento, produzimos um material útil e sustentável.”

No Brasil, a empresa Biotecam passou a investir no ramo dos tecidos bacterianos, elaborando um tecido celulósico à base de bactérias. Entre os clientes da startup está a marca de roupas sustentáveis Movin, do Rio de Janeiro, que já produziu algumas peças com o material. Além de exigir um volume muito menor de água para a fabricação, em comparação com o algodão, o Texticel é biodegradável e compostável.

A pesquisadora Andreia Sofia de Sousa Monteiro utilizou bactérias e sílica para modificar quimicamente a superfície de tecidos de algodão, tornado-os repelente a água e a outros líquidos. Em entrevista para a Agência Fapesp, a química afirma ter trabalhado nas propriedades de autolimpeza e de facilidade de limpeza, conhecidas no meio como self-cleaning e easy cleaning, respectivamente. Essa tecnologia permite que líquidos, como o suor humano, ou outras sujidades sejam repelidos pelo tecido.

A membrana com poder autolimpante foi elaborada com um compósito de nanopartículas de sílica com dióxido de titânio. Nesse caso, a sujeira é inicialmente absorvida pelo tecido para, em seguida, ser degradada ao ser exposta a uma fonte de luz ultravioleta (UV). O biotecido desenvolvido por Andreia é revolucionário, pois tem potencial de vir a substituir peças esportivas confeccionadas a partir de tecidos de plástico, como o poliéster. Os tecidos de plástico são um problema ambiental, pois liberam microplásticos no rios e mares após lavagens na máquina de lavar roupas. Além disso, eles são difíceis de reciclar e acabam ocupando espaço em aterros sanitários, quando não são descartados incorretamente no ambiente.

Andreia Monteiro ainda defende que o tecido bacteriano possa vir a ser usado para confecção de jalecos autolimpantes de profissionais da saúde. “No período de descanso, o médico pode colocar o jaleco em uma estrutura com luz UV, e a roupa ficará livre de micro-organismos”, conta ela à revista Fapesp.

Dê uma olhada em um vídeo da agência Fapesp sobre biotecidos:

Fontes e adaptação de Agência Fapesp, Notícias R7 e TED Talk

https://www.ecycle.com.br/8276-biotecidos.html

(Foto: )

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