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O Imparcial (Presidente Prudente, SP)

O que é o PIB?

Publicado em 16 setembro 2011

Uma das siglas mais utilizados no dia a dia, quando se fala sobre economia, é PIB. PIB, como se sabe, significa "Produto Interno Bruto". O que poucos percebem, porém, é que essa expressão mesma só é possível numa economia de mercado. Afinal, como comparar todos os produtos da economia, senão quando todos eles têm preço? Como dizer que um produto vale mais ou menos do que outro senão quando seus valores podem ser medidos em dinheiro? Sem o desenvolvimento de um mercado, os produtos não podem ser comparados. No sistema econômico baseado na troca de mercadorias, tudo pode ser avaliado monetariamente, de modo que toda a imensa gama de diferentes bens e serviços que a economia é capaz de produzir pode ser transformado em algo de mesma substância, ou seja, em dinheiro. Ora, numa tal economia, todo produto deve ser comprado por alguém. Para que seja comprado, todavia, é preciso que as pessoas disponham de renda; e não apenas isso: é preciso que os indivíduos que possuem renda para comprar aquilo que é produzido, de fato, despendam essa renda, isto é, que eles não poupem seu dinheiro. Em suma: é preciso que os indivíduos comprem tudo aquilo que é produzido.

Portanto, o produto total de uma economia de mercado pode ser medido através de três perspectivas diferentes. Tem-se, em primeiro lugar, o produto da economia enquanto tal; dessa perspectiva, o PIB equivale a tudo aquilo que foi produzido, medido monetariamente. Numa economia de mercado, entretanto, o produto não pode ser considerado socialmente útil antes de ser comprado pelas pessoas, e para isso, é preciso que as pessoas tenham renda. Pela ótica da renda, podemos avaliar o PIB de uma economia num determinado período considerando o montante total das remunerações pagas a todos os fatores de produção (trabalho, capital e terra) nesse mesmo período. Para que o produto social tenha valor para os próprios indivíduos, é necessário não apenas que eles tenham renda o suficiente para comprá-lo, mas também que de fato o comprem, isto é, que eles despendam sua renda. Sendo assim, o PIB pode também ser medido pela ótica do dispêndio, através da qual se avalia o produto de uma economia considerando a soma dos valores de todos os bens e serviços produzidos em dado período que não foram absorvidos como insumo na produção de outros bens e serviços.

Essa identidade entre produto, renda e dispêndio significa que, se quisermos avaliar o produto de uma economia de mercado num determinado período, podemos somar o valor de todos os bens finais produzidos (ótica do dispêndio) ou, alternativamente, somar os valores adicionados em cada unidade produtiva (ótica do produto), ou, finalmente, somar as remunerações pagas a todos os fatores de produção (ótica da renda). O PIB, portanto, não é uma medida social da riqueza aplicável a todo e qualquer tipo de economia. A rigor, só se pode falar de um Produto Interno Bruto unitário quando se tem em vista uma economia de mercado.

Bruno Höfig é graduado em Economia e mestrando em História Econômica pela Universidade de São Paulo, bolsista FAPESP e consultor econômico da TOR Investimentos.

Contato: bhofig@torinvestimentos.com.br.